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Showing posts from 2021

A PRAIA

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    Há pessoas que vão à praia para mostrar o corpo; Há pessoas que vão à praia para ver outros corpos; Há pessoas que vão à praia para se bronzear; Há pessoas que vão à praia para postar fotos nas redes sociais; Há pessoas que vão à praia para andar na areia; Há pessoas que vão à praia para ver o mar; Há pessoas que vão à praia para se banhar; Há pessoas que vão à praia para pescar; Há pessoas que vão à praia para meditar; Há pessoas que vão à praia e mergulhar em reflexões sobre o passado; Há pessoas que vão à praia para refletir sobre o futuro e suas inquietações; Há pessoas que vão à praia para surfar; Há pessoas que vão à praia em embarcações e ganham o alto mar; Há pessoas que vão à praia para ver o sol nascer; Há pessoas que vão à praia para ver o pôr do sol; Há pessoas que vão à praia para construir castelos na areia; Há pessoas que vão à praia para vender produtos aos banhistas; Há pessoas que vão à praia por profissão, para salvar os afog

VÍDEO Família Abeid

 https://cesar.blog/home-videos/ Senha: familiatrapo

A IMPORTÂNCIA DO CUIDADO

 "Escrever sobre a amizade tem gosto de bala de coco: é doce, macio, conforta, dá prazer. E se comemos demais, tem também dor-de-barriga e mal estar. Isso para no lembrar que relacionamento é isso: cuidar, esperar, relevar, perdoar. Saboreá-lo na justa medida de não se empanturrar com ele, ou encharcá-lo." (FONTES, Arlete Portella - MULHERES E SUAS HISTÓRIAS DE ENVELHECIMENTO) Creio que estamos vivendo um momento histórico em que a informação nos encharca diariamente. É muito bom ter acesso a informação de forma tão simples, rápida e quase de graça. Mas, não temos condições de absorver tanto conhecimento acumulado e o que se revela diariamente através das ciências, estas em ritmo acelerado. Essa realidade é assustadora e, se quisermos formar opiniões, teremos que entender muito sobre humildade e disrupção. Porque o conhecimento é volátil, se desatualiza rapidamente e, ainda que queiramos alcançá-lo, o que conseguimos é chegar mais perto de alguma fração dele. Esse estado de c

A ESSÊNCIA É O PÓ

  Enquanto aqui escrevo, o tempo passa, o vento sopra, a chuva cai, o momento escapa Tudo se torna memória que se apagará mais tarde O pensamento tenta se agarrar, mas é inútil Sou levado vertiginosamente, mesmo que me negue, mesmo que não queira E nessa velocidade, me transformo silenciosamente e inconscientemente Meu corpo cresce, depois se dirige para o caos A entropia me deteriora a cada minuto Me envelhece, enruga minha pele, faz cair os meus cabelos, faz doer minhas juntas E se não bastasse, tudo o que aprendo é pouco, apesar de caro E, apesar de caro, não importa a ninguém E a cada momento se torna menos importante, mais duvidoso, desprezível Até o destino final, que se apressa e me leva de volta ao pó de onde saí Poeira estelar de volta aos elementos básicos Poeira ao vento que será varrida nas casas e jogada fora Em vida me alimento, na morte serei eu o alimento Alimento de micro-organismos e insetos Adubo na terra Vida que passa, que voa, que

REBELDIA, PORQUE O MOMENTO É DE ESCARNIO A TODA ESSA MERDA DE FALSA MORAL

  Enquanto observo a janela e a chuva fina e fria, que quando criança eu chamava de garoa, mas, agora que moro no Sul não me faço entender pelo desuso dessa palavra tão cheia de conteúdo me dou conta de que nos próximos meses o tempo irá mudar. O calor virá aos poucos e chegaremos a uma temperatura tórrida, para depois, num ciclo que me parece eterno, voltar ao frio. O movimento da temperatura, suas alternâncias, apesar de previsíveis e posicionadas no tempo em forma de estações, nem de longe sugerem um equilíbrio, posto que a cada giro desse ciclo me torno mais velho e diferente. Me renovo em células, minha biologia se transmuta em direção ao caos, ainda que de forma lenta e imperceptível enquanto ocorre. O mundo muda, a Terra gira e vaga pelo universo e este, talvez, se mova entre multiversos. Nada é estático, somente a pobreza, a vileza e a ganância humana. Por isso cresce meu asco pelos modelos, pelos simulacros, pelos comportamentos padronizados, pelas igrejas e pelas

NACIONALISMO

  "Não sou de bando nenhum - devolveu Fermín - E tem mais: para mim, as bandeiras são trapos coloridos que cheiram a ranço, e quando vejo alguém se enrolar numa delas e encher a boca de hinos, escudos e discursos, já me dá caganeira. Sempre achei que quem se apega muito ao rebanho tem alguma coisa de ovelha ou cordeiro." (ZAFON, Carlos Ruiz, O PRISIONEIRO DO CÉU, editora Suma, 2017, pág .157). Existem palavras que se desgastam pelo uso repetitivo e, muitas vezes, deturpado e, por essa razão evito usá-las. Uma delas é a palavra "narrativa", tão em moda e usada atualmente para sustentar pensamentos preconceituosos e legitimar toda sorte de descalabros. Entretanto, o nacionalismo tem sido base de muitas injustiças e de dominação. Pelo nacionalismo se mata, estupra e mata povos e nações através da história, da mesma forma como a religião, utilizada como suporte a toda sorte de crueldade. Do ponto de vista da ciência da astronomia, somos tão breves e diminutos que a sepa

PRIMEIRO AMOR

  Aprendi a viver os dias fugindo das lembranças O trabalho, o caminho, as leituras Distrações que me imponho a cada dia Que duram um tempo curto Para depois me devolver exausto Ao colo das lembranças Dos momentos que se perderam Dos lugares que já não existem Das alegrias de um coração puro Que se encantava com o caminho Que via alegria em cada esquina Que explodia de alegria ao te ver O dia todo era habitado por você Às noites você em meus sonhos Eu era um pedaço incompleto: você muito mais que minha metade – minha melhor parte Era seu súdito Mas você um dia se cansou Se despediu Abriu um buraco em meu ser Caí num abismo sem fim Ainda tento olhar as paredes do poço em que estou a cair Na tentativa de encontrar esse êxtase Esse momento que se foi e carregou minha juventude Minha alma Meu rumo Meu encanto Meu sentido              

Papo Distópico 13

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SOMOS MOVIMENTO

  Do momento em que nascemos, nossas células se reproduzem, morrem e são substituídas continuamente. Envelhecemos a cada dia e, apesar de podermos demonstrar mais ou menos esses sinais, o destino é implacável. A ilusão de paralisia é insana, posto que até mesmo o chão em que pisamos viaja em movimentos em torno do centro do planeta, que gira em torno de uma estrela, que se movimenta dentro da galáxia, que se move no universo, talvez multiverso. Lutamos por pensar diferente, criamos mitos, fantasias e lendas.  Apegamo-nos de tal forma à resistência que nos tornamos desumanos e antinaturais. Ao negarmos o óbvio de nossa transitoriedade, atropelamos sentimentos, criamos estereótipos e preconceitos, condenamos e matamos. O desespero do apego tem somente uma razão plausível: o medo do óbvio destino de todos – o medo da morte. Mas, ao tentarmos fugir da morte, fugimos também da vida, deixamos de aproveitar a fluidez, não aproveitamos o movimento para nos fortalecer e evoluir. Congelamos os s

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POLARIZAÇÃO = MANIPULAÇÃO

    Outro dia um conhecido me colocou a questão de que o ano de 2022 será muito difícil. Justificou com o argumento de que, com as eleições presidenciais, a polarização política poderá explodir no país. Fiquei pensando no que ele disse e isso passou a me incomodar. Desde quando passei a tomar conhecimento do mundo da política, nunca houve um momento sequer que eu pudesse dizer que o país estava bem. Escândalos sempre existiram. Aqueles que dizem que o período militar foi bom, ou se esqueceram da história ou inventaram um passado que lhes agrada, mas, nada de verdadeiro existe nessa avaliação. Me lembro muito bem dos escândalos abafados, dos crimes que ficavam sem solução e da arrogância da classe política de então. Quando jovem, morando na capital de São Paulo, a escola pública que frequentei, tanto no então chamado primário como no colégio, já estava se sucateando, com baixa qualidade de conteúdo – isso nos anos 70. Nunca depositei confiança em nenhum político e nunca me s

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CORINGAS BRASILEIROS

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    É comum hoje, neste Brasil distópico, postagem de fatos científicos serem debochadas com emojis sorridentes. São pessoas que decidiram retornar a um passado sombrio. Desprezam a ciência, riem das conquistas espaciais, dos registros arqueológicos, da biologia, das teorias evolucionistas. Os emojis gargalham como palhaços, me lembram a risada nervosa do “Coringa”, adversário do Batman, que ganhou um filme exclusivo e que fez muito sucesso – eu mesmo assisti e recomendo, por ser um retrato do que a sociedade doentia em que vivemos pode causar às pessoas excluídas. Mas os “Coringas” brasileiros fazem parte de outra história. Riem-se de todos, assumem um pedestal de grande arrogância. Não precisam provar nada, apenas riem das conquistas alheias. Debocham da ciência através de smartphones extremamente tecnológicos dos quais nem imaginam como funcionam, ligados à internet e recebendo sinais de satélites em órbita terrestre, a qual muitos deles creem ser plana. Essa ruptura com

Papo Distópico 3

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Papo Distópico 2

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Papo Distópico 1

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PAGAMOS IMPOSTOS PARA NOSSOS ALGOZES

  Respirar entre miras  e armas requer reformas de Deus (*)    Cresce no governo a repressão, a mobilização de instituições como a FUNAI, que deveria proteger os povos indígenas, no sentido oposto aos seus originais propósitos. Assim também com jornalistas e repórteres.  Ativistas que questionam as mazelas do governo já estão sendo processados, presos e torturados. PAGAMOS IMPOSTOS PARA NOSSOS ALGOZES. Algozes sim, cujo trabalho até aqui tem sido no sentido de facilitar o desmatamento criminoso de nossas matas que deveriam estar sendo protegidas, de negligenciar uma pandemia e permitir que as mortes aumentem de forma irresponsável, de partir para a privatização de empresas pelo simples viés ideológico do estado mínimo. No meu entendimento, estado mínimo seria aquele em que saúde, educação, infraestrutura, saneamento, segurança pública, pesquisa e ação social fossem seus alvos, deixando de lado o elevado número de assessores e cargos políticos que não exigem concursos públicos. Não meno

E se....

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Existem pessoas que acreditam que os opostos não são nada menos do que o mesmo visto por diferente ângulo. De fato, tomamos por verdade percepções limitadas que fazemos das coisas e dos acontecimentos pelos seus opostos. Percebemos que somos altos ou baixos pela comparação com as pessoas com as quais vemos dentro e fora de nossas vidas. Da mesma forma, nos vemos gordos ou magros, feios ou bonitos, homem ou mulher, bons ou maus. Acreditamos numa realidade dual: Deus e o Demônio, Céu e o Inferno, vida e morte. Mas e se esses opostos, que tomamos como referências para nos entender, não existirem? Se, ao contrário, forem os extremos duas faces do mesmo? E se a verdade estiver "entre" os extremos? Afinal, não somos nós variantes entre extremos? Encontramo-nos em meio a camadas entre extremos, tanto na aparência quanto nos demais aspectos físicos, sociais ou mentais. E se os extremos não forem mais que uma ficção, alimentada culturalmente para que tenhamos parâmetros dentro de padr

ESCREVO PARA NINGUÉM

  Escrevo com a certeza de que poucas pessoas lerão. Não me importo. De fato, meu blog tem sido acessado por pessoas que não conheço. E esse acesso se dá, na maior parte das vezes, por conta de buscas rápidas nas plataformas de pesquisa onde, por acaso, um título que postei coincide com um interesse qualquer. Despejo pensamentos como quem joga as roupas malpassadas dentro do armário do quarto. Depois esqueço do que escrevi. Com certeza posso me surpreender com coisas que postei há algum tempo. Assim, reproduzo a vida, onde produzimos de forma inacabada e mal finalizada muitos projetos. Jogamos no guarda-roupas e esquecemos. No fundo desse guarda-roupas existem pensamentos passados, mal vividos. Alguns até promissores, mas, esquecidos no fundo escuro, ficarão esquecidos e, um dia, desaparecerão. Melhor talvez, porque somos movimento. Mudamos como a direção dos ventos. Queremos ser livres mas estiramos as velas e somos levados. O que ficou para trás não é nada mais que um

SOMOS TODOS GADO

A polarização política nos leva a ser rotulados como "gado", independentemente da posição que se assume.  A questão de ser gado advém de um princípio filosófico que já encontrava suas raízes na Caverna de Platão, alegoria criada pelo filósofo onde supostos homens presos em correntes dentro de uma caverna observavam as sombras projetadas acreditando serem elas a verdade.  Platão explicava assim, que vivemos em meio a projeções, desconhecemos a verdade e que somente aquele que conseguisse vencer e "sair da caverna" poderia perceber seu engano, mediante a contemplação com o mundo real. Esse pensamento se atualiza e também encontra eco no Budismo, onde se acredita que o mundo em que vivemos é apenas uma ilusão. O fato de sermos seres sociais por excelência - dependemos da sociedade desde que nascemos, pois, ao contrário de outras criaturas, somos incapazes nos primeiros anos de vida - cria a questão da necessidade da criação de mecanismos que permitam a convivência em g

FALADEIRA MATINAL

Acordei com muita faladeira. Pessoas discutiam alto, se enfrentavam, se ofendiam. Arrastavam móveis, quebravam coisas. Sons de cacos se espalhavam tinitando ao tocarem o chão. Levantei da cama e procurei na sala, na cozinha. Olhei pelas janelas. Descobri, então, que toda essa desordem se encontrava dentro de minha cabeça. Tentei, em vão, silenciar, mas, não consegui. Percebi um pássaro na janela do quarto. Era um pássaro preto, desses que a gente não sabe definir a raça: um vira-latas alado. Ao me perceber, olhou nos meus olhos e, assustado partiu em seu vôo incerto. Levou com ele a faladeira. Em mim sobrou o silêncio sepulcral.

NÃO SOMOS HERÓIS, MAS, SOMOS SAGRADOS

  Me lembro que ainda muito jovem, eu tinha um sentimento de que havia algo muito intenso em mim. Algo que queria sair e se mostrar, mas, não sabia como. Às vezes eu acho que minha submissão aos percalços da juventude e adolescência de bullying   foram, e são, limites que não consegui superar. Outras vezes, percebo que tive, e tenho, oportunidades que muitos não têm. O tempo passa e eu envelheço, sabendo que talvez tudo isso que sinto, ainda sinto, morrerá comigo. Serei incapaz de ver resultado dessa força e morrerei como todo ser humano mediano. Seria isso o resultado de anos de exposição, através de filmes e comunicações em todos os meios, a feitos heroicos de pessoas, ou personagens, que se tornaram imortais na memória da história? Estaríamos condicionados a nos ver como cidadãos medianos, sem importância histórica e, assim, adotarmos modelos? Afinal, voltando à questão do sentido da vida, seríamos mais ou menos do que nos julgamos? O fato de ter nascido saudável, ter si

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO CONTROLE: UMA EVOLUÇÃO OU UMA AMEAÇA?

Acontecimentos de diversas dimensões, desde sociais até biológicos, parecem demonstrar que a estrutura criada para lidar com crises tem se tornado ineficaz. Talvez nunca tenha alcançado a eficácia. A crise de saúde atual - COVID 19 - expos o mundo a um caos mesmo em tempos de termos alcançado tecnologia suficiente para identificar o vírus, fazer previsões de sua capacidade de disseminação e as ferramentas disponíveis para mitigar seus efeitos, até que se encontrasse uma vacina ou medicamento capaz de contê-lo. As falhas começam - e continuam a ocorrer - com a ineficácia dos gestores que detém os recursos e o poder para tomar medidas apontadas pelos pesquisadores como sendo as necessárias. Continuamos a ver políticos tomando medidas não fundamentadas na ciência, mas, apenas atendendo a interesses de grupos financeiros ou tentando criar uma história pessoal vitoriosa perante a população que desejam que os mantenham na liderança nas próximas eleições. Em meio aos esforços dos profissionai