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Showing posts from June, 2020

A DOR DO DESAMOR

Trabalho em uma empresa de saneamento. Encontro-me em teletrabalho já há quase três meses. Hoje eu liguei para o telefone de uma senhora, que havia pedido que desativasse uma ligação de acesso à água em uma de suas residências. Ela havia tentado antes, mas, sem sucesso. Como disse, conversei com ela e ela, então, me contou sua triste história. Existiam duas casas no terreno: a da frente, onde ela mora e a dos fundos, onde residia seu filho.  Esse filho certo dia surtou e entrou na casa dessa senhora, deu-lhe uma surra e a deixou caída no chão. Por essa razão, e com a ajuda de vizinhos, o caso foi denunciado, o filho foi expulso da casa e a mesma foi demolida. Essa senhora passou a viver só e com a crise ficou sem renda. Depende de doação de vizinhos para comer. Um irmão, que mora em outro estado, paga as contas de água e luz - segundo ela, o irmão também tem problemas financeiros, mas, não a tem deixado sem essa ajuda. É difícil ver situações assim e eu tenho

TEMPO DE ENFRENTAR A CRISE

“É claro que podes te adestrar num templo, mas o mais difícil é fazê-lo no mundo. Gente existe que repudia tudo que é sujo e conspurcado e se abriga no templo em busca da pureza.   Entretanto, verdadeiramente se adestra aquele que convive com a mentira, a impureza, a dúvida e a competição; enfim, com todos os tipos de tentação, e não se deixa macular. ” (MUSASHI, pag.1723) [1] Viver os tempos de crise nos deixa frente-a-frente com o que a sociedade tem de mais vil. Nas guerras, assim como numa situação como a atual, de uma pandemia, a mentira passa a ser moeda corrente e divide, difama, inflama o ódio e a injustiça. Entretanto, também fortalece o espírito daqueles que procuram a elevação, a iluminação. É justamente nesses momentos que se revelam os carrascos, mas, também se revelam os heróis. Creio que a maior dificuldade reside em apoiar-se em conceitos considerados imutáveis ou enxergar um horizonte utópico. Pensar que tudo o que se propaga é verdade ou que tudo é

MUSASHI, A BUSCA DA VERDADE

Gosto de ler e costumo achar “pérolas” nos livros que tenho oportunidade de conhecer. Atualmente estou lendo o livro Musashi, segundo volume. Ao contrário de outras leituras, esse livro eu estou degustando lentamente, pois, em meio a histórias leves, encontro conteúdos filosóficos muito interessantes. O tema do livro é a vida do maior samurai de todos os tempos, chamado Musashi. A trajetória de sua vida em busca da perfeição é encantadora, passando de uma pessoa rude e violenta para um sábio e notável espadachim. Os fundamentos budistas, trazidos numa história ambientada num Japão de dois séculos atrás, são tão atuais que se aplicam com facilidade aos momentos presentes. Reservei alguns momentos dessa leitura e os coloco em comparação com nosso momento de crise ideológica. Vivemos um pensamento dual e eu creio ser esse nosso pior caminho. Muitos acreditam que existem dois tipos de pensamento, um “de direita” e outro “de esquerda”. Esse pensamento é tão institucionali

O CHORO

As pessoas que me conhecem me classificam como alguém sensível. De fato, sou de chorar com entardeceres e músicas bonitas. Entretanto, este ano em particular tem me trazido muitos choros. Choro ao ver uma criança perder a vida por razão de balas perdidas ou de ações policiais desastradas. Choro a ver o negro americano ser morto à vista de todos, somente porque, desempregado, teria dado um cheque sem fundos. Choro quando vejo ódio nos olhos de políticos e de algumas pessoas as quais me parecem ter sido enfeitiçadas. Choro ao ver cientistas, professores, médicos, artistas e tantos profissionais que nos trazem tantas coisas boas e importantes serem desdenhados por alguns. Choro ao saber que cientistas morreram defendendo ideias postumamente comprovadas e atualmente desdenhadas por pessoas que sequer compreendem a grandeza de suas descobertas. Choro ao ver animais morrendo envenenados pelo lixo humano, florestas sendo derrubadas sem piedade e a lógica consequên