Monday, November 17, 2014

O PESO DO TEMPO

O momento atual traz-me reflexões acerca da ação do tempo. Esse tema, que sempre me causou inquietação, por estar sempre nos levando aonde quer, na velocidade imposta, mas, ainda assim, de extrema democracia e justiça, visto que age para todos e de forma idêntica. Ainda que alguns recorram às aparências, e enganem tantos com uma falsa imagem de eternidade, o calendário não muda sua condição finita e de degradação crescente.

Mas, sobre o tempo, podemos discorrer diversos subtemas: eu escolho hoje o peso que impõe com o passar dos anos. Esse “peso” que nos cai nos ombros é trazido pela percepção progressiva de que estamos nos tornando desajustados. O desajuste dá-se pela opção que podemos fazer sobre nossa forma de agir, pensar e de visão de mundo. Isso mesmo: tomamos a liberdade de “pensar” o mundo e a vida sob a luz de nossas próprias reflexões, adquiridas com o tempo vivido, outra vez o “tempo”, ora pesado, ora construtor de consciência.

Vivemos parte de nossas vidas tomando como “verdades” o que nos ensinam, cada vez menos, nossos pais, cada vez mais os meios de comunicação de massa. Somos levados a seguir padrões de comportamento e atitudes, pois, seres sociais que somos, precisamos ser (bem) aceitos pela sociedade.

Mas, é o tempo que nos faz olhar o mundo com os próprios olhos, a ver que as mensagens subliminares são, em ocasiões de nossas vidas, reveladas para que tenhamos um vislumbre desconfortável do desequilíbrio cultural ao qual estamos inseridos sob uma frágil noção de segurança.

E quando percebemos a farsa em que estivemos mergulhados por tantos anos, as decisões equivocadas que tivemos, as pessoas que viemos a prejudicar pela defesa de um ideal de vida fabricado, aí então começa a aparecer esse “peso” em nossos ombros.

Um peso que nos cansa, mas, não podemos dividir, pois que percebemos termos cada vez menos influência sobre as pessoas, que, por conta do “tempo”, nos julgam desinformados, ultrapassados, desajustados.

É difícil perceber que o conhecimento acumulado não pode ser passado e que as pessoas vivem, muitas vezes, os mesmos enganos a cada geração, sem se darem conta, até que o tempo venha a lhes “pesar”.

Quando menciono “conhecimento acumulado”, não me refiro ao volume de informações recebidas, mas no aprendizado diário, nas quedas que levamos, nas dores que sentimos. Um conhecimento cada vez menos útil, cada vez mais descartável, que nos faz desconfiar das frases-feitas, dos modismos e das explicações rápidas. Que nos deixa sem ação quando temos que dizer “sim” ou “não” para diversas situações, pois, sabemos que o mundo é muito maior do que nossas escolhas.

O tempo me trouxe a consciência de que o mundo se move por ondas, que se impõem poderosas para, logo depois, se arrebentarem na praia. Isso me torna desajustado, excêntrico e ultrapassado.

Esse talvez seja o sinal de que se achega o fim, que o mundo novo deve voltar a tropeçar em seu ciclo eterno e que o conhecimento acumulado deve ser congelado, transformado em registros, livros, postagens em blogs, transformado em museu, aspirar ser legado.




Saturday, October 25, 2014

O que é a “Cultura Surda”?



 “temos o direito de ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza, e o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza.” Santos (1995)[1]


A resposta não é rápida, muito menos simples.

O texto a seguir, extraído de página virtual do Curso EAD de Graduação em Pedagogia-Licenciatura da UFRGS, traz algumas definições:

Cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo    a fim de se torná-lo acessível e habitável ajustando-os com as suas     percepções visuais, que contribuem para a definição das identidades surdas             e das “almas” das comunidades surdas. Isto significa que abrange a língua,     as idéias, as crenças, os costumes e os hábitos de povo surdo. Descreve a       pesquisadora surda:

      [...] As identidades surdas são construídas dentro das representações  possíveis da cultura               surda, elas moldam-se de acordo com maior ou  menor receptividade cultural assumida pelo sujeito. E dentro dessa  receptividade cultural, também surge aquela luta política ou  consciência oposicional pela qual o individuo representa a si mesmo,  se defende da homogeneização, dos aspectos que o tornam corpo                                      menos habitável, da sensação de invalidez, de inclusão entre os  deficientes, de menos valia social.

(PERLIN, 2004, p. 77-78)
Fonte: STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis. Editora UFSC. 2008. (p.24)


O entendimento sobre o tema requer uma construção de conceitos, baseados em pesquisa e vivências.
No texto citado, o termo “homogeneização” nos dá a primeira “dica” sobre o universo da Cultura Surda e a Revista Virtual de Cultura Surda e Diversidade – RVCSD, traz-nos reflexões  que nos ajudam a compreender melhor esse cenário.
SÍLVIA ANDREIS WITKOSKI, a autora do artigo “PROBLEMATIZANDO A IDEOLOGIA ORALISTA”, publicada pela RVCSD, contextualiza o tema no ambiente excludente de nossa sociedade, incluindo as instituições escolares como lugares não “neutros”, ou seja, reprodutores dessa lógica.



Cita a autora:  

O domínio da ética liberal, centrada no lema de que sem competição não há    progresso, implica uma perspectiva individualizante e egocentrada da sociedade, que         pressupõe a aceitação de que os naturalmente capazes serão os vencedores, enquanto         que os que não alcançam sucesso em suas perspectivas são culpados por seu fracasso           (CRUCES, 2005). Esta ótica que aponta para uma aparente igualdade de oportunidades           no sistema de ensino, subtrai o princípio básico apontado por Bourdieu e Passeron         (1964) de que o universo escolar não é neutro, e sim autentica práticas escolares da       classe dominante, legitimando privilégios sociais e eliminando os deserdados.

Sendo a escola um dos primeiros e mais importantes lugares de construção da sociabilidade, tem assumido também a condição de reprodutora do “ideário de homogeneidade”, promovendo a exclusão de crianças pela condição de “pobreza, raça, religião, gênero e características distintivas individuais, sendo que o preconceito e a discriminação “se expressam na forma de fracasso escolar” (ANACHE, 2005, p.115).

Prosseguindo a leitura, encontramos o trecho em que a autora, de forma muito apropriada descreve: "Encontrar formas de sociabilidade, que conjuguem as relações entre diferença e          igualdade, se constitui em um processo complexo de mudança, para o qual o discurso          de Santos (1995) parece apontar um caminho quando afirma que: “temos o direito de           ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza, e o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza.”

Acrescenta, então, que as tentativas de desenvolvimento de uma proposta pedagógica “bilíngue”[2], apoiam-se em ações de “tolerância”, “sem empreender qualquer ação no sentido de transformar as relações sociais, culturais e institucionais” (Sá, 2002, p.358). Deste modo, nas grandes narrativas sobre a surdez, prevalecem as representações sociais subordinadas ao estereótipo da incapacidade e da deficiência do surdo.”

A hoje denominada “inclusão”, no campo da educação não tem demonstrado eficiente, pois os surdos são levados a concluir o ensino médio sem que tenham domínio de seus conteúdos programáticos, imperando o preconceito sobre a suposta (indevidamente suposta) incapacidade do surdo em aprender. São assim, levados à progressão baseada numa condescendência, que se fundamenta na falsa prerrogativa da “caridade” para com “incapazes” – efeito comprobatório da submissão imposta pelo modelo homogênico.

Prossegue o texto: “A própria forma com a qual muitos ainda denominam os surdos como “surdos-mudos” ou “mudinhos” explicita como predomina o preconceito em relação aos mesmos. Tais denominações também revelam total ignorância sobre o que é surdez, uma vez que os consideram naturalmente incapazes de aprender a falar através da expressão oral, quando se sabe que, na verdade, a ausência da audição que facilita a integração da criança ouvinte na comunidade ouvinte, tornando a aprendizagem da expressão oral um processo de familiarização nas trocas sociais naturais da criança, no caso da criança surda inexiste, e por isso a dificuldade desta de aprender a falar. A sua percepção da fala se dá por meio visual, o que necessariamente implica em um programa especializado para que possa aprender (FERNANDES, 2005).”

Essa atitude homogênica classifica o surdo como incapaz, deficiente, o que se configura numa visão distorcida e não científica. Em síntese, são pessoas que não ouvem e que, para que se relacionem com o mundo, com o conhecimento, para que possam exercer seu direito à cidadania, utilizam-se uma Língua própria, que pode ser aprendida pelos ouvintes. A ponte entre os dois mundos (dos surdos e dos ouvintes), já fora construída.

Sobre essa língua, que no Brasil é conhecida como  a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), escreve a autora: “...é uma língua visuo-gestual, com características e estrutura gramatical próprias, tão rica quanto qualquer outra.”  Não se trata, portanto, de um amontoado de gestos ou mímicas, como os menos informados possam vir a pensar sê-lo. As raízes históricas dessa exclusão encontram-se, como já foi mencionado, na submissão dos surdos imposta pela cultura que se quer homogênea. 

Os conceitos formulados com interesses ligados a grupos de poder, alimentam a abordagem científica voltada para a “cura” da surdez. Dessa forma, o surdo é visto como “doente”, e , portanto, objeto de “tratamento”.
Nesse sentido, prossegue a autora: “Por tal, este tem de ser “tratado”, a fim de aproximar-se do “normal”, com uma série de procedimentos que vão desde o processo de medicalização da surdez até a imposição da língua majoritária oral-auditiva, não reconhecendo a Língua de Sinais, como o meio de comunicação legítimo dos surdos (FERNANDES, 2003).

No ano de 1880, ocorreu o Congresso Internacional de Educadores de Surdos, na Itália, ficando conhecido como o “Congresso de Milão”. Até então, algumas conquistas haviam sido alcançadas, mas, liderados pelos ouvintes de maior influência no meio científico na época, forçou-se a decisão de proibição do uso das línguas de sinais, com o argumento da opção pela oralização como método de educação para os surdos. Os surdos presentes não foram considerados, tendo sido excluídos da votação que lhes traria um cenário futuro de grande desalento.

Relata o texto que “O Congresso significou a luta entre especialistas pela produção simbólica, os defensores da Língua de Sinais e os oralistas.” O conflito simbólico legitimou, através da votação, a violência simbólica contra os surdos, mascarando o jogo de poder, por meio do qual os oralistas detinham o capital econômico e defendiam os interesses da classe dominante com tal força, que conseguiram impedir os surdos de participar da votação, impondo instrumentos de conhecimento e expressão arbitrários, como se correspondessem a interesses universais, naturalizando-os.”

Estava abolida a Língua de Sinais, assim como a Cultura Surda. O surdo pode falar, portanto, deve se manifestar dessa forma. O fato do Surdo conseguir emitir sons e chegar a falar não muda a sua condição de surdez: os sons que emite não são por ele ouvidos e atendem apenas a uma conveniência social, mantendo o surdo excluído da sua própria socialização.

Mas a história, como sempre, mostra que não se extinguem manifestações legítimas por meio compulsório: apenas adia-se seu reconhecimento. O texto revela: “Numa relação autoritária, marcada por imensos abusos físicos e simbólicos, os surdos por muito tempo foram proibidos de se comunicar através desta, levando-a à clandestinidade, para numa atitude de resistência mantê-la viva às escondidas, em espaços privados como os banheiros e os dormitórios das escolas para surdos .”

Mesmo com o uso “clandestino” do direito de se comunicarem, os surdos viveriam um grande retrocesso, e, mesmo no momento presente, tendo sido vencidas essas proibições, os efeitos ainda se verificam. Na educação, segue a autora: “O descrédito social da Língua de Sinais, que se estende também dentro de muitos espaços institucionais de ensino, explica porque inúmeros professores de alunos surdos continuam no exercício da docência sem ter a proficiência na mesma.”

O peso atribuído à língua portuguesa é superior ao depositado na  de Libras, sendo esta última considerada como acessória, secundária. A escola a “tolera”. Os efeitos na auto-estima e nos resultados alcançados pelos surdos são claramente prejudicados por essa visão excludente.

A autora alerta: “É importante lembrar que a atitude de tolerância implica uma ideia de superioridade por parte de quem é tolerante (SILVA, 2007). ... A incredibilidade em suas potencialidades, sustentada pela ideologia oralista, explica porque os alunos surdos são “poupados dos conteúdos escolares mais complexos, “empurrados” de uma série para outra” (STROBEL 2006, p.6), sem os requisitos necessários exigidos de um ouvinte. O que sustenta este tipo de prática, mesmo que não seja verbalizada, é a percepção de vê-lo como um sujeito “retardado”, um coitado, que por piedade recebe uma “ajudinha” para ir passando de ano.”

CONCLUSÕES

Os surdos fazem parte daqueles que são considerados como “deficientes”, doentes e até mesmo incapazes. A sociedade idealizada como “normal”, baseada em conceitos ligados a interesses do poder instituído, já apostou na “cura” desses indivíduos, investindo em ações voltadas às ciências médicas e terapêuticas.

Os estudos científicos com o viés da anatomia, prova que os surdos podem falar e, portanto, devem ser incentivados a fazê-lo, complementando a compreensão com a leitura labial e a escrita.

Entretanto, a história tem registrado a luta de surdos pelo direito de uso de sua própria Língua de Sinais, que é a forma mais adequada e eficiente de eliminação da barreira comunicacional. E essa barreira não se limita aos surdos, podendo ser compartilhada pelo aprendizado dos ouvintes. Um mundo “bilíngue” seria, de fato, o mundo ideal onde os surdos poderiam exercer seu direito a cidadania, ainda negado por mecanismos subliminares de controle social.

A Cultura Surda envolve todo um contexto comportamental, comunicacional e de fortalecimento dos surdos na luta pela sua cidadania. Assim como, ao aprendermos um idioma estrangeiro, precisamos entender mais sobre a sua cultura local, para não praticarmos uma tradução literal e com sentidos equivocados, também com os surdos esse fator ocorre, o que reforça a Libras como “Língua”, produto de uma cultura onde os seus indivíduos diferem-se por um fator apenas: a forma de comunicação e percepção do mundo que os cerca.  

O respeito e o reconhecimento dessa luta por parte da comunidade é de grande importância, e somente o conhecimento nos leva à correta interpretação do contexto social em que se inserem os surdos.




Fonte: http://editora-arara-azul.com.br/novoeaa/revista/?p=400





[1] SANTOS, Boaventura de Souza. A construção multicultural da igualdade e da diferença. Palestra proferida no VII Congresso Brasileiro de Sociologia. Rio de Janeiro, setembro de 1995.
[2] Modelo que seja transmitido na língua portuguesa simultaneamente com LIBRAS.

Wednesday, October 15, 2014

A INSUSTENTÁVEL VOLATILIDADE DO SER


Na contemporaneidade, vivemos um carrossel de conceitos e, por conseguinte, temos reações e comportamentos nem sempre previsíveis. As recentes pesquisas eleitorais podem ter sido vítimas desse comportamento volátil.

Mas, quais seriam as bases dessa volatilidade?

Coloco aqui meu pensamento, que não tem nenhum fundamento científico, mas apenas as minhas percepções.

Minha geração assistiu a decida do primeiro astronauta na Lua: me lembro de ter visto numa TV em preto e branco. Sonhávamos com o ano 2000, quando a ciência certamente teria descoberto a cura para todas as doenças, nossos passeios de férias seriam interplanetários e os automóveis sairiam do chão, tornando-se semelhantes a discos-voadores (alguém se lembra dos Jetsons, desenho animado futurista que era exibido na TV nos programas infantis das décadas de 70 a 80?).

Minha geração encontrou um ano 2000 de ameaças de destruição global, de doenças novas ameaçadoras e incuráveis, de crise social, desemprego. A ciência caiu do Olimpo ao entrar na era da “incerteza”, na descoberta dos fenômenos que ocorrem no universo, assim como no nível sub-atômico, que colocaram a física tradicional em cheque. Se fomos educados pelos nossos pais na esperança de um mundo melhor, educamos nossos filhos para um mundo catastrófico, de possibilidades de guerras atômicas, colapso ambiental e de futuro incerto.

Nossos jovens, portanto, podem ter desenvolvido uma “couraça” protetora para encontrarem sentido maior para sua existência: esquecer o futuro – viver o presente. “Carpe diem”, mais uma vez, nada mais atual.

Nesse jogo incluimos a revolução da tecnologia direcionada às comunicações, tornando o conhecimento acessível universalmente. A comunicação voltada para um sistema econômico que se baseia no consumo e que manipula a população, implantando necessidades superfluas, oferecendo a satisfação efêmera mas imediata, criando padrões de comportamento que nos torna cada vez mais iguais.

A questão política, que deveria ser de maior interesse, é vista como inútil. É crença que a política não existe para o bem público, mas para o benefício de grupos econômicos e criminosos. Não se espera nada dela, ao contrário: despreza-se tudo a ela relacionada. O resultado é a alienação, a indiferença e a não participação nas decisões e investimentos públicos.

Assim sendo, a adminstração do que é, ou ao menos deveria ser, “público”, fica nas mãos de pessoas dissociadas dos interesses dos cidadãos, comprometidas com o poder econômico.

A questão ambiental entra nesse contexto como resultante de um modelo político e econômico exploratório, que se fundamenta na ideia de um mundo infinito, onde se consome e se descarta, sem culpas e sem consequências. Mais uma vez, a descrença no futuro esvazia qualquer atitude que possa mudar esse cenário.

Talvez ainda existam mais razões, como, por exemplo, o medo do futuro ameaçador, mais um argumento para que se pense no presente, uma defesa contra o desesperador e insuportável caos que se anuncia. A corrente pela fuga da realidade encontra novas drogas, entre as quais, a que nos remete ao mundo virtual. Redes sociais são vitrines de avatares onde se constroi uma imagem positiva, criada e mantida com muito zelo, intocável e perfeita. Nossos avatares têm a obrigação da apresentar-nos sempre felizes, bem sucedidos e, em muitos casos, mensageiros de “lições de vida”. São a fuga da realidade. Aliás, o que se divulga nas redes sociais não tem a obrigação do realismo, nem mesmo tem essa intenção.

Vivemos um mundo novo, próximos, como nunca, de uma “Matrix”, onde fechamos os olhos para a realidade e para o futuro, rimos diariamente de mensagens cômicas e satíricas, numa busca permanente pela diversão imediata. Aríetes nas mãos da entidade inabalável e adorada à qual chamamos “mercado”. O “mercado” dita as regras, cria a moda – sempre mutante – justifica a exclusão e insufla a vaidade de cada um de nós.

A lógica do mercado é a seguinte: todos devem seguir o modelo vendido pelas midias, vestindo-se, comendo, divertindo-se e, principalmente, comprando produtos e serviços, muitos deles sem qualquer utilidade lógica para a humanidade, mas isso nos dá o ingresso para o aceitável. Até mesmo a tão em alta “inclusão” fundamenta-se nessa lógica: não se trata de entender a liberdade de cada um em ser e se apresentar da maneira que lhe convenha, mas de “incluir” a todos no que se estabelece como “modelo”. Modelo, aliás, que é ditado, paradoxalmente, por ídolos que se diferem do todo, pois, não são os iguais que se destacam, mas os diferentes.

Como a lógica do mercado é a lógica do consumo e descarte, assim também as mentes se ajustam: como prever o pensamento de alguém num modelo cultural instável, pela necessidade de compra e recompra, pela obsolescência insana dos produtos e pela substituição constante dos padrões?

Somos voláteis como os produtos, como nossos ídolos, irresponsáveis como os seus produtores e dirigidos por uma entidade que nos diz o que consumir, mas não se interessa pelo que pensamos – aliás, implanta necessidades e conceitos através da mídia, moldando nossa forma de pensar e aniquilando nossa capacidade crítica. Voltamos, gradativamente, à lógica cartesiana, do “certo” e do “errado”. É mais fácil assim, exige pouca reflexão e nos traz de volta ao smartphone.

O que fazer diante desse cenário? Qual seria a saída possível?

Eu sugiro o rompimento com o consumismo, com a moda imposta e com o comportamento classificado como socialmente sofisticado. Sugiro o repensar, a desconstrução dos paradigmas. O aumento da capacidade crítica através da leitura, mas tendo como compromisso o conhecimento, explorando as diversas formas de visão de um mesmo fato. Sugiro que nosso conhecimento não seja limitado a “definições” ou “posicionamentos”, que não se diga “isso é assim ou assado”, mas que se avaliem – e se respeitem – as diversas possibilidades. Sobretudo, que se consulte mais de uma fonte, de preferência antagônicas, antes de se anunciar um “veredicto”. Aliás, que não existam “veredictos”, mas a humildade de menção de uma visão pessoal sobre um determinado assunto.

Romper os laços com a “Matrix” é tornar-se próximo da liberdade e da construção de um mundo mais sustentável e justo.






Sunday, September 14, 2014

FEIRA DO PRÍNCIPE: A Volta da Feira de Artesanato à Rua do Pŕincipe

Em 19 de março de 2013, publiquei um resumo da dissertação que fiz sobre a Feira de Artesanato na Rua do Príncipe (Joinville/SC).  Em 1986, um calçadão foi construído naquela rua, sendo reivindicado pelos artesãos, que passaram a ocupar o espaço com a intalação da Feira de Artesanato. 

Em 2004, entretanto, o mesmo calçadão é destruído, sob discursos semelhantes por parte do poder público que curvou-se, nos dois momentos, a pressões de grupos organizados e com objetivos em rota de colisão - Ajart x CDL ( http://abeidresume.blogspot.com.br/2013/03/uma-rua-em-disputa-rua-do-principe.html ).

O ano de 2014 trouxe de volta a Feira de Artesanato à Rua do Príncipe, ocupando, desta vez, o asfalto e espalhando-se pelas ruas centrais.

O retorno da Feira de Artesanato é ainda tímido, quando comparado ao que já representou essa feira no passado, mas parece abrir mais uma vez as portas para que a tradição retome à Rua do Príncipe.

Seguem fotos tiradas no local, em agosto de 2014.


A Feira do Príncipe se instala no segundo domingo de cada mês, fechando o centro da cidade.




As tendas se espalham pelo centro histórico preservado - uma afronta velada numa cidade que se vê industrial, mas que busca investimentos externos através do turismo, caminho inevitável na contemporaneidade.




A "Rua das Palmeiras", caminho que leva ao Museu da Imigração e da Colonização, ou, mais conhecido como "Museu do Príncipe", é também invadida por artesãos - um caminho dirigido para a contemplação do espaço enobrecido.




Grupo musical local se apresenta em meio à Feira de Artesanato.






Artesanatos, alimentos e brechós ao ar livre.

Notei falta do "Joe", protagonista da primeira Feira de Artesanato nos anos 70. "Joe" ainda está no espaço da biblioteca pública, durante os dias de semana. Em conversa com ele, soube que não compartilha com a Ajart, além do fato de que as regras não incluem artesanato em metais, objeto de seu ofício.


Monday, August 25, 2014

CONARH – 40 Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas - uma menção à parte para Felipe Mello

Após relatar algumas "pérolas" anotadas no evento CONARH – 40 Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, ficou em mim o sentimento de injustiça para com o "iluminado" Felipe Mello, uma pessoa que acendeu em mim uma criança que insisto em fazer dormir, mas simplesmente não consigo, para meu próprio bem.

Após a palestra, o nobre Felipe distribuiu exemplares de seu livro "Interessados & interessantes", que li rapidamente e selecionei frazes que me tocaram de forma especial.

Seguem essas anotações, para deleite de quem ainda não conhece o autor. Se você trabalha na Cia. Águas de Joinville, aguarde meu retorno de férias: doarei o exemplar à biblioteca.


“...caminho com a esperança ativa de que a comunicação vitaliza o encontro das sementes com os terrenos férteis, pois mais do que nuvem onde reside o pensamento, é chuva que toca o corpo humano e gera resuldados bons ou ruins.”(p.15)

“O norteador de cada passo foi a busca contínua pela excelência no fazer comunicacional, procurando, criando e aproveitando cada oportunidade para aprimorar as relações humanas por meio da ética.” (p.16)

“Há algo que vem sendo compreendido em relação às perguntas apresentadas sobre a casa, ou ainda, o local de nascimento de cada um. A palavra ethos, filha do grego arcaico, significava a morada do humano em dois sentidos, literal e simbólico. Cada vez mais se amplia o desejo de celebrar a casa primordial e o que por lá foi aprendido. Tem um forte sentido o encontro do significado da palávra ética com o núcleo social mais próximo, ou seja, a família, os amigos, a escola e a comunidade em geral.” (p. 22 e 23)

“Cheia de curiosidade, os bebês se espantam com tudo. Vivem de pura filosofia, uma vez que a base de qualquer aventura filosófica é a capacidade humana de se espantar com as coisas da vida. Quando a curiosidade e o espanto enfraquecem, o ser humano perde a vontade de caminhar. Como se as suas asas tivessem sido brutalmente arrancadas e as notas do seu canto roubadas, o indivíduo troca a imensidão do céu por um pequeno espaço no canto de um ninho qualquer.” (p.26)

“...que história é essa de ser um perdedor feliz? Sim, hoje posso confessar sem pudor ou medo de ser internado que aprendo muito nas minhas dificuldades, derrotas, desventuras ou como queiram classificar as oportunidades nas quais as coisas não afagam nossas expectativas. Minha escolha clown me libertou da caverna escura onde só existe lugar para winners ou losers.” (p.31)

“Após este momento autocrítico, faço um ajuste, voltando à caverna de onde fuji. Quando eu disse que lá dentro só cabem winners ou losers, reforço dizendo que lá dentro só há glória na vitória porque as derrotas são vergonhosas. Hoje eu tenho orgulho dos meus fracassos, pois eles desnudam os aspectos que ainda me afatam da plenitude dos meus talentos.” (p.31 e 32)

Que venham as novas terras, planaltos e planícies. Mas, por favor, retire do meu pedido as fronteiras. Não quero esse pickles no meu sanduíche. Quero um sanduba sem fronteiras como as conhecemos. A minha única linha divisória atual é o profundo respeito à vida, que busco ampliar temperando o conhecimento com a ética. Aí sim, acredito que esteja o caminho, pois me permite gerar sabedoria. Ela é fruto nobre, pois não se encontra entre gente vulgar.” (p.32)

“Hoje eu sei que o maior desafio é melhorar a qualidade das minhas dúvidas. Evoluir é tornar as minhas perguntas mais inteligentes, especialmente porque estão conectadas com alguma dúvida realmente importante para a minha caminhada.” (p. 33)

“O interessado se torna interessante. Será esta a frase do para-choque do meu caminhão. Afinal, quem não sonha em ter um caminhão?” (p.33)

“Só me interessa ser eterno pelos sorrisos que cultivei. Só tudo isso.” (p.34)

“O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry é um pequenino palhaço. Sua receita é simples e transformadora: logo quanudo acordar, faça a sua toalete. Depois saia para fazer a toalete do planeta.” (p. 44)

“Se pularmos do trampolim, podemos cair, mas também podemos voar. O que distingue o vôo da queda? A crença no valor da obra.” (p.45)
“Triste é o caminho daquele que aposta mais na velocidade alta do que na direção correta. O animal humano entristece progressivamente ao passo em que se percebe em alta velocidade, mas se distanciando cada vez mais daquilo que deseja para sua vida profissional, pessoal ou social, que, afinal de contas, pe uma só. (p.46)

“Mora no ser humano, além do potencial para a repetição que enferruja, uma transgressora lente que reconhece beleza e nutrientes criativos. A lente do olhar generoso, sinônomo de bagagem leve na alma, permite descobrir cenas cotidianamente poéticas. Ela vem pela decisão de encontrar beleza nos recônditos da vida, pequenos encontros relacionais, sorrisos breves e sem jeito, olhares agradecidos, músicas que combinam com o momento, cheiros e sabores que afagam o corpo físico, carinhos simples, textos bonitos e vento na cara. Tudo tão disponível, diariamente.” (p.51)

“Qual é o sentido de amar a si mesmo? Acredito que a gente só pode dar por muito tempo e com qualidade aquilo que cultivamos dentro de nós. Amor próprio é combustível para o amor mundi, ou seja, o amor por tudo o que existe e vive.” (p. 56)

“...a vida atual demonstra a cada dia que paixão e saúde são forças indissociáveis; já dizia Hipócrates, o “pai da medicina”, que “o homem que se afasta do seu destino adoece.” (p.57)

“Voltando ao universo hipocrático, apatia significa “ausência de paixão” e, anestesia, “ausência de ¹sentimento”. (p.57)

“Hegel (filósofo alemão do século 18) diz que “nada de grandioso no mundo foi realizado sem paixão”. (p. 57)

“...expresso na equação de Eduardo Galeano: “somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para criar o que somos.” (p.88 e 89)

“Logo no início do texto usei uma expressão maffesoliana: ouvir o mato crescer. Nutrir a capacidade de perceber as mpultiplas possibilidades de uma mesma situação, definindo e explicando menos e compreendendo mais.” (p. 104)

“Ao oferecermos as nossas mãos às crianças, nós, queridos e distraídos adultos, talvez devêssemos dar o devido valor ao ritual sagrado que se estabelece. Menos força e mais afeto, menos pressão e mais afeição.” (p. 110)

“Corajoso não é quem ignora o medo, mas, sim, quem reúne forças e atitudes para enfrentar a paralisia e ousar fazer diferente.” (p.138)

“Mesmo Nietzsche, que muitos consideram um pessimista de carteirinha, disse que “sem a música, a vida seria um erro.” (p.151)

“Meu sangue é feito de células, pequenas e inúteis individualmente. Mas indispensáveis no conjunto da obra, por se agruparem e multiplicarem vida em mim. Meu caminho, meu existir, é exatamente igual. Que eu tenha a inteligência de apostar nos cavalos certos, que passam diariamente à minha frente, aguardando a minha atitude de montá-los, para juntos cavalgarmos pelas folhas vindouras do calendário. Viva o miudo da vida! É nele que me faço. É dele que eu quero me alimentar.” (p. 156)

“A velocidade só parece se justificar se traz consigo uma justa relação com a direção que se supõe correta.” (p. 158)

Saturday, August 23, 2014

CONARH – 40 Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas

No período de 18 a 21 de agosto deste ano de 2014, ocorreu o “mega” evento CONARH – 40o Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, promovido pela ABRH – Associação Brasileira de Recursos Humanos.

Tive o privilégio de participar, pela primeira vez, desse evento que me fascinou.

Não apenas tratou-se de um evento de grandes proporções espaciais, como de grande diversidade de expositores e palestrantes de todo país e de fora dele.

As oportunidades foram tantas que fui obrigado a escolher o evento que participaria, pois, muitas vezes ocorriam eventos simultâneos, todos de elevada qualidade.

Fico com a sensação de “quero mais” e com pena das palestras que perdi.

Alguma coisa, entretanto, eu posso fazer: deixar o registro de anotações que fiz durante as palestras que assisti, para que, aqueles que não tiveram a minha sorte, possam desfrutar de algumas “pérolas” merecedoras de destaque e reflexão.

Seguem as palestras que selecionei, por ter participado delas, e as anotações que fiz.


AS ÚLTIMAS APLICAÇÕES DA NEUROCIÊNCIA E O IMPACTO NA PRODUTIVIDADE DAS EMPRESAS
Professor Luiz Vagner Righi
Dra. Ana Helena Altieri Nogueira Cobra

Estilo de Gestão Brasileiro

- liderança autoritária
- tende ao estilo modelador: gestor quer gente igual a ele
- empresas com excesso de regras, normas, procedimentos e regulamentos
- multinacionais instaladas no Brasil fazem prevalecer aspectos da cultura do país de origem
- exacerbada pressão no ambiente de trabalho, conservadorismo

70% dos trabalhadores apresentam stress.

A Ciência do Cérebro

o cérebro gera a mente – que gera o comportamento – que gera a produção

cérebro
hemisfério

direito         
emocional – QE     
sentimento (positivo)                                 75%
dispersão (negativo)

esquerdo   
intelectual – QI     
lógico (positivo)                                            5%
reclamador (negativo)

base: cerebelo     
sistema límbico                                          20%

comportamento corporal    sinestésico – QC (positivo)     
                                            gerador de stress (negativo)
                                            fazer – agir – executar   

(fonte: Gardner e Gregori)

Estágios:

1 - alarme (stress) - positivo
2 - resistência (stress crônico) - excelência: pouca - negativo
3 - exaustão (esgotamento) – excelência: nula - negativo

Efeitos do stress:
    glândulas supra renais: mais adrenalina
    vasos sanguíneos: contrição, diminuem de tamanho

    Cérebro
        menor irrigação de sangue
        diminuição na memória
        diminuição nas funções
        aumento no sistema autônomo simpático e do instinto animal

O que fazer?

Resposta: Foco nas Pessoas

    modelo mental: MODIFICAR (técnica e treniamento)
    bloqueios pessoais: SUPERAR
    bloqueios de ambiente: MELHORAR

Desafios da administração contemporânea:

    - conciliar a gestão cartesiana com o ser humano
    - desenvolver a sociedade

O ser humano não é cartesiano !



O SER INTERESSADO SE TORNA INTERESSANTE
Felipe Mello

Rir não é o mehor remédio, pois o riso pode representar o sarcasmo, a indiferença. “Amizade” é o melhor remédio.

É preciso semear talentos para promover bons encontros.

Mimimismo: reclamante, somente crítica negativa – anestesia – ausência de sentimento.

Estamos em alta velocidade, mas, qual é a direção?

“Tu que funda o Eu que fundamos o Nós” (Buber)

Ferramentas (QI) + Conexões Humanas (QE) = Realizações

comprimento africano: SAWABONA (eu te reconheço e te recebo), resposta: SHINKOBA (então, existo para você)



TENDÊNCIAS EM REMUNERAÇÃO
Leonardo Salgado
Paulo Saliby

Formação de sucessores: “A realização patrimonial dos altos executivos deve estar atrelada ao sucesso futuro do negócio, inclusive após a aposentadoria (janela de ouro).”

Desafios de Remuneração

- custos crescentes e redução de margens
- busca constante de produtividade
- pluralidade de opções no mercado, fortalecendo as demandas individuais e acelerando a redução da fidelidade dos clientes
Um modelo indexado é o que se observa no momento presente.

Propostas:

- Salários: exclusão dos executivos dos reajustes coletivos
- Curto prazo: migração para modelos de “bonus pool”, atrelados a resultados
- Longo prazo: outorgas individualizadas e não padronizadas, definidas como pool

Uma relação duradoura:

- plano de longo prazo – mecanismos de conexão com interesses dos acionistas e geração de resultados sustentáveis, (não se trata de um caminho simples).

Barreiras enfrentadas pelos investidores externos, no ambiente brasileiro:

- falta de clareza regulatória e tributária
- volatilidade do mercado
- mercado ainda em formação, reage rapidamente às condições externas

Futuro:

- portfólio de planos
- opção de planos
- clube de sócios e ou associados: escolha de pessoas com perfil de futuro, independente do cargo, hierarquia ou idade, que são convidados a participar
- planos para resgate pós aposentadoria ou desligamento
- planos que buscam eficiência e segurança tributária
    - inclusão da voluntariedade, onerosidade e risco
- se tributado como salário, por que não migrar para cash plan?



IBC – INSTITUTO BRASILEIRO DE COACHING
SELF COACH

José Roberto Marques

Self Coach = co-criação

equilíbrio = cura

auto conhecimento é tudo

você é:

     30% influenciado pela sua genética
    20% influenciado pelo meio em que vive e viveu
    50% resultado de suas escolhas – única parte que que pode assumir o controle

Base filosófica do IBC

- o ser humano, na essência, é LUZ
- LUZ: foco consciente e inconsciente de vibrar bem
- todos podem se programar: somos donos de nossa história
- todo comportamento tem intenção positiva
- psicologia positiva: pilar filosófico
- estrutura do pensamento é a nossa maior estrutura sistêmica – damos o nome de SELF

devemos nos perguntar: quando errei, qual a intenção positiva havia em minha intenção?

O Self é a melhor parte dentro de nós.

- Self 1: centro direcionador da consciência da cognição
- Self 2: centro direcionador da inconsciência, nossa luz, a transcendência das sombras

As empresas apresentam um Self Coletivo que é diferente da somatória de Selfs individuais.









Pirâmide do processo evolutivo



A “Crença é uma verdade individual” !



MOVIMENTOS DE MUDANÇAS NO BRASIL – A VOZ DO POVO NAS RUAS E OS IMPACTOS PARA AS ORGANIZAÇÕES

Demetrio Magnoli

Ciclo político

2003 a 2014 – PT se favorece com  um cenário de forte crescimento dos países emergentes no mundo.
A razão disso seria o “fator China”, que promove uma explosão nas comodities, resultando em igual explosão nos investimentos internacionais, o que impulsionou o crescimento no Brasil.
O cenário brasileiro foi favorecido pelo equilíbrio econômico e com a lei de responsabilidade fiscal, heranças do Plano Real.

A democracia funciona e existe redução dos índices de pobreza: pacto da democracia.

O poder econômico se fundamenta no consumo e na expansão do crédito público e privado. Em especial, os planos de transferência de renda do governo federal (Bolsa Família). Esse poder econômico é combustível para o poder político.

Apesar do discurso do PT, de confronto com as antigas elites políticas, o que se vê é uma aliança a essas mesmas elites, dando sustentação ao poder político.

Constatação popular: “o novo virou velho”.

O Estado sustenta sindicatos, cooptando as instituições e mantendo sob controle as esquerdas.

O BNDES é usado para financiar a elite empresarial, numa coalizão política e econômica de grande impacto.

Os ciclos Lulo-Petistas:

- 2003 a 2006 – Paloci: o Banco Central financia o equilíbrio e o BNDES apoia as elites empresariais

- 2007 a 2014 – fenômeno do “mensalão” - Mantega e a expansão do crédito público e privado – crise de 2008 e o “boom” do crédito – 2010, segundo “boom” do cŕedito para fins eleitorais

Mensagem das ruas:

“sistema político em putrefação”
“não é pelos 20 centavos”
“escolas e hospitais “padrão FIFA”

As centelhas do movimento foram o aumento nas passagens de ônibus e a repressão policial exacerbada, mas as causas sustentaram-se na constatação popular de que o Estado não mais serve ao cidadão e passou a ser nocivo à sociedade.

Os alvos do movimento são todas as instituições governamentais, todas as autoridades, contra o Estado e contra as elites políticas.

Em 10 anos de poder, o PT promoveu o aumento nos bens de consumo privados, mas sucateou os serviços públicos básicos de saúde, educação e segurança – não foram gerados patrimônios públicos.

Apesar de forte no início, o movimento se dispersou e as passeatas diminuiram. Os vândalos afastaram o povo das ruas (ajudando as elites políticas no esvaziamento do movimento), pois, o povo não deseja a associação do movimento com essa forma de agressão pública. A polícia consegue conter os vândalos com vistas à realização da Copa do Mundo.

A leitura petista dos episódios leva aos “pactos de Dilma”.

Conclusões:
- acaba um ciclo econômico e político
- existem perspectivas de crise econômica iminente
- o retorno da inflação ocorre, resultado do aumento no consumo em paralelo com a queda na produtividade
- as tarifas de serviço estão sucateadas: em algum momento será necessário um “tarifaço” para recompor as empresas, como as do setor elétrico, por exemplo
- a inflação represada encontrará o seu caminho
- emprego e salários serão afetados

O fato de ainda haver um equilíbrio no emprego e na renda, o que de fato se extinguiré em breve, pode permitir que Dilma seja re-eleita.

Aécio Neves tem poucas chances, em função de seu discurso “mágico”.

A morte de Eduardo Campos traz Marina como opção aos antes indecisos, alinhando as intenções de voto com Dilma – a leitura do povo sobre Marina é de quem estaria “fora” do contexto político atual – isso explica sua ascenção.

O sucesso de Marina dar-se-á se conseguir refletir, em seu discurso, uma leitura correta dos movimentos ocorridos nas ruas, mas, perde as eleições se vier a se apoiar num discurso “salvador”.

As pesquisas mostram que quando Dilma sobe em intenções de voto, as ações caem na bolsa de valores, e vice-versa o os agentes econômicos entendem que a continuidade de Dilma no poder levará o país à estagnação.

O povo brasileiro dá seu recado, de que existe uma sociedade brasileira que não precisa de “rei” - precisa do Estado, mas não do “rei”.

Política não é administração, mas o equilíbrio entre o interesse em conciliar pensamentos divergentes. Resultados e gestão são matérias da administração.

A voz das ruas não se calaram: as respostas estão nas intenções de votos, neste momento, mas retornarão em outros episódios futuros, inevitavelmente.


SÓ HÁ FUTURO COM EDUCAÇÃO, NA EMPRESA E NA NAÇÃO
Hugo Pena Brandão

Os primeiros professores são os pais.

É preciso investir na base da educação, na gestão de pessoas e no combate à falta de professores no Brasil (e no mundo). Segundo a Unesco, serão necessários mais 8,4 milhões de professores no mundo até 2030.

Serão necessárias políticas de remuneração atrativas e investimentos em capacitação, além do apoio de tecnologia.

Foi apresentada iniciativa da secretaria de educação do estado do Amazonas, que utiliza a tecnologia de tele aulas para levar educação de qualidade a populações situadas em locais remotos no estado, com distâncias que podem chegar a 4 meses de viagem em barcos.

O Banco do Brasil apresentou sua experiência em Universidade Corporativa.

O conceito é focado no desenvolvimento de competências, que são resultado da soma de “conhecimentos”, “habilidades” e “atitudes”.

A aprendizagem leva à competência, que gera o desempenho.

A inovação baseia-se em:

- conteúdos mais complexos
- diversidade nas formas de aprender
- velocidade da aprendizagem

As modalidades compreendem o formal e o informal, o ensino presencial e à distância, o individual e o coletivo, em convivência harmônica e complementar.

Como curiosidade, foi mencionado que as salas de aulas apresentam papeis de parede onde se pode escrever, o que elimina a necessidade de flip chart.


O NOVO RETRATO SOCIAL DO BRASIL E SEU IMPACTO NAS ORGANIZAÇÕES
Renato Meirelles

Foram apresentados dados de pesquisa que demonstram o crescimento da renda média das famílias nos últimos 10 anos.
Existem evidências de que a renda das famílias tende a continuar em crescimento nos próximos anos.
44% das pessoas de classes A e B são filhos de famílias antes em classes infreiores. Isso cria um novo comportamento mercadológico: “bolso de classe A e cabeça de classe C”.
Existe uma elite pensando a classe média de forma equivocada, baseada em parâmetros que mudaram.
A chegada da nova classe média instiga preconceitos: “esse aeroporto mais parece uma rodoviária”.
O aumento na oferta de empregos mudou a relação de valores: salário não é o único atrativo, mas torna-se mais importante a avaliação dos benefícios oferecidos pelas empresas.
Na nova classe média, a geração atual estudou mais que os pais.
As atividades são diferenciadas, em função da idade: enquanto pessoas entre 48 e 60 anos é formada por trabalhadoras domésticas e empregados na construção civil, na faixa etária entre 18 e 30 anos as profissões são de vendedores e operadores de caixa, mesmo sendo essas atividades de remuneração menor. O que atrai não são os salários, mas a procura de uma atividade que permita o crescimento profissional.

A rotatividade: as pesquisas mostram que 44% dos jovens que estão no mercado de trabalham desejam mudar de emprego nos próximos meses e 82% desses desejam ter um negócio próprio. Os jovens desejam chances de promoção de projetos com maior autonomia. Os jovens não querem “chefes” e nem hierarquia. 80% deles são conectados às redes sociais.

Gestores analógicos x funcionários digitais.

Jovens da classe “C” contribuem com a renda familiar. As mulheres são mais escolarizadas e chefiam mais famílias. Apesar disso, ainda enfrentam uma sociedade machista.

O maior desafio para as empresas: alinhar o discurso e as ações para esse novo cenário.


RELAÇÕES DE CONFIANÇA
Julio Fiadi
Karina Oliani

Qual é o seu Everest?

Sugestão de leitura: Endurance, de Ernest Chacklenton.

Vale a pena conhecer a história vivida pelo navegador que nos ensina o poder da liderança diante de situações críticas e ameaçadoras:

https://www.youtube.com/watch?v=64XIK5_jy4A

Conheça mais sobre os palestrantes:

Julio Fiadi, o primeiro brasileiro a viajar aos dois polos:
http://www.juliofiadi.com.br/

Karina Oliani, a mais jovem brasileira a escalar o Everest:
http://karinaoliani.com.br/site/

“Só tentando o impossível se conhece os limites do possível.”



EMPRESAS SEM CHEFE: O DESAFIO DO RH NA VAGAS.COM

Érica Isomura
Alessandra Tomelin

Fator chave: manter o espírito de uma empresa pequena.

“Uma questão de vivência de valores compartilhados.”

Adotado o modelo horizontal como forma de proporcionar maior empoderamento das pessoas na equipe, que tomam decisões melhores para os clientes.

“Na Vagas eu faço o que eu quero, e tudo tem a ver com isso.”

Não existem níveis hierárquicos nem relação de mando, porém, há espaço para mais líderes que na estrutura hierárquica.

A gestão é baseada no consenso e pressupõe boa controvérsia e desapego.

Não existem metas e nem Budget anual a ser perseguido, mas os resultados são os melhores do setor.

A metodologia de gestão é focada nos resultados, com o mínimo de controle.

Todos tem a ver com isso:
- liberdade
- iniciativa
- autonomia

RH como Relações Humanas.

As cinco práticas mais expressivas:

1) Recrutamento e Seleção: RH conduz fases iniciais, mas as equipes contratam através de fóruns.

2) Feedback: é fornecido pela equipe em 45 e 90 dias. A metodologia inclui avaliações por post-its que são anexados com conceitos que são apresentados ao novo funcionário, que deve lê-los e colocar suas propostas de melhoria para os pontos fracos.

3) Remuneração e Avaliação: baseada em 4 eixos.

- eixo 1: visão de negócio
- eixo 2: vivência da cultura
- eixo 3: foco em resultados
- eixo 4: competência técnica

Justa internamente, competitiva externamente.

4) Cultura e Inovação: comitê multidisciplinar.

Semanalmente tem “PF” (Papo Furado), quando os funcionários trazem temas, muitas vezes fora de qualquer contexto, como estímulo à criatividade.

Também são realizadas festas temáticas, onde até mesmo uma tribo de índios foi trazida para vivência e troca de experiências. Visitas a cavernas, mergulhos e outras atividades são exploradas para conhecimento de situações e culturas alternativas.

5) Clima Organizacional.

O conceito é que o sucesso encontra-se em quem se realiza com o que faz.

Ambiente                    Equipe             Empresa
de liberdade               engajada          mais forte           
   
confiança                   criativa            competitiva

respeito                      responsável     eficiente

                                  auto motivada

Quanto custa a competição interna?
Quanto custa tentar controlar as pessoas?


A MULHER, O TEMPO E AS ESCOLHAS

Maria Eduarda Kertesz – presidente Jhonson & Johnson
Claudia Sender – presidente da TAM

“Lideres não tem todas as respostas, também acordam de mau humor e erram de vez em quando.” Maria Eduarda

“Mudei de emprego para ganhar menos, quando me dei conta que chegou a hora de trabalhar por algo além de carreira e salário – o que me interessa é saber: qual o propósito do meu trabalho? Quero trabalhar em um trabalho mais responsável, ético e tendo um bem maior em mente.” Claudia.

“A mulher tem menos medo de ser humilde.” Claudia.

“A mulher é mais empática, sensível com as questões humanas e tem olhar mais holístico.” Maria.
Sobre o “propósito” das novas gerações: desejam deixar suas marcas e estão transcendendo a questão de gênero.

Sobre os momentos mais difíceis enfrentados, foram os momentos de decisão em demitir, pois as mulheres pensam mais nas famílias envolvidas no processo.

Sobre os erros que mais ensinaram:

“Ao assumir a presidência, tornei-me chefe de meus pares – achava que tinha que ter todas as respostas – tentei ser chefe quando deveria ser gestora e lider.” Claúdia.

“Deveria ter apreendido mais sobre áreas da empresa que desconheço.” Maria.

Sobre a inclusão das mulheres na empresa onde trabalham, houve consenso de que as empresas estão mais femininas mas ainda existem desafios a serem vencidos.

Claudia colocou a necessidade das mulheres em livrarem-se do sentimento de “culpa” pelas responsabilidades domésticas que devem ser compartilhadas com seus companheiros.

Ana finaliza com o pensamento: “mulheres: não tentem ser homens”, numa alusão ao modelo mental machista que influencia até mesmo o comportamento de certas executivas.

Ambas concordam em que deveriam haver mais estruturas e políticas públicas de apoio à mulher trabalhadora.

Sobre a criação de “cotas” para contratação de mulheres, Claudia mostrou-se contra, muito embora procure exigir que sejam chamadas mulheres quando da chamada de candidatos a qualquer vaga na TAM, complementando que existem muitas posições ocupadas em funções muitas vezes consideradas masculinas, como mecânicas e pilotos.

Ana defende a criação de cotas, pelo exemplo de países no exterior que tiveram sucesso com essa medida, mas considera que é uma medida de transição cultural, não devendo ser eternizada.

Foi perguntado às entrevistadas, se as empresas onde atuam oferecem programa de apoio à mulher que retorna da licença maternidade, ocasião em que está mais fragilizada e, muitas vezes, acaba por desistir de sua carreira, podendo vir a se arrependerem no futuro. Ambas consideram a questão importante e pretendem estudar essa hipótese, acrescentando que a mulher que retorna da licença maternidade deve contar com um incentivo baseado em desafios, sem imposições de limites pela sua nova situação.



CULTURA DE PROPÓSITO
Olga Martinez Garcia
Rob Morris

Propósito leva às seguintes perguntas com relação a alguma ação, ou, existência:
- porque existe?
- qual impacto provoca?

As organizações devem criar, pois, “significado” para os seus funcionários.
Tendo claro esse “significado”, deve mostrar, então, “coerência”.

Existem 4 forças chave nesse processo:

1) Transformação de empregados em líderes: a diferença entre empresas de alta performance das demais é que as primeiras desejam “mudar o mundo”, enquanto as últimas pretendem “servir ao mundo”.



Baixa Performance                     Alta Performance

    razão                                             razão

    lógica                                            inspiração

    argumento de negócios                emoção



2) Propósito revigorador: que mudança a empresa trará ao mundo?

“Líderes e seguidores estão, ambos, seguindo um líder invisível: o propósito comum.” Mary Parker Fallet

“Propósitos” levam a “significados”, que resultam em “performance”.

Devemos deixar claro aos funcionários a razão porque vêem trabalhar.

3) Demonstração de como o comportamento adotado levará a esse propósito.

4) Estar alerta: o sucesso no passado não garante o sucesso no futuro.


“Se eu estiver no meu melhor momento, serei melhor com os outros.”

Agenda

- definir o que é importante para mim
- inserir essa resposta em minha agenda (transformar em metas a serem alcançadas)
- o que sobrar, encaixo nas horas não preenchidas

Propósitos nos trazem a capacidade de investimento no que interessa e comprometimento com os resultados.

Liderança é o alinhamento entre o que “pensamos”, “falamos” e “fazemos”.

Sobre o futuro

O mundo já mudou. Pesquisas mostram que os jovens desejam trabalhar em grandes organizações, não querem hierarquias e tampouco horários rígidos.

As pessoas não querem mais duas vidas trabalho/família, mas uma vida integral, com propósito e com desejo de mudar o mundo.

“Não delegue seus propósitos”.


O INDIVÍDUO E SEUS PROPÓSITOS
Mario Sérgio Cortella

Cortella iniciou sua palestra lembrando que Raul Seixas completava mais um ano de sua morte, trazendo ao contexto uma de suas músicas mais conhecidas: “O Ouro de Tolos”.
           
Trouxe a discussão de que as pessoas, muitas vezes, vão atrás de falsas realizações, iludidas como ocorria quando os alquimistas produziam o falso ouro, ou o “Ouro de Tolos”. Iludem-se, pois, com suas carreiras, são iludidas pelas empresas onde trabalham e pelos negócios aos quais se relacionam.

Ressalta a importância de mudança no olhar para que seja seguido o fluxo de colocar claramente suas “intenções”, para que se definam os reais “propósitos” e, assim, se algussem as “percepções”.

Cita Carl Marx em sua definição de “alienação”: “aquilo que faço é estranho para mim, não me realizo e, portanto, não me aproprio.”

Tal como no “Fordismo”, distraímo-nos com o trabalho sem sentido, sem propósito.

Augostinho (Santo): “não sacia a fome quem lambe o pão pintado”.

Cortella cita a obra “Alice no país das maravilhas” e suas influências no filmeMatrix, em seu primeiro roteito, relacionando o coelho, o gato, a rainha e Alice. O coelho aparece sempre correndo, mostrando que o tempo passa, mas nunca se percebe a razão de sua pressa. A rainha assiste a uma execução, em que o réu será executado sem que se saiba o motivo: “primeiro executamos, depois se dará o julgamento e, por fim, o verdicto.”. Quando Alice diz que não existe sentido lógico nessa sequencia, a rainha responde que não é necessária coerência, mas seguir às regras. O gato aparece por duas ocasiões na peça: na primeira, nada diz. Na segunda, Alice pede a ele que lhe informe o caminho, ao qual ele então pergunta: “para onde você quer ir?”. Alice responde que não sabe, pois está perdida, ao que o gato responde que: “para quem não sabe onde quer ir, qualquer caminho é serve”.

Matrix representa a descoberta de um mundo real insuportável e o dilema dos personagens em decidir se seria melhor viver a ilusão ou enfrentar essa realidade, o que os obrigariam a lutar por uma mudança.

Nossos propósitos são a fonte de nossa animação.

Cortella faz, entretanto, ressalvas com relação às novas gerações, que carecem de percepção sobre a responsabilidade pelas escolhas e as dificuldades necessárias em alcançá-las. Existe um preço a ser pago, pois, estou feliz em seguir no rumo que escolhi, mas sei que terei que enfrentar dificuldades no caminho: “Faço o que eu gosto, que é ser professor e palestrante, mas não gosto de corrigir provas. Entretanto, sei que, quando corrijo as provas, tenho a oportunidade de avaliar o meu trabalho, pois, se meus alunos apresentarem baixas notas, é porque estou errando em minha didática.”

Sonhos e propósitos exigem esforços – devemos buscar resultados com propósitos mas sem “edonismo”. Cortella alerta para o edonismo, que pode afastar-nos dos propósitos que desejamos.
Emprego é fonte de renda, trabalho é fonte de vida.

Trabalho cansa, emprego estressa.

“Com clareza de propósitos, você se cansa, mas não se estressa.”

“Se quiser ir apenas rápido, vá sozinho – se quiser ir longe, vá com alguém.” (provérbio africano)

“O importante é ter, sem que o ter te tenha.” (Millor Fernandes)


SUSTENTABILIDADE DA LIDERANÇA

David Ulrich


Líderes devem ter atitudes coerentes. Funcionários mais produtivos fazem o que os líderes fazem,

Investidores procuram empresas com melhores líderes.

A marca da liderança: quando fazemos o que prometemos aos nossos clientes.

Líderes tem que ser executores.

Sete práticas sustentáveis de liderança:

1) Simplicity - Simplicidade;
2) Time - Tempo (calendário);
3) Accountabillity - Responsabilidade assumida publicamente;
4) Ressources - Recursos: apoio para que os objetivos sejam atingidos;
5) Tracking - Monitoramento e análise: meça suas intenções e resultados em diferentes formas;
6) Melliorate - Melhoria contínua: perseverança, garra;
7) Emotion - Emoção.

O que você quer?
A quem você serve?
Como você cria isso?


A VIDA É O NOSSO PALCO PARA OUSAR, INOVAR E PERFORMAR
Walcyr Carrasco
Viviane Mosé

Existem esferas de experiência que te lançam à sobrevivência, somente a ficção te lança à vida.

O mais elaborado estágio que o ser humano pode alcançar: o inútil, a ficção e o lúdico.

O grande valor cristão é a cruz – baseia-se, portanto, no sofrimento, que é colocado como virtude. Porém, a mensagem cristã não é a cruz, mas o renascimento.

“O homem precisa de algum conhecimento para sobreviver, mas para viver, é preciso arte.”

Nossa educação baseia-se na repetição: deveria basear-se na interpretação.

Proposta para uma agenda escolar:
- língua materna;
- matemática;
- “arte”, desenvolvimento da criatividade – tornar a vida mais alegre.

Além da arte, precisamos de “preguiça” - às vezes, á nos momentos de preguiça que você se recria.

O sucesso advém pela coragem de errar.










Monday, August 11, 2014

Resenha do livro: O Vôo da Gaivota, de Emmanuelle Laborit.




Emmanuelle Laborit nasceu surda na França no ano de 1971. Assim como grandes personalidades são forjadas em lugares, épocas e culturas caóticas, Emmanuelle tornou-se símbolo pela sua luta por direitos elementares negados aos surdos e pela sua obstinação em alcançar seus sonhos.
Emmanuelle teve forte apoio dos pais, mas encontrou um modelo pedagógico equivocado. Ao descobrir a língua de sinais, percebe que existe uma “cultura” praticada pelos surdos, um mundo novo no qual encontra lugar para se desenvolver e alcançar o que parecia ser impossível.
Nesse livro, ela conta sua trajetória, uma leitura suave e, ao mesmo tempo, emocionante e esclarecedora.

A autora parte de sua infância para expor suas dificuldades iniciais, quando as palavras lhes representavam um grande mistério. Relata que vivia no momento presente, não tinha noção do que representa o passado ou o futuro, nem mesmo a consciência de sua própria individualidade, noções que só alcançaria após ter contato com a língua de sinais, aos sete anos de idade.

O apelido de “gaivota” foi-lhe dado pelos pais, em função de seus “gritos agudos de pássaros do mar”(p.11) – gritos proferidos na tentativa de “falar”. Em francês, as palavras “mouette” e “muette” representam, respectivamente, “gaivota” e “muda”, uma semelhança fonética que reforçou esse apelido.

Os problemas começam desde os primeiros contatos com os médicos especialistas: seu pediatra não acreditava que ela seria surda. Aos nove meses, um especialista deu o diagnóstico de surda profunda, informando que poderia falar com a colocação de aparelho, reeducação ortofônica e evitando a linguagem gestual. E nada de contato com adultos surdos.

Em suas lembranças da primeira infância, resume essa fase de sua vida como “Um caos na minha cabeça, uma sequencia de imagens sem relação umas com as outras..” (p.14).

Seguindo o conselho dos “especialistas”, seus pais iniciaram tratamentos com uma ortofonista, aprendendo a oralizar palavras básicas que, para ela, representavam “movimentos da boca e gestos da mão” (p.17).

Emmanuelle relata que começou a usar aparelho auditivo, mas denuncia sua ineficácia: “Ele colocava ruídos dentro da minha cabeça, todos iguais, era impossível diferenciá-los.”(p.18)

Sobre o silêncio, conta que o seu “mundo inteiro era negro silêncio, a não ser por meus pais, sobretudo minha mãe. O silêncio tem pois um sentido todo meu, o de ser a ausência de comunicação. Em outras palavras: nunca vivi no silêncio completo.” (p.19 – grifo meu).

Ainda sobre os sons, relata que “Há sempre uma ligação entre as cores e os sons que imagino...Negro é sinal de não-comunicação, logo, de silêncio.” (p.20).

Com a mãe estabelece uma linguagem inventada, “feito de mímica e de gesticulação.” (p.21).

Aos sete anos, com um aparelho de audição, conta que apenas sentia as vibrações ampliadas, sem sons significativos, apenas barulhos que a angustiavam. Serviram para diferenciar os surdos dos ouvintes, pois, tinha agora como perceber quem os usava.

Sua percepção da música fora despertada pelo “tio Fifou”, que tocava violão e, na tentativa de lhe passar alguma sensação, pedia que ela mordesse o violão enquanto tocava – de fato, as vibrações lhe traziam uma sensação nova. Passou a gostar de concertos musicais, observando as vibrações, as cores, as bochechas dos trompetistas, o brilho dos saxofones: “...a música é um arco-iris de cores vibrantes” (p.28).

Apesar da som ser para ela um mistério nas músicas, relata que apenas uma vez sente ter percebido a música pela voz de Maria Callas. Essa declaração da autora é curiosa e, ao mesmo tempo, intrigante: Maria Callas consegue, com sua qualidade musical, sensibilizar alguém que não consegue ouvir.

Passa a gostar da dança e diverte-se quando vai a boates com os amigos: “A dança está no corpo” (p.29).

Sobre a morte, quando criança, por conta da morte de seu gato, entendeu que representava “acabou-se, está terminado” (p.32), frase dita por seus pais. Cria que os adultos seriam imortais, pois saím e voltavam, sumiam e reapareciam. Quanto a ela, não se via chegando à idade adulta, pois nunca havia visto um surdo adulto. Após a morte do gato, ganhou outro gato que se chamava Carretel – esse gato percebeu sua surdez, colocando-se diretamente diante de seu rosto quando pedia comida, sabendo que, de outra forma, não conseguiria chamar a sua atenção.

A primeira tentativa de enfrentar o mundo por seus próprios meios foi a decisão de ir ao banheiro sozinha. A tentativa foi desastrosa, ficando presa ao banheiro sem saber como sair, tendo a porta como uma barreira instransponível para a comunicação com a mãe.

“Tifiti” era a maneira que verbalizava a palavra “difícil”, e assim descreve as dificuldades que sempre enfrentou. Não entendia como os ouvintes conseguiam se comunicar quando voltados de costas uns para os outros e sentia-se excluída das conversas à mesa, ou em reuniões sociais.

Perto dos seus sete anos de idade, seu pai se impressiona com uma descoberta, quando de uma reportagem: “o ator e diretor Alfredo Corrado, falava silenciosamente a língua de sinais.” (p.46). A reportagem relata a existência do Internacional Visual Theatre (IVT), criada por Corrado, que trabalhava nos Estados Unidos, na universidade Gallaudet, para surdos, onde se formara. Esse tornou-se um marco na vida da escritora, pois seu pai deu-se conta de que surdos conseguiam chegar à universidade, através da língua de sinais, fato esse ocultado pelos defensores do método oralista francês naquela época.

Paralelamente ao nascimento de sua irmã, Emmanuelle inicia seus estudos em Vincennes, onde tem contato com a língua de sinais, com Alfredo Corrado. Dá-se conta de que não conseguia destinguir surdos de ouvintes, uma vez que conversavam entre si pela língua de sinais.
Alfredo era um surdo adulto, que não usava aparelhos auditivos: então os surdos podem se tornar adultos !
Em Vincennes adquire um sinal: passa a ser “Emmanuelle” para os ouvintes e “O sol que parte do coração” para os surdos.
Esse momento de sua vida é relatado como um “renascimento”, um recomeço, o despertar para um mundo novo, cheio de novas perspectivas.

O nascimento de Maria, sua irmã, trouxe outras situações, como a necessidade de compartilhar a atenção dos pais, mas, sobretudo, deu a ela a oportunidade de torná-la bilingue, compreendendo a língua de sinais, passando a ser, assim, alguém com quem pudesse dialogar.

Mas suas dificuldades não se foram, pois, ia a Vincennes, mas frequentava a escola tradicional, onde ainda se trabalhava a pedagogia oralista. Refere-se aos seus colegas de escola: “Passariam anos tentando fazer de suas gargantas uma caixa de ressonância, fabricando palavras que nem sempre conheciam o significado.” (p.59, grifo meu).

Em uma iniciativa do IVT, Emmanuelle viaja para Washington para conhecer a universidade Gallaudet. Viaja de avião pela primeira vez e em seu passeio por Nova Yorque se depara com surdos que se comunicam por sinais em diversos locais por onde passa – é sua interpretação de uma “cidade dos surdos”.
A viagem lhe trouxe a consciência de que era surda: “Eu sou surda não quer dizer que “eu não escuto”. Quer dizer: “Compreendi que sou surda”.” (p.67, grifo meu). Essa descoberta refere-se à consciência de que a surdez não se trata de uma limitação, mas de uma forma alternativa de comunicação, uma vez que se vê capaz de se comunicar através de uma língua própria, que pode unir surdos e ouvintes. “Com a descoberta de minha língua, encontrei a grande chave que abre a porta que me separava do mundo.” (p.69).

Após a viagem aos Estados Unidos, o seu pai decide dedicar-se aos surdos e abre, em Sainte-Anne “o primeiro consultório onde se pratica a língua de sinais, logo em seguida empregada nos tratamentos com hospitalização.”(p.73).

Ao alcançar a quinta série, foi recusada a sua matrícula, o que lhe causou grande decepção. Foi obrigada a migrar para a única escola que atendia surdos. Sua mãe lhe informou, entretanto, que o método adotado para o ensino era oral, o que, em princípio, não foi claramente compreendido pela autora, mas que depois trouxe uma dura realidade. O ensino se baseia na leitura labial e a oralidade.

Aí começa uma etapa da vida da autora em que decide partir para o confronto, inconformada que se sentia com uma situação, no mínimo, injusta. No primeiro dia de aula fora proibida a expressar-se na língua de sinais, mas, já no segundo dia, distribuiu cartilhas na escola, com instruções sobre a língua dos surdos. “Não havia dúvidas de que me comportara como uma ativista, uma lider sindical, como uma agitadora revolucionária.” (p.82). Apesar da simpatia de alguns professores, que, veladamente a apoiaram, a determinação de proibir o uso da língua de sinais foi mantida.

Conheceu surdos que não tiveram o apoio dos pais, que sofreram pela falta de comunicação, alguns tornando-se até mesmo violentos, que jogaram aparelhos auditivos em vasos sanitários por não os suportarem.

Apesar da proibição, desafiava os professores, travava conversas em sinais quando os mesmos estavam de costas, com os colegas de classe. Define seu protesto com a máxima “é proibido proibir” (p.84).

Aos treze anos, sem saber o que seria de seu futuro profissional, vem à tona uma Emmanuelle revoltada, contra o sistema, indignada com a sua situação e com a condição dos surdos. Entende os surdos como pessoas que não desejam ouvir, não como deficientes, como a sociedade os percebem.

Começava a se desenvolver e seu corpo já é de uma mulher. Descobre a sexualidade, os homens. Em especial, começa um relacionamento com um jovem surdo, apaixonando-se perdidamente, mesmo contra a vontade de seus pais. Passou a se unir a grupos que se encontravam no metrô, iam juntos ao Mac Donalds (local onde seu grupo foi abordado para que deixassem o local) e, em um desses momentos, envolve-se em uma ação de vandalismo (no metrô) – à qual não participou ativamente - e acaba sendo presa. Sem conseguir se comunicar, sem que lhe seja dado o direito de entrar em contato com a família, acaba por passar a noite na prisão. Depois de muita agonia, consegue anotar o número do telefone de sua casa e o entrega a um policial, que, enfim, decide contatar seus pais. O pai chegou furioso e tenta levar a amiga, que dividiu a cela com Emmanuelle, em vão: somente os pais poderiam retirá-la, e ela continuou na prisão. A revolta com a situação vivida baseia-se no total despreparo da sociedade em lidar com surdos, além da violação de direitos básicos.

O envolvimento com o namorado criou muitos conflitos com os pais, que atribuiam ao rapaz o comportamento agressivo e as constantes faltas às aulas na escola. Após algum tempo, prometeu ao pai não mais faltar às aulas, mas, a razão das faltas era o modelo baseado na oralidade. Apesar de retomar às aulas, decide ausentar-se mesmo estando presente, ignorando os professores e suas tentativas em fazê-la falar.

Engajou-se em movimentos e manifestações políticas para defesa dos surdos e da língua dos sinais.
As reuniões no metrô com seus amigos surdos serviam de escape para as aulas oralizadas. Mas também a envolveu em situações de risco, como viajar de metrô pendurada pelo lado de fora e até mesmo uma tentativa frustrada de roubo. Foi vítima de situações de tentativa de abuso sexual por duas ocasiões.

Após saber da infidelidade do namorado, decide deixá-lo. Inconformado, o rapaz corta os pulsos diante dela – felizmente, o rapaz se recuperou. A experiência junta-se à inconformidade com o divórcio de seus pais. Em um momento depressivo, exagera no consumo de álcool, envolve-se em discussões constantes com sua irmã, por razões menores. Acha-se feia, consegue perceber que seu estado físico se deteriora, mas não entende porque não consegue se livrar desse momento de tristeza. “Fisicamente, sentia-me um trapo, , tinha mesmo manchas azuis por todo o lado de tanto cair quando bebia. Moralmente, sentia-me completamente nula.” (p.147).

Após perceber que chegara ao limite, decide pensar, pela primeira vez, em seu futuro. Seu amor pela arte e pela criação a colocou diante de uma nova oportunidade. Quando menina, em idade entre 8 e 9 anos, teve uma experiência com o teatro, quando foi incentivada a utilizar a comunicação através do corpo, usando máscaras como forma de forçar esse tipo de expressão corporal, o que a obrigava a despresnder-se do vício da observação apenas pelo rosto. Também nesse momento, participou da peça “Viagem ao Terminal do Metrô”.

Entretanto, impôs-se uma condição para que pudesse retomar essa carreira: a nacessidade de alcançar a universidade: “Em Vincennes, Alfredo Corrado apenas se ocupava do teatro para adultos. “Faça seu bacharelado”, dizia-me sempre, “e veremos do que você é capaz.”(p.150).

Essa nova imposição passou a ser sua meta de superação. Passou a se entregar aos estudos para alcançar o bacharelado, que em Morvan, tinha a duração de três anos. Paralelamente, buscou formas de independência financeira, outro desejo que há muito alimentava, trabalhando como baby-sitter. Também fazia faxina na casa de seu avô, um pesquisador.

Consegue um papel num filme de Ariane Mnouchkine, com a participação em 30 sengundos. Participou, na sequencia, da “festa do Olhar, que reuniu surdos e ouvintes para criações curtas de mais ou menos cinco minutos.”(p.155).

A autora participa também de um grupo de voluntários para desenvolver uma comunicação eficiente sobre a AIDS para os surdos (AIDES), que, em grande parte, não entendem o que se trata pela falta de uma divulgação adequada. Até mesmo o símbolo da AIDS assemelha-se a um sol, o que faz com que muitos pensem que a prevenção se dá por não se exporem ao sol.

Um novo obstáculo se põe à sua frente: na França, o estudo para surdos não chega ao bacharelado, obrigando aos alunos o esforço extra de depender de um tradutor, o colega ao lado, ouvinte, que faz anotações em sala de aula e repassa, posteriormente, cópia para o surdo. Encontra surdos com histórias de exclusão e desinformação que a deixam ainda mais indignada, políticos que se aproveitam dos surdos para se promoverem, baseados em propostas de governo muitas vezes excludentes e preconceituosas. Pais que enganam filhos surdos por vergonha de vizinhos e parentes e até mesmo deficientes físicos que não compreendem o mundo dos surdos, barrando sua participação em movimentos reivindicatórios.

Apesar da limitação imposta na universidade, apoia-se na pesquisa em livros e dicionarios para suprir as dificuldades encontradas no aprendizado pela leitura labial.
Em 1991 tenta passar no teste para o bacharelado, mas fracassa, apesar dos esforços. Os pais insistem para que ela tente novamente, não desista.

Então, um diretor de teatro, Jean Dalric, a procura e a convida para participar da peça “Os filhos do silêncio”, no papel principal, do personagem “Sara”. Apesar da desconfiança na pessoa de Jean, alimentada pela mãe, decidiu se preparar para o papel, encontrando-se com ele por seis meses, para o desenvolvimento dessa personagem. Mais uma vez, Emmanuelle impõs-se a condição de passar antes no bacharelado.

A autora relata uma conversa entre a irmã e sua mãe sobre a hipotética possibilidade de uma operação milagrosa que viesse a fazê-la ouvir. Este ponto eu considero como de grande importância na narrativa, pois, revela o que pensa a autora a respeito de ser surda. Escrevendo de forma magnífica, emociona o leitor ao relatar que a tentativa dos ouvintes em fazer com que os surdos ouçam ou falem configura-se numa tentativa de fazer com que todas as pessoas sejam iguais, seguindo um modelo de perfeição que não inclui os surdos. Seria como fazer com que ninguém mais nascesse “negro”, ou que todos fossem “loiros”. “Por que não aceitar as imperfeições dos outros?..... tenho meus olhos, eles observam ainda melhor que os seus, forçosamente. Tenho minhas mãos que falam. Um cérebro que organiza as informações, à minha maneira, segundo minhas necessidades.” (p.178, grifo meu). “O mundo não pode e não deve ser perfeito. É sua riqueza.”(p.178, grifo meu).

A autora lembra a história dos surdos como uma constante luta por conquistar sua autonomia, a insuportável imposição de aparelhos auditivos, muitas vezes implantes feitos em crianças, que não estão aptas para manifestar opiniões, sujeitas a todo tipo de experiências.

Emmanuelle consegue, enfim, o bacharelado, aos vinte anos de idade e parte para seu sonho, sentindo-se livre. Parte, então, para o teatro, para repesentar “Sara” em “Os Filhos do Silêncio”. Em sua estréia, apesar do medo, consegue sair-se bem. A peça é exibida mais vezes e as críticas são positivas. A peça é então, indicada para o prêmio Moliére, Emmanuelle indicada para o Moliére de revelação teatral de 1993 e Jean para o prêmio de melhor adaptação. Ambos conquistam o prêmio. Atônita com a conquista, sobe ao palco e, sem se dar conta, recorre à língua dos sinais quando percebe: “vejo uma pessoa, depois algumas outras, e finalmente o público inteiro! Braços levantados, mãos em formato de borboleta, dedos fazendo o sinal da união.”.(p.196).

Sua carreira decola no teatro e, posteriormente, enfrenta o desafio de escrever o livro “O Vôo da Gaivota”, objeto desta resenha: mais uma vez, algo considerado impossível, mas realizado, apesar das dificuldades.

Sobre livros para surdos escritos por ouvintes, cita o escritor Jean Grémion, na obra denominada “O planeta dos surdos”, quando revela: “Os ouvintes têm tudo a aprender com aqueles que falam com seu corpo. A riqueza de sua língua gestual é um dos tesouros da humanidade.”(p.204, grifo meu).

Finalizando, tive a grande oportunidade de conhecer essa obra e essa autora, que conseguiu traduzir, de maneira poética e leve, todo um contexto cultural que envolve os surdos pelo mundo. Se, na França, Emmanuelle conseguiu avanços, aqui no Brasil também surgem personagens importantes que lutam pela inclusão e reconhecimento da cultura surda.
Mas ainda existe muito a conquistar e relatos sobre injustiças e exclusão são trazidos por aqueles que se aproximam dessa parcela da população.

É uma leitura recomendada, ou melhor, obrigatória para iniciantes no tema. Que sirva de inspiração para a contrução de um mundo melhor e, sobretudo, bilingue.


João Abeid Filho
11 de agosto de 2014