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Showing posts from 2020

DISTOPIA DE 2020 REQUER QUE SEJAMOS DIVERGENTES

Creio que chegamos a uma distopia. O Corona Vírus se tornou uma pandemia e pegou desprevenido um mundo que já vivera, em seu passado, situações semelhantes e não aprendeu com os erros cometidos. As reações humanas diante de uma situação inesperada e indesejada passa pela negação, o que se verifica também no comportamento coletivo. Essa negação, apesar de natural, não pode se eternizar, sob pena de levar-nos todos ao caos. Em meio a esse cenário natural de um vírus que se alastra pelo planeta, criamos mais um problema: o uso da situação por políticos, uns assumindo o negacionismo e dividindo a população em polos opostos e irreais. Rotulando de “direita” e “esquerda” os grupos opostos, o ambiente abriu espaço para que o vírus ganhasse um espaço maior e se proliferasse livremente pela população. Os que se dizem de “direita” justificam suas posições com um ambiente imaginado, onde a negação da ciência e da história são supridas por um mundo idealizado e irreal. Os que se dize

LUCY, O TEMPO, O UNIVERSO E A HUMILDADE NECESSÁRIA

Hoje assisti, pela terceira vez, o filme Lucy. A trama se dá quando uma mulher assimila uma nova droga que a levará a utilizar 100% de sua capacidade cerebral. No filme, Morgan Freeman é um cientista e pesquisador, que estuda o uso da capacidade cerebral humana e afirma que usamos apenas 10% dela. Em uma palestra no início do filme, ele afirma que os golfinhos utilizam 20% de sua capacidade cerebral, o que os tornou capazes de criar um mecanismo de sonar natural, que confere a eles um sentido a mais que os demais animais. A teoria é apenas uma especulação. Sei que existem cientistas que a contestam, afirmando que usamos os nossos 100% de capacidade cerebral, porém não ao mesmo tempo, pois, seria um desperdício de energia usar áreas desnecessárias para a solução de problemas específicos. "Não sabemos mais do que um cachorro olhando para a Lua."(LUCY) Seja lá como for, o que sabemos é que conhecemos muito pouco de nós mesmos, do universo e de toda a história humana. Lucy, a per

SENTIDO DA VIDA – UMA BUSCA AO DESCONHECIDO

    Embora vivamos num universo – ou será multiverso? – em constante movimento, apegamo-nos a questões imaginadas imutáveis. Talvez a maior razão disso seja a não aceitação da morte, de nossa finitude. Imaginamos leis imutáveis e limites que, por não encontrarem fundamento no mundo real, tornam-nos expostos a acontecimentos inexplicáveis e, por essa razão, inaceitáveis dentro de nossos limitados conceitos. Nosso desconhecimento sobre tudo, desde nossas menores partes como células e átomos, até a estonteante e incompreensível imensidão do Cosmos, nos traz tamanha insegurança que nos leva a criar teorias que tragam algum sentido a tudo e a nós mesmos. Ao mesmo tempo, não nos confortamos com essas teorias, posto que são limitadas à nossa compreensão de tudo. Não encontramos o “sentido” das coisas, da vida e de nossa existência. Essa busca por um sentido que desconhecemos, nos traz muito desconforto e, nos casos mais graves, a depressão. Penso que o erro encontra-se em imagin

A MORTE DO DÍALOGO

  Diálogo  m.Conversação entre duas pessoas.Ext.Conversação entre muitas pessoas. Obra literária ou científica em forma dialogada.(Gr.  dialogos ) [1]   Há tempos a palavra “diálogo” tem sido usada de forma indevida. Não encontro mais pessoas que busquem o diálogo. Antes, sob o pretexto do diálogo, procuram o monólogo. O encontro entre duas ou mais pessoas tem-se traduzido numa disputa de egos, um jogo, no qual sai vencedor aquele que mais fala ou que se coloca de maneira mais eloqüente. O objetivo é vencer: ter a opinião final, impor-se, esgotar o assunto e eliminar controvérsias, demonizando os controversos. E como no processo competitivo só existe um vencedor, quanto maior for o grupo participante, maiores serão os conhecimentos perdidos, abafados, contidos. E por se evitar o diálogo e se impor o monólogo, o conhecimento se torna pequeno e estático. O constante movimento do universo, do meio físico e das civilizações exige um conhecimento que flua, que se renove com c

A MORTE DAS CERTEZAS

Nasci num mundo que se esfacelou.  Nasci em 1959, já haviam automóveis, aviões, eletricidade. A minha juventude foi num momento histórico em que se esperava muito do futuro.  A ciência traria as soluções para aumentar o tempo e a qualidade de vida, também nos possibilitaria a exploração espacial e eliminaria a pobreza. Mas haviam guerras no mundo. A guerra dos EUA contra o Vietnam trouxe indignação e impulsionou o movimento hippie que trazia a paz e o amor como mote.  Mas havia a guerra fria e a possibilidade de uma terceira guerra mundial.  Ainda assim acreditávamos numa evolução que nos libertaria dessas tensões.  Eu sinceramente acreditava num mundo melhor, que as pessoas evoluiriam e que a educação alcançaria a todos, trazendo resultados incalculáveis. Haviam verdades balizadoras, leis físicas imutáveis. Mas as coisas mudaram. Novas descobertas nos tiraram o chão. Descobrimos que as leis físicas que conhecíamos não são as mesmas que se observam nos níveis subatômicos. Também perceb

SANEAMENTO - A UNIVERSALIZAÇÃO NÃO OCORRERÁ SEM QUE O DIREITO HUMANO SOBREPONHA O DA PROPRIEDADE PRIVADA

  São os mais pobres aqueles que têm os direitos violados, incluindo o direito ao saneamento. São eles que ficam fora de investimentos públicos por não poderem se apropriar do espaço que ocupam. Para eles, não existem recursos regulares, mas, acessos irregulares e continuarão assim, independentemente de investimentos públicos, uma vez que ficarão, mais uma vez, fora dos critérios para receber esses investimentos e poderem gozar desse direito. Continuarão desassistidas se não for derrubado o paradigma de que o acesso deve estar condicionado à propriedade do terreno onde vivem. Todos sabem que as famílias mais pobres não têm recursos para comprar imóveis e nem mesmo pagar aluguel, lhes restando apenas a opção da ocupação irregular.   Também é conhecido o fato do saneamento ser um direito humano reconhecido mundialmente, inclusive pelo Brasil.   Estamos condicionando um direito humano à propriedade privada.  Se esse paradigma não mudar, de nada adiantarão investimentos: essa população f

A DOR DO DESAMOR

Trabalho em uma empresa de saneamento. Encontro-me em teletrabalho já há quase três meses. Hoje eu liguei para o telefone de uma senhora, que havia pedido que desativasse uma ligação de acesso à água em uma de suas residências. Ela havia tentado antes, mas, sem sucesso. Como disse, conversei com ela e ela, então, me contou sua triste história. Existiam duas casas no terreno: a da frente, onde ela mora e a dos fundos, onde residia seu filho.  Esse filho certo dia surtou e entrou na casa dessa senhora, deu-lhe uma surra e a deixou caída no chão. Por essa razão, e com a ajuda de vizinhos, o caso foi denunciado, o filho foi expulso da casa e a mesma foi demolida. Essa senhora passou a viver só e com a crise ficou sem renda. Depende de doação de vizinhos para comer. Um irmão, que mora em outro estado, paga as contas de água e luz - segundo ela, o irmão também tem problemas financeiros, mas, não a tem deixado sem essa ajuda. É difícil ver situações assim e eu tenho

TEMPO DE ENFRENTAR A CRISE

“É claro que podes te adestrar num templo, mas o mais difícil é fazê-lo no mundo. Gente existe que repudia tudo que é sujo e conspurcado e se abriga no templo em busca da pureza.   Entretanto, verdadeiramente se adestra aquele que convive com a mentira, a impureza, a dúvida e a competição; enfim, com todos os tipos de tentação, e não se deixa macular. ” (MUSASHI, pag.1723) [1] Viver os tempos de crise nos deixa frente-a-frente com o que a sociedade tem de mais vil. Nas guerras, assim como numa situação como a atual, de uma pandemia, a mentira passa a ser moeda corrente e divide, difama, inflama o ódio e a injustiça. Entretanto, também fortalece o espírito daqueles que procuram a elevação, a iluminação. É justamente nesses momentos que se revelam os carrascos, mas, também se revelam os heróis. Creio que a maior dificuldade reside em apoiar-se em conceitos considerados imutáveis ou enxergar um horizonte utópico. Pensar que tudo o que se propaga é verdade ou que tudo é

MUSASHI, A BUSCA DA VERDADE

Gosto de ler e costumo achar “pérolas” nos livros que tenho oportunidade de conhecer. Atualmente estou lendo o livro Musashi, segundo volume. Ao contrário de outras leituras, esse livro eu estou degustando lentamente, pois, em meio a histórias leves, encontro conteúdos filosóficos muito interessantes. O tema do livro é a vida do maior samurai de todos os tempos, chamado Musashi. A trajetória de sua vida em busca da perfeição é encantadora, passando de uma pessoa rude e violenta para um sábio e notável espadachim. Os fundamentos budistas, trazidos numa história ambientada num Japão de dois séculos atrás, são tão atuais que se aplicam com facilidade aos momentos presentes. Reservei alguns momentos dessa leitura e os coloco em comparação com nosso momento de crise ideológica. Vivemos um pensamento dual e eu creio ser esse nosso pior caminho. Muitos acreditam que existem dois tipos de pensamento, um “de direita” e outro “de esquerda”. Esse pensamento é tão institucionali

O CHORO

As pessoas que me conhecem me classificam como alguém sensível. De fato, sou de chorar com entardeceres e músicas bonitas. Entretanto, este ano em particular tem me trazido muitos choros. Choro ao ver uma criança perder a vida por razão de balas perdidas ou de ações policiais desastradas. Choro a ver o negro americano ser morto à vista de todos, somente porque, desempregado, teria dado um cheque sem fundos. Choro quando vejo ódio nos olhos de políticos e de algumas pessoas as quais me parecem ter sido enfeitiçadas. Choro ao ver cientistas, professores, médicos, artistas e tantos profissionais que nos trazem tantas coisas boas e importantes serem desdenhados por alguns. Choro ao saber que cientistas morreram defendendo ideias postumamente comprovadas e atualmente desdenhadas por pessoas que sequer compreendem a grandeza de suas descobertas. Choro ao ver animais morrendo envenenados pelo lixo humano, florestas sendo derrubadas sem piedade e a lógica consequên

A ETERNA KAREN CARPENTER

Existem momentos em que retorno à minha juventude, à minha primeira conquista amorosa. Eu era tímido e sofria bulliyng, mas mudei de escola e tive a chance de recomeçar sem reputações. Conheci então a menina que, para mim, era a mais bela da escola. Era um pouco mais nova que eu e também tímida. Me apaixonei e tive coragem de pedi-la em namoro numa festa. Ela combinou um encontro no Shopping Ibirapuera – eu morava em São Paulo – e me deu a resposta positiva. Fiquei tão atônito que não sabia o que fazer. Depois ela viria me dizer que eu fui frio naquele momento, mas, o que eu sentia era uma incredulidade infantil. Iniciamos o namoro sempre em visitas que fazia na casa dela, que era caçula e muito protegida pela mãe. Adotei a música “I need to be in love” dos Carpenters como nossa. Ouvia a música incessantemente, com ela e depois que voltava para casa. O amor que eu sentia era tão imenso que eu adorava cada detalhe em meu caminho. Reparava em pássaros, árvores. Me sen

UM CICLISTA DISCURSA NA PRAÇA, E A BICICLETA GANHOU O BRASIL

Um ciclista discursa na praça, e a bicicleta ganhou o Brasil.(autor desconhecido, pois que me disse isso em um sonho no dia de hoje) Hoje sonhei que estava em um lugar e encontrei uma jornalista, diante de um computador, falando por um microfone a frase acima. Os sonhos são estranhos, trazem situações inesperadas. Eu, particularmente, tenho sonhos bem ecléticos, talvez por minha vida ter sido bem eclética. Às vezes sonho com algo tão engraçado que acordo me chacoalhando de rir. Outras vezes, os sonhos são sombrios e acordo angustiado. Mas, não é a primeira vez, este sonho de hoje me trouxe uma frase completa e, apesar de parecer sem sentido, parece estar trazendo muitas reflexões dignas de interpretações as mais diversas.  Esse ciclista, que poderia ser eu, pois tenho minha bicicleta como principal meio de transporte, foi a uma praça para discursar e a bicicleta acabou ganhando o Brasil. Talvez seja uma mensagem do além, de alguém que desejava me dizer que eu p

A VELOCIDADE DO TEMPO E A SINGULARIDADE DE CADA UM

“Como é bom estar viva, respirar e apreciar cada instante, assim como eles são”. Monja Coen O tempo, assim como tudo o mais, está sujeito a um ponto de observação. Interessante esse ponto de observação, que é muito particular e específico, mas, também sofre a influência de quem está a observar. Se eu saio à rua e vejo uma pessoa, além de avalia-lo, eu o percebo assim como a mim mesmo, através de comparações.  Me entendo como gordo se estou em meio a pessoas de menor peso que eu. Me vejo idoso, se em meio a pessoas mais jovens.  Enfim, nossas avaliações partem dessas comparações. Mas, quão melhor seria se nossa observação tivesse como parâmetro a diversidade, a percepção de que somos únicos e, por essa razão, com valores intrínsecos. Assim nos veríamos livres de muitos tipos de comparações. Poderia pensar: sou mais pesado que aqueles que me cercam, o que me torna diferente e particular, me faz um indivíduo. Tenho mais idade do que as pessoas que me cercam, o que sig

SANEAMENTO x COVID 19

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“Em tempos de  pandemia , o descaso de décadas em investimentos aumentará as injustiças e desigualdades de um povo que não tem esgoto tratado ....” (ESTADÃO.com)* A questão do saneamento básico no Brasil, alvo das atenções por razão do histórico descaso dos governos no atendimento à população, com o cenário atual da pandemia mostra seu lado mais cruel: infectados pelo COVID 19 em regiões mais pobres tem mais chances de morrer e os números começam a provar essa triste realidade. É do conhecimento que o investimento em saneamento reduz consideravelmente a necessidade de investimento em saúde. Alguns proclamam que essa razão seria de um para quatro, ou seja, para cada um real investido em saneamento, corresponderia a quatro reais investidos em saúde – existem controvérsias acerca desse raciocínio, mas, é possível dizer que a razão de retorno positivo é verdadeira. É também do conhecimento, que a questão do saneamento tem peso na avaliação do desenvolvimento humano d

PORTAS QUE SE FECHAM, HISTÓRIAS QUE SE PERDEM

Aqui eu ensaio colocar o vazio que existe em mim. Por essa razão, me faltam as palavras, assim como o assunto. Tenho tempo, posso me dar ao luxo de não ser interrompido, tenho um computador e posso escrever. Mas, as palavras não saem. Estou repleto de memórias, lembranças boas. Lembrança de meus filhos ainda crianças, a casa cheia de vida, de vozes, correria e brincadeiras. Houve um tempo em que meu horário de trabalho me concedia uma hora e meia de tempo para almoçar. Nesse tempo, eu corria pra casa para dançar com minhas filhas as músicas da Xuxa. Nos domingos, alternávamos entre as casas dos avós, onde a família se reunia. Almoçávamos uma comida que só mães e sogras sabem fazer e espreguiçávamos nas cadeiras, desperdiçando conversas leves, enquanto as crianças corriam nos quintais. Houve um tempo em que eu chegava em casa e tinham crianças me esperando, além de cães adoráveis. As crianças cresceram, saíram de casa. Os avós morreram, suas casas foram vendidas ou