Tuesday, December 29, 2015

SUPERPOPULAÇÃO OU SUPEREXPOSIÇÃO ?


Segundo cálculos da Footprint Network o mundo tem 12 bilhões de hectares globais de biocapacidade para atender todo o impacto das atividades antrópicas (equivalente a 120 bilhões de km2 dos 148,9 bilhões de km2 da área terrestre do globo).[1]         
 
                                  
Viajei por muito tempo pelo interior do estado de São Paulo, o mais populoso do país, na maior parte das vezes de automóvel e sempre me chamou à atenção a quantidade de terra desocupada entre as cidades. Aprendi com um amigo antigo, que o caminho é a melhor parte da viagem. É interessante ver a quantidade de terras plantadas, áreas verdes, às vezes pastos, rios, riachos e lagos. Animais pastando. Aproveito, sempre que posso, para aproveitar as paradas, conhecer a arte, os alimentos típicos e os encantos dos interstícios. Mudei-me para o sul do país e a paisagem não é diferente: grandes espaços entre as cidades, verde, pastos, fazendas, animais, paisagens deslumbrantes.

Na Figura 1, percebemos a quantidade de área verde no estado de S. Paulo, com pequenos espaços, salpicados aqui e ali, no meio de toda uma região desocupada.

Figura 1


Fonte: Google Maps


Penso calado: porque se fala tanto em superpopulação? Se o texto extraído que trago a essa discussão estiver correto, somos quase 7 bilhões de pessoas no mundo para um espaço de 12 bilhões de hectares, ou seja, mais de um hectare de terra por pessoa. Penso calado porque essa reflexão parece herética, na contramão do discurso contemporâneo. Vem-me à mente a contradição entre o que observo e o que leio e escuto pelos meios de comunicação. Essa aparente contradição parece levantar algumas questões. Estaríamos nos concentrando em centros onde os recursos encontram-se disponíveis, num modelo de ocupação ilógico, aparentemente irracional.

Outra questão a se levantar é a total credibilidade que damos às informações que recebemos, sem questionamentos. Cremos em informações que nos trazem os meios de comunicação e fechamos os olhos para o que está visível, ao alcance de nossos olhos?

É preocupante imaginar que os meios de comunicação nos apresentam um mundo totalmente diferente daquele que observamos e nós, com aparente letargia, tomamos no como verdadeiro, ignorando o que os nossos sentidos percebem. Já não cremos mais no que vemos? Pior: negamos-nos a ver o que se nos apresenta pelos sentidos naturais, rendendo-nos ao que se toma culturalmente como verdade?

Não quero dizer aqui que sou contra o que se relata com relação à degradação do meio ambiente, pois, isso eu também posso constatar no dia-a-dia. O que coloco em discussão é o que se divulga sobre o planeta, uma vez que parece não ser coerente com o que observo.

Parece teoria de conspiração, mas, quando vemos que os maiores responsáveis pelos desequilíbrios ambientais são justamente aqueles que nos impõem essas questões, ficam, para mim, algumas hipóteses em suspensão.

Até que ponto somos responsáveis, até que ponto somos vítimas e, até que ponto estamos informados do que de fato ocorre no planeta?







Tuesday, November 24, 2015

DOR – IDENTIDADE E AFETO


Penso , logo existo, é uma afirmação de um intelectual que subestima as dores de dente. Sinto, logo existo, é uma verdade de alcance muito mais amplo e que concerne a todo ser vivo. Meu eu não se distingue essencialmente do seu eu pelo pensamento. Muitas pessoas, poucas ideias: pensamos todos mais ou menos a mesma coisa, transmitindo, pedindo emprestado, roubando nossas ideias um do outro. Mas se alguém pisa meu pé, só eu sinto a dor. O fundamento do eu não é o pensamento, mas, o sofrimento, sentimento mais elementar de todos. No sofrimento, nem um gato pode duvidar de seu eu único e não intercambiável. Quando o sofrimento é muito agudo, o mundo desaparece e cada um de nós fica só consigo mesmo. O sofrimento é a Grande Escola do egocentrismo. (KUNDERA Milan, 1990, “A Imortalidade”, p.197).


O sofrimento nos identifica e, através dele, buscamos nosso espaço no ideário social. O sofrimento parece explicar tudo, atenua nossos erros, eleva nossas conquistas: não estamos nós vivendo a era da “superação”?  Superação pressupõe enfrentamento a alguma adversidade. Quantos de nós encontramos sentido na vida através de uma doença, de uma mutilação ou de uma deficiência. É preciso mostrar o sofrimento para alcançar o olhar da sociedade? Quantos povos tornam-se conhecidos após uma tragédia, ou quando migram por conta de guerras e conflitos. Analisando o recente movimento migratório do Haiti para o Brasil, não foi o sofrimento que esse povo viveu no terremoto devastador que os credencia a serem aceitos e defendidos? Mas então, o ser humano, sem sofrimento, perdeu a sua identidade, a sua importância?

Envergonhamo-nos em dizer que não sofremos. Resta, então, dedicar-se ao sofrimento alheio, engajar-se na luta pelos que sofrem – se não tenho sofrimento, vou à busca de quem sofre, para resgatar a minha identidade, meu sentimento de utilidade e afeto.

Se me torno famoso, experimento os benefícios do consumo e da fama, mas, se não me mostrar sensível a alguma causa que venha a lidar com o sofrimento alheio, se não crio uma Fundação assistencial, não me envolvo em algum projeto social, corro o risco de perder o reconhecimento, o afeto.

O planeta e a natureza sofreram, por anos, com a exploração humana sem que muitas civilizações se dessem conta disso, até que os recursos começam a se exaurir, que animais começam a morrer, fenômenos climáticos começam a causar tragédias. Surge, aí, o amor ao planeta e à natureza, mas, foi preciso a dor como catalizadora desse sentimento.
Então a dor seria o passaporte para o afeto? Seria ela a derradeira fórmula para que eu me torne humano?

O estudo realizado por Cynthia A. Sarti, Antropóloga, Doutora em Antropologia Social pela USP, denominado “A DOR, O INDIVÍDUO E A CULTURA”, traz a reflexão da dor como manifestação social e, a forma pela qual é constituída, como parte da trama social instituída.

O lugar social do sujeito qualifica a sua dor e determina a reação do outro em face da sua dor. Nas distinções de classe social, o sofrimento e o sentimento da dor dos despossuídos aparecem como “naturais”. Esta concepção é interiorizada, tornando difícil, para os socialmente desfavorecidos, conceber, para si, a idéia de bem-estar, suposto atributo da classe dominante. Esta auto-desvalorização, um dos mais perversos efeitos da desigualdade social, expressa o que Pierre Bourdieu chamou de “violência simbólica”, isto é, quando o dominado age e pensa contra si próprio, internalizando como legítimos os mecanismos de sua dominação.6 Isto pode ser evidenciado na cena observada em serviços públicos de saúde, dirigidos à população socialmente desfavorecida, quando esta, ao se considerar bem atendida, agradece, surpresa, a atenção recebida, como se ser bem tratada fosse algo sempre inesperado. (SARTI Cyntia A., disponível em http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v10n1/02.pdf , pesquisado em 24/11/2015)

A dor seria, então, uma construção cultural, que define as formas de manifestação, diferentes em função do posicionamento social de quem a manifesta. Segundo essa estudiosa, “sentir a dor do outro” pode reforçar a condição dominador x dominado, estabelecendo os papeis de estratificação social.

A relação entre os dois autores mencionados tem lugar comum no quesito da manifestação da dor como o olhar egocêntrico e culturalmente engajado, tendo causas e efeitos como elementos do jogo social. A dor seria, ao mesmo tempo, um apelo ao afeto e o reforço das estruturas sociais estabelecidas.

Será mesmo?


Monday, October 05, 2015

Artigo publicado - "Uma via em disputa: Rua do Príncipe, 1986 e 2004"

A minha Dissertação de Mestrado foi objeto do artigo publicado na revista Confluências Culturais, publicado nesta data (05/10/2015).



Com o  título "Uma via em disputa: Rua do Príncipe, 1986 e 2004", pode ser lido em sua integra no endereço:  http://periodicos.univille.br/index.php/RCCult/article/view/131/158 .

Com a orientação da professora doutora Ilanil Coelho, coloco aqui o resumo:

Resumo: O artigo analisa disputas travadas em processos de intervenção urbana tomando como referência de estudo a Rua do Príncipe, em Joinville, Santa Catarina. A pesquisa realizada focalizou dois projetos de intervenção que pretenderam articular a preservação do patrimônio cultural e que tiveram efeitos opostos. Diante disso, buscou-se compreender quais os fatores que têm orientado e que têm adquirido maior importância para a gestão pública do espaço urbano. A interpretação dos acontecimentos permitiu refletir sobre os usos sociais da rua, bem como sobre os propósitos que movem os projetos de intervenção em contextos diferenciados.

Palavras-chave: patrimônio cultural; memória; intervenções urbanas; usos da rua.  

João Abeid Filho 
Mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade pela Universidade da Região de Joinville (Univille), pósgraduado em Marketing pelo Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa (Ipep) e graduado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

Ilanil Coelho
Doutora em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e graduada em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

 Uma via em disputa: Rua do Príncipe, 1986 e 2004 | 21 v. 4 | n. 2 • setembro de 2015 • ISSN 2316-395X



Sunday, September 27, 2015

NO MEU TEMPO ERA ASSIM.....

É comum ouvirmos dizer: “no meu tempo era assim..”,dito por pessoas que já não são mais jovens, mas, decidi trazer esse assunto para discussão por entender que trata-se de um engano pensar desta maneira. É interessante levantar dados para essa discussão.

Qual a proporção de jovens na população brasileira?

O gráfico a seguir, foi obtido em pesquisa ao site do IBGE e reflete os resultados alcançados no último senso brasileiro, no ano de 2010[1].



Os resultados são interessantes nessa análise e, para melhor compreensão, decidi fazer alguns  cruzamentos. A população brasileira em 2010, era de 190.755.799 habitantes e, muito embora as maiores concentrações de idade se dêem na faixa entre os 5 a 34 anos de idade (índices iguais ou superiores a 8% por faixa, somados homens e mulheres), podemos concluir que, juntos, representam 52% do total. Portanto, temos pouco mais da metade da população de jovens no país e outra quase metade de pessoas em outras faixas etárias.

O recém-criado Estatuto da Juventude, Lei 12.852/2013 - que determina quais são os direitos dos jovens que devem ser garantidos e promovidos pelo Estado brasileiro, define como jovens as pessoas com idade entre 15 e 29 anos[2].

Voltando aos números, concluiremos, portanto, que o número de “jovens” no Brasil era de 51.340.473 habitantes, oi seja, 27% da população. Isso nos remete à contrapartida de que existem 73% habitantes que não são jovens. Se retirarmos as primeiras faixas etárias, de zero a 14 anos, seremos, então, 49% compostos por habitantes “não jovens” e “não crianças”.

Mas o principal desta análise que desejo captar, é a fundamentação para a frase “no meu tempo...”.  Ora, para os vivos, este tempo presente lhes pertence, independente da idade em que se encontram.

E quanto à população economicamente ativa?

Voltemos aos números:  se buscarmos a população economicamente ativa na sociedade brasileira, no ano de 2011, chegaremos aos números expostos na tabela a seguir[3].



Vemos que a população economicamente ativa apresenta as maiores concentrações a partir dos 30 anos de idade, ou seja, os “não jovens” são os que mais encontram-se em atividade no mercado de trabalho, o que é natural e compreensível, uma vez que grande parte dos jovens está em formação profissional.

Mas, se os jovens não são maioria, nem em presença, nem em atividade econômica, como os “mais velhinhos” podem dizer “no meu tempo era assim...”? 

Essa frase me parece mais ligada à memória de um tempo em que se a pirâmide etária era diferente: é verdade que a população está “envelhecendo”, as pessoas estão vivendo mais e com mais qualidade, são “produtivas” por um período maior de tempo e um número menor de crianças tem nascido, numa tendência que aponta para um futuro com menos jovens e mais adultos ou idosos.

Mas, existem mais facetas nesse discurso que merecem nossa atenção, como o fato de que as tecnologias de comunicação e conectividade, tidas como a marca das novas gerações, ser fruto de pesquisas e processos liderados por pessoas de gerações anteriores, muitos deles ainda vivos e atuantes, como, por exemplo, o tão conhecido Bill Gates, atualmente com 59 anos de idade.

Neste momento histórico, o que pode representar a diferença de gerações, são certos traços comportamentais, mas, dizer que o tempo atual pertence aos jovens é um grande equívoco, assim como pensar que, sendo “não jovem”, você está fora de seu momento no mundo é igualmente errôneo.

O “meu tempo” é agora, assim como o é para pessoas de qualquer idade: estamos vivos, atuantes e, muitos de nós, economicamente ativos, portanto, somo protagonistas deste momento e do futuro, quando desenvolvemos novos projetos.

O que talvez tenhamos a refletir é o desrespeito crescente com os mais idosos, que deixaram de ser tidos como conselheiros para serem tidos, muitas vezes, como cidadãos desatualizados, improdutivos e, portanto, descartáveis.

Vamos rever nossos conceitos acerca de “nosso tempo”?

Tuesday, September 08, 2015

HISTÓRIAS URBANAS – episódio 3



Para aqueles que não me conhecem, cabe a repetitiva introdução: trabalho no Núcleo Social da Companhia Águas de Joinville – empresa de saneamento municipal - e minha missão é o atendimento a pessoas com problemas socioeconômicas e ou com problemas de mobilidade. Visito muitas famílias na cidade e decidi registrar as histórias vividas nesses contatos diários.

Esse episódio é dedicado ao Loteamento José Loureiro, região que já foi uma ocupação em que famílias construíram casas rústicas encima do mangue.

No início, o local era conhecido como Juquiá. Procurei o significado desse nome e encontrei as seguintes descrições:

“... Juquiá (que em tupi-guarani significa “corvo de boca larga”, para alguns estudiosos, e/ou “rio sujo e armadilha para pescar peixe”, para outros).[1]

“O nome Juquiá, em Tupi-guarani, significa "rio sujo" ou "armadilha para peixe". instrumento de pesca muito utilizado pelos índios.[2]


Uma moradora local, entretanto, revelou-me que esse nome, “Juquiá”, significa “toca de carangueijo”, o que era tido como pejorativo e preconceituoso para as famílias que ali moravam.

Em algum momento, a Secretaria de Habitação nomeou o local como Loteamento José Loureiro, em homenagem a um religioso já falecido, atuante na cidade pela Igreja Assembleia de Deus.

Antes de prosseguir, preciso adiantar as razões que me levaram a esse local. A Secretaria de Habitação de Joinville está desenvolvendo um trabalho de regularização dos lotes, o que significa a tentativa de dar aos moradores, num futuro ainda incerto, a possibilidade de obterem a escritura definitiva de posse do local onde habitam. A empresa de saneamento foi chamada a ser parceira na identificação das famílias e para a indicação daquelas que ainda não tiveram acesso à água de forma regular, pela impossibilidade de acesso a documentação fiduciária.

Nem todas as quadras foram contempladas, mas, em três semanas, realizamos a visita a 371 famílias, num trabalho porta-a-porta, ocasião em que histórias curiosas surgiram, algumas delas decidi trazer ao conhecimento do leitor.

O ÍNDIO

O bairro Loteamento José Loureiro não possui Associação de Moradores. Quem os representa é o presidente da Associação de Moradores do bairro Ulysses Guimarães, o Sr Antenor, mais conhecido como o “Índio”.
Conversei com o “Índio” no dia 20 de julho de 2015, na Cia. Águas de Joinville, ocasião em que o mesmo me revelou ser, de fato, descendente de índios.

Quando entramos no bairro, um pensamento me veio à mente: estou num local que pode ter sido dos índios, antes da colonização, tendo sido tomado pelos colonos e hoje é considerado como área irregular, tendo um índio como representante, que busca a sua regularização. O índio antes proprietário é hoje considerado um “invasor”, que luta pela posse de sua terra. Isso é curioso, senão irônico.

Apesar do “Índio” dizer-se responsável pelos benefícios levados ao bairro até o momento presente, no Loteamento José Loureiro não encontramos muitas pessoas que o conhecessem.

Como sempre ocorre quando entro em um bairro em processo de regularização, ouço pessoas (de fora) me alertando sobre o perigo em andar pelo local, sobre moradores estereotipados, coisa que nunca encontrei, de fato, salvo situações de exceção. Não foi diferente nesse lugar: o bairro é um caldeirão de pessoas com situações socioeconômicas distintas. Encontramos pobres, mas, também encontramos muitas famílias de classe média e alguns com renda elevada. Qualquer tentativa de descrição dos moradores de maneira homogênea está condenada ao insucesso. O comércio se apresenta muito presente, como resultado de protagonismo de sobrevivência, mas, existem mercados já de médio porte, em ruas asfaltadas.
Muitas famílias vivem da reciclagem.

A ocupação continua em curso, com novas casas sendo levantadas e desenhando novas quadras no mapa do bairro “não oficial”.



JIBATAS ou JABIRACAS

Tobatas são pequenos tratores, mas, no Loteamento José Loureiro, serviram de inspiração para carros muito criativos.

Chassis de Chevette, motor de motocicleta 125 cilindradas, cambio com marcha ré e freio de mão, carroceria de metal e madeira: um carro feito do resto de outros, que carrega até 1 tonelada de recicláveis. Segundo o seu proprietário, “só não dá pra subir ladeira”.




A partida é dada no pedal, na frente do veículo, como se faz com as motos de pequeno porte.




Assim são esses veículos que circulam pelo bairro, carregando materiais descartados para locais onde serão separados e vendidos para reciclagem.

Alguns são fabricados por seus proprietários, mas, um morador me disse que são comprados em cidades vizinhas. Encontrei três versões: além da descrita antes, as outras duas usam motores de tobatas, motivo do apelido de “Jibatas”, que seria o resultado híbrido de Jipe com Tobata.

Criatividade sem fim, os bancos são de ônibus, com apoios para os braços, volantes esportivos e outros acessórios, tudo, é claro, muito rústico, quase um carro dos Flintstones da era contemporânea, dispensando os pés humanos para se deslocar.






A CASA SOBRE PEIXES

Encontrei uma casa, construída em madeira sobre o mangue, o que não seria novidade, senão pelo fato de seu construtor não ter tido o cuidado de aterrar o local. Assim, corre um veio de água debaixo da casa e, segundo o morador, foi retirada parte do piso da sala, onde é possível que se vejam peixes passando por debaixo. Não consegui registrar essa cena, mas fiquei contente em fotografar uma carcaça de peixe que o morador diz ter sido pego por cães dentro de sua casa.








“SEO ANTONIO” E SEU “NETO”


Numa das visitas, encontramos um senhor que estava sentado numa cadeira em frente de sua casa. Após conversarmos com ele, questões sobre cadastramento, ele me chamou para que conhecesse “seu netinho”. É comum esse tipo de envolvimento em nossas visitas, onde, via de regra, somos recebidos com muito carinho pelas famílias. Entretanto, o “netinho” do Seo Antônio não era humano, mas um “pintinho”. Na casa, dentro até mesmo de um armário no quarto, galinhas chocam ovos e alguns pintinhos recém-nascidos. Seo Antônio fez questão de ser fotografado com seu “netinho”.



O contato com comunidades é sempre enriquecedor, bastando o olhar atento e o deixar se levar pelas divertidas situações que se desenrolam diante de nós, mostrando que nosso mundo é muito mais interessante do que podemos imaginar e que muito se pode descobrir num raio de poucos quilômetros de onde moramos.

Sunday, August 23, 2015

BRASILEIRO É ASSIM....

 
Existe um painel criado no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)[1], onde podemos acompanhar o número de pessoas que vivem no Brasil em tempo real. O tempo médio para que acrescente um novo cidadão no painel é de 19 segundos. Na visita que fiz em 23 de agosto de 2015, o número de habitantes havia alcançado a incrível marca de 204.707.223. Em outra, encontrei um número maior, nesse mesmo dia: 206.955.124 habitantes[2]. Desse total, 49,2% é de homens, enquanto 50,8% são mulheres. Apenas nesse dia, o Brasil ganhou mais 4.680 habitantes.

Esses números dão uma dimensão sobre a tolice em se dizer “brasileiro é assim....”, pois, seria impossível que tanta gente fosse tão igual e, portanto, merecedora de qualquer tipo de rótulo.
Para incrementar esse caldeirão de raças e diversidade de origens migratórias, sabemos que existem tantas subculturas dentro de nosso país, que, ao conversarmos com pessoas de diversas regiões, evidenciaremos os diferentes sotaques e maneiras de expressão.

Qualquer tentativa de classificar o povo brasileiro com algum tipo de característica comum, não terá a menor possibilidade de sustentação científica – a estatística já é por si a primeira barreira, face à grandeza numérica já mencionada.

Mas outra questão que emerge é a de que essa expressão que precede muitas conversas por aí – “brasileiro é assim...” – vem de brasileiros e a pergunta imediata seria: se o brasileiro é assim, quem está colocando a questão, sendo brasileiro, assume também esse rótulo? É aí que se configura uma situação curiosa: imagino alguém que, sendo brasileiro, coloca-se à parte, como sendo pertencente a alguma classe de exceção, única capaz de enxergar os demais compatriotas e “perceber” que todos são merecedores de algum tipo de “rótulo”, sendo o protagonista um observador privilegiado. Nada mais arrogante e absurdo.

Vamos, então, perguntar: que tipo de brasileiro está se referindo? Homens ou mulheres? De que extrato socioeconômico? Mas, ainda assim, seriam todos os homens iguais? Ou todas as mulheres com a mesma característica? A idade dessas pessoas contaria? Seus credos, a origem de suas famílias? Nada disso nos levaria a algum dado confiável.

O que ocorre com o país tem a ver com seu processo histórico e suas influências nos mecanismos de poder que definem a qualidade da educação, da saúde e de acesso à cidadania. Assim sendo, o povo brasileiro é diverso, mas, o que existe em comum, é a condição política e sociológica que criam o cenário onde essas pessoas se relacionam e desenrolam suas histórias pessoais.

Em minha opinião, não seria correto dizer “o brasileiro é assim...”, mas talvez, “o brasileiro está sujeito a....”.  Melhor pensando, seria melhor dizer: “Quero mudar o Brasil, e, para isso, vou oferecer minha contribuição...”.




Saturday, June 27, 2015

PROJETO CAIXA D'ÁGUA SOCIAL




O Núcleo Social da Cia Águas de Joiniville está implementando o projeto Caixa D'água Social, doando, em parceria com a empresa Tigre Tubos e Conexões, 20 kits de caixa d´água para famílias que residem em bairros com maior incidência de falta de água e sem condições financeiras para assumirem os custos da colocação desses recursos.

A experiência nos trará importantes informações sobre o comportamento dessas famílias ao longo do projeto, que prevê o acompanhamento, atualização cadastral, negociação de dívidas e inclusão na tarifa social.

Os primeiros resultados começam a aparecer: das 17 famílias já contempladas, duas estavam em condições de consumo por meios irregulares e optaram por tornarem-se clientes regulares.

Até este momento, o retorno tem demonstrado que a aproximação da empresa nos bairros traz retornos positivos, com ganhos para todos os envolvidos: clientes e empresa.

Idéia plantada pela assistente social Julia Rech Sincero e colocada em prática por mim e pela assistente social Alessandra Oechsler, contemplou ainda a formação de 18 moradores em curso profissionalizante de instalações hidráulicas no centro de treinamento da Tigre. 

Outro parceiro importante tem sido a Secretaria de Assistência Social, que colocou os CRAS à disposição para inscrição de novos alunos para os cursos, além de oferecer passes de ônibus para aqueles com perfil social compatível.



Tuesday, June 23, 2015

HISTÓRIAS URBANAS – episódio 2


No dia dois de abril de 2015, fomos procurados por uma senhora que nos trouxe uma situação caótica em que vivia sua sogra, cujo nome convenciono aqui chamar de “Dna. Maria B”, para preservar a sua identidade.

Estive, então, no local e o que vi me deixou perplexo. Tratava-se de uma pessoa com um sério problema de queimadura em uma de suas pernas que a impedia de andar. Havia uma ferida aberta e purgante, que exalava um odor pútrido e impregnava o ambiente. A habitação consistia de um pequeno cômodo de madeira, sem banheiro: apenas suficiente para acomodar uma cama, uma cadeira, uma pia e um fogão.

Essa precária construção encontrava-se em um terreno elevado, cercado de mato crescido, configurando uma cena de total abandono.



Era uma sexta-feira e saí dali abalado. Cheguei em casa e chorei copiosamente. Apesar de minha experiência de décadas com situações semelhantes, não consigo me “acostumar” com histórias assim. Em minha mente vem a questão do abandono que certas pessoas enfrentam, levando uma vida comparável a de um animal confinado. Que triste destino para aquela pessoa, aquele ser humano que, independentemente de sua história pessoal, vivia de forma sub-humana.

Tendo uma viagem agendada para a semana seguinte, passei o caso para a assistente social, que foi ao local na semana seguinte. Assim como eu, sensibilizou-se com a situação e começou a mover o que chamamos de “teia social”: foram acionados o Centro de Referência de Assistência Social - CRAS e o Posto de Saúde – PA, que realizaram visitas e iniciaram um movimento de transformação na situação daquela senhora.

A “Dna. Maria B”  está sendo medicada. Alcoólica, conseguiu parar de beber, por iniciativa própria, e hoje passa o tempo com o tricô. Um de seus filhos decidiu ajudar: construiu um banheiro e limpou o local, que hoje tem até mesmo uma cerca e portão.

Ainda existe um longo caminho para que a vida dessa senhora possa chegar a um nível que possamos considerar de dignidade humana, mas, certamente, esse caminho já começa a ser percorrido.

A história começou a mudar com a iniciativa de sua nora, que buscou ajuda e catalisou um processo que desejamos que seja irreversível. Parte do sucesso deve-se à percepção de “Dna. Maria B” sobre a preocupação de algumas pessoas com sua saúde e conforto, o que a fez buscar uma melhor qualidade de vida. O abandono que a levou a situação caótica em que se encontrava teve fim, enfim.

Em 9 de junho de 2015 estivemos no local e fizemos a foto que mostra parte dessas mudanças. Mudanças significativas, resultante de pequenas -  mas fundamentais - atitudes.





Wednesday, June 10, 2015

HISTÓRIAS URBANAS - episódio 1


Para aqueles que visitam este blog pela primeira vez, esclareço que trabalho na Companhia Águas de Joinville, uma empresa de Saneamento básico na cidade de Joinville/SC. Recentemente foi criado o "Núcleo de Atendimento Social - NAS", onde realizo atendimento em campo para famílias em vulnerabilidade social e pessoas com deficiências. Comigo atuam duas assistentes sociais: Julia e Alessandra.

Inicio aqui relatos de vivências nossas em campo, as quais selecionamos para que sejam preservadas, em função do impacto que causaram em nossas vidas.

A história de hoje é da Dna. Maria.

Em um dia do mês de maio de 2015, eu e a assistente social Alessandra, do Núcleo Social da Companhia Águas de Joinville, estivemos na residência de uma senhora que chamarei aqui de Dna. Maria, para preservar sua identidade.

Havia uma questão relacionada à Tarifa Social e que precisava ser esclarecida, para evitar o descadastramento. Ao chegarmos à residência da Dna. Maria, a mesma demorou em atender-nos e, após algum tempo, veio cambaleando até o portão. 

Percebemos que não estava bem, o que a mesma confirmou, informando-nos tratar-se de alteração no nível de glicose. Diabética e idosa precisava de atendimento médico. 

Disse-nos que seu irmão viria em breve, mas, após algumas considerações, soubemos que o irmão poderia passar, pois o fazia com frequência, mas, não estava ciente do estado de saúde dela e, portanto, poderia não passar naquele dia. 

Descobrimos que Dna. Maria não tinha créditos em seu celular o que a impossibilitava de chamar o irmão. Assim sendo, decidimos avisá-lo com meu celular particular. O irmão, então, se prontificou a buscá-la imediatamente.

Não achamos prudente obter o comprometimento da Dna. Maria em um termo a ser assinado, em um dia em que não se sentia bem e postergamos a solução do problema para nova visita futura.
Ao sairmos, Dna. Maria disse à assistente social Alessandra, que não tínhamos ido em vão à sua residência, pois, Deus opera com as pessoas da forma que lhe convém: nossa ida teria sido importante para que pudéssemos chamar o seu irmão. Contou-nos então a seguinte história, a qual desejo registrar aqui.

Havia numa pequena cidade, um homem muito rico e poderoso, mas, igualmente cruel e malvado. Todos o temiam na cidade. Em certo dia, uma senhora muito idosa e doente, além de pobre, viu-se sem alimentos em sua dispensa e, com fome, procurou ajuda com os vizinhos. Um radialista, sensibilizado, decidiu comunicar aos ouvintes da cidade, transmitindo a mensagem da senhora que pedia ajuda a algum “anjo, filho de Deus” que lhe trouxesse alimentos.

Ouvindo o apelo pelo rádio, o tal homem poderoso, cruel e malvado, chamou seu assessor e deu-lhe a missão de comprar mantimentos no melhor mercado da cidade, em quantidade suficiente para um ano, escolhendo produtos de primeira qualidade. Mas, havia uma instrução que deveria ser seguida: ao entregar os mantimentos, o assessor deveria dizer à senhora que quem havia lhe mandado os mantimentos teria sido o “diabo”.

Assim fez o assessor: foi ao melhor mercado, encheu uma perua com mantimentos de primeira qualidade e em quantidade para suprir a senhora por um ano. Chegou, então, à casa da senhora e começou a descarregar a perua, levando os mantimentos para a casa e, apesar de tentar lhe contar quem havia enviado a encomenda, a senhora não dava chances, agradecendo constantemente a Deus pela sua sorte.

Entregues todos os mantimentos, enfim, o assessor conseguiu dirigir-se à senhora que, cansada, deu uma pausa em seus agradecimentos: “a senhora não vai me perguntar quem lhe enviou esses mantimentos?” perguntou o assessor, ao que a senhora prontamente respondeu: “não preciso saber Sr. assessor, pois, quando Deus quer, até o diabo obedece.


Dna. Maria foi levada ao posto de saúde naquele mesmo dia e passa bem. A situação comercial foi resolvida e ela manteve o direito à Tarifa Social. A história nos sensibilizou e mostrou-nos a importância de nossos contatos em campo, tanto para os clientes, quanto para nós, por tudo o que aprendemos.







Tuesday, June 09, 2015

NÚCLEO DE ATENDIMENTO SOCIAL ( Cia Águas de Joinville ) na 45ª ASSEMBLÉIA NACIONAL DA ASSEMAE


O Artigo "“NÚCLEO DE ATENDIMENTO SOCIAL IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO SOCIAL NUMA EMPRESA DE SANEAMENTO”, foi apresentado na categoria "oral" na 45ª ASSEMBLÉIA NACIONAL DA ASSEMAE, em 27 de maio de 2015, em Poços de Caldas/MG.

Publico aqui um resumo da apresentação.





CENÁRIO em Joinville quando da criação do NAS:

Demanda de clientes com perfis de vulnerabilidade social;
•Novos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida do Governo
 Federal;
•Atendimento aos clientes com dificuldades de mobilidade.

Ações começaram a ser estruturadas a partir de 2011 e em janeiro de 2014, foi criado o Núcleo de Atendimento Social - NAS.

NAS: OBJETIVO GERAL

•   Gerir os processos de atendimento social presencial e em campo para clientes em vulnerabilidade social e/ou com problemas de mobilidade, garantindo, assim, o cumprimento das resoluções e regulamentos internos da Companhia de Saneamento, com foco na recuperação de clientes clandestinos e redução da inadimplência, garantindo aos clientes atendimento justo e com compromisso social.


NAS: ATIVIDADES

1.      1.  VISITAS SOCIAIS

•     Abertura de ordem de serviço chamada “Visita Social/Atendimento Pró-acessibilidade”. Objetivo: evitar o deslocamento do cliente nos postos de atendimento. Instituições sociais externas, como Secretaria de Assistência Social, CRAS, Centro de Convivência do Idoso, entre outros, também encaminham clientes ao Núcleo.

      A visita domiciliar possibilita a apreensão da realidade social dos clientes, contribuindo para pautar a intervenção adequada a cada situação. 

2.    GESTÃO DA TARIFA SOCIAL

•     A gestão pelo NAS possibilita o maior conhecimento sobre o processo de concessão do benefício, tornando possível a identificação de distorções e garantindo maior qualidade à prestação do serviço, tanto do ponto de vista dos clientes beneficiados, quanto do ponto de vista empresarial: o benefício é direcionado a quem dele de fato tem direito.

  3.                 3.  PRÓ-ACESSIBILIDADE

•   O cliente idoso, acamado ou deficiente pode solicitar atendimento em sua residência através de nosso atendimento telefônico. Além do atendimento domiciliar, são realizados eventos de capacitação sobre acessibilidade com a parceria de instituições de deficientes para os atendentes dos postos de atendimento, assim como para os atendentes da central de atendimento telefônico.

•       Através de banco de dados, clientes selecionados são acompanhados mensalmente para que ações sejam tomadas em caso de possibilidade de corte. 


     4.   RECUPERAÇÃO DE CLIENTES INADIMPLENTES E/OU CLANDESTINOS

•       São oferecidas soluções adequadas para cada situação específica, em busca do êxito na negociação. São abatimentos no valor da dívida para clientes que se enquadrarem nos critérios do benefício da Tarifa Social e condições especiais de parcelamento. A análise é realizada a partir da situação socioeconômica do cliente, condições de pagamento ofertada e histórico do cliente. 


     5.            ATENDIMENTOS A CONDOMÍNIOS POPULARES MINHA CASA MINHA VIDA                  (MCMV)

•      Acompanhamento às situações relacionadas à água e esgoto e apoio em ações socioeducativas para condomínios verticais do Programa Minha Casa Minha Vida - Recursos FAR. É praticado o relacionamento estreito com os síndicos e atendimentos in loco. O Núcleo realiza também o cadastramento de famílias, enquadramento na Tarifa Social, visitas domiciliares para resolução de questões como inadimplência, possíveis vazamentos, faturamento, entre outras.


NAS: RESULTADOS

Resultados alcançados em 2015.

Retorno: R$ 269,02 por OS atendida
Não temos o objetivo maior de recuperação de dívidas, mas, conseguimos recuperar pendências financeiras através da aproximação com o cliente em campo.

Os resultados atestam o sucesso da nova organização nas atividades sociais. O NAS atende sua função de possibilitar o atendimento ao cliente, respeitando, sobretudo, àqueles com limitações socioeconômicas e de acessibilidade para que tenham assegurados os direitos de acesso aos serviços de saneamento em canais de comunicação coerentes e inclusivos. 





Friday, March 27, 2015

PARABÉNS: VOCÊ ME ACHOU !!!!



“Há mais ou menos 500 mil anos atrás, surgiu o homo neanderthalensis, que é considerado o primeiro ser humano como nós conhecemos hoje. É claro que eles foram extintos, dando lugar ao homo sapiens, que somos nós, mas devido as grandes semelhanças, podemos dizer que os neanderthalensis foram os primeiros humanos do planeta.[1]”(Minilua.com, 2015)

“População mundial hoje: mais de 7 bilhões de habitantes[2]. A população cresce este ano na ordem de 19 milhões de indivíduos.” (Worldometters.com, 2015).

“A conta final nem sempre é unânime. Mesmo assim, os números são astronômicos. Segundo estudos de astrofísicos da universidade norte-americana Harvard, existem pelo menos 17 bilhões de planetas parecidos com a Terra apenas na Via Láctea. Se ampliarmos a pesquisa para qualquer tipo de planeta (como os parecidos com os gasosos do Sistema Solar), os astrônomos calculam cerca de 100 bilhões de planetas.[3]” (Noticias.Uol.com, 2015)

Nos imaginados 17 bilhões de planetas parecidos com a Terra, você nasceu aqui. Dos 500 mil anos de existência humana, você está aqui nesta data. Entre mais de 7 bilhões de habitantes no planeta, você me encontrou.

Qual a probabilidade estatística deste encontro?

Não é difícil imaginar algo muito mais difícil do que ganhar um prêmio na loteria. O que eu consigo pensar:
A - probabilidade de acertar o planeta: 1 em 17 bilhões = 1/17 bilhões = 0,0000000059%

B - probabilidade de acertar o ano: 1 em 500 mil = 1/500 mil = 0,0002%

C - probabilidade de me encontrar: 1 em 7 bilhões = 1/7 bilhões = 0,000000014%

Cálculo final das probabilidades = A x B x C = 0,0000000000000000000000017%

Essa é a probabilidade de nos encontrarmos: 0,0000000000000000000000017% de chance.[4]

Se você crê em coincidências, essa é uma descomunal coincidência cósmica, temporal e populacional. Mas, se tiver dúvidas, perceba, então, a importância deste encontro, tão improvável, mas real.

Essa probabilidade se estende a todas as pessoas que, a cada momento, cruzam com você diariamente: já parou para pensar nisso?

Meu amigo valorize este encontro, pois somos mais do que irmãos e deve haver uma grande razão para nos conhecermos neste momento.

Pense que outra oportunidade como essa será quase impossível.

Apesar de sermos muitos indivíduos, somos únicos e temos experiências únicas, assim como visões de mundo, percepções e sentimentos. Encontrar-nos é pra lá de difícil. Cada momento, cada sorriso, cada choro, é único.

Portanto, olhe para cada ser como uma grande oportunidade que ocorre em um momento estatisticamente improvável, portanto, raro.





[1] Site Minilua, disponível em: http://minilua.com/quando-surgiu-primeiro-humano/ , visitado em 27/03/2015.
[2] Site Worldometters, disponível em: http://www.worldometers.info/br/  , visitado em 27/03/2015.
[4] Site Wikihow, as 4 fórmulas para se calcular probabilidades, disponível em http://pt.wikihow.com/Calcular-Probabilidades , visitado em 27/03/2015.