Wednesday, June 10, 2015

HISTÓRIAS URBANAS - episódio 1


Para aqueles que visitam este blog pela primeira vez, esclareço que trabalho na Companhia Águas de Joinville, uma empresa de Saneamento básico na cidade de Joinville/SC. Recentemente foi criado o "Núcleo de Atendimento Social - NAS", onde realizo atendimento em campo para famílias em vulnerabilidade social e pessoas com deficiências. Comigo atuam duas assistentes sociais: Julia e Alessandra.

Inicio aqui relatos de vivências nossas em campo, as quais selecionamos para que sejam preservadas, em função do impacto que causaram em nossas vidas.

A história de hoje é da Dna. Maria.

Em um dia do mês de maio de 2015, eu e a assistente social Alessandra, do Núcleo Social da Companhia Águas de Joinville, estivemos na residência de uma senhora que chamarei aqui de Dna. Maria, para preservar sua identidade.

Havia uma questão relacionada à Tarifa Social e que precisava ser esclarecida, para evitar o descadastramento. Ao chegarmos à residência da Dna. Maria, a mesma demorou em atender-nos e, após algum tempo, veio cambaleando até o portão. 

Percebemos que não estava bem, o que a mesma confirmou, informando-nos tratar-se de alteração no nível de glicose. Diabética e idosa precisava de atendimento médico. 

Disse-nos que seu irmão viria em breve, mas, após algumas considerações, soubemos que o irmão poderia passar, pois o fazia com frequência, mas, não estava ciente do estado de saúde dela e, portanto, poderia não passar naquele dia. 

Descobrimos que Dna. Maria não tinha créditos em seu celular o que a impossibilitava de chamar o irmão. Assim sendo, decidimos avisá-lo com meu celular particular. O irmão, então, se prontificou a buscá-la imediatamente.

Não achamos prudente obter o comprometimento da Dna. Maria em um termo a ser assinado, em um dia em que não se sentia bem e postergamos a solução do problema para nova visita futura.
Ao sairmos, Dna. Maria disse à assistente social Alessandra, que não tínhamos ido em vão à sua residência, pois, Deus opera com as pessoas da forma que lhe convém: nossa ida teria sido importante para que pudéssemos chamar o seu irmão. Contou-nos então a seguinte história, a qual desejo registrar aqui.

Havia numa pequena cidade, um homem muito rico e poderoso, mas, igualmente cruel e malvado. Todos o temiam na cidade. Em certo dia, uma senhora muito idosa e doente, além de pobre, viu-se sem alimentos em sua dispensa e, com fome, procurou ajuda com os vizinhos. Um radialista, sensibilizado, decidiu comunicar aos ouvintes da cidade, transmitindo a mensagem da senhora que pedia ajuda a algum “anjo, filho de Deus” que lhe trouxesse alimentos.

Ouvindo o apelo pelo rádio, o tal homem poderoso, cruel e malvado, chamou seu assessor e deu-lhe a missão de comprar mantimentos no melhor mercado da cidade, em quantidade suficiente para um ano, escolhendo produtos de primeira qualidade. Mas, havia uma instrução que deveria ser seguida: ao entregar os mantimentos, o assessor deveria dizer à senhora que quem havia lhe mandado os mantimentos teria sido o “diabo”.

Assim fez o assessor: foi ao melhor mercado, encheu uma perua com mantimentos de primeira qualidade e em quantidade para suprir a senhora por um ano. Chegou, então, à casa da senhora e começou a descarregar a perua, levando os mantimentos para a casa e, apesar de tentar lhe contar quem havia enviado a encomenda, a senhora não dava chances, agradecendo constantemente a Deus pela sua sorte.

Entregues todos os mantimentos, enfim, o assessor conseguiu dirigir-se à senhora que, cansada, deu uma pausa em seus agradecimentos: “a senhora não vai me perguntar quem lhe enviou esses mantimentos?” perguntou o assessor, ao que a senhora prontamente respondeu: “não preciso saber Sr. assessor, pois, quando Deus quer, até o diabo obedece.


Dna. Maria foi levada ao posto de saúde naquele mesmo dia e passa bem. A situação comercial foi resolvida e ela manteve o direito à Tarifa Social. A história nos sensibilizou e mostrou-nos a importância de nossos contatos em campo, tanto para os clientes, quanto para nós, por tudo o que aprendemos.







No comments: