Friday, March 27, 2015

PARABÉNS: VOCÊ ME ACHOU !!!!



“Há mais ou menos 500 mil anos atrás, surgiu o homo neanderthalensis, que é considerado o primeiro ser humano como nós conhecemos hoje. É claro que eles foram extintos, dando lugar ao homo sapiens, que somos nós, mas devido as grandes semelhanças, podemos dizer que os neanderthalensis foram os primeiros humanos do planeta.[1]”(Minilua.com, 2015)

“População mundial hoje: mais de 7 bilhões de habitantes[2]. A população cresce este ano na ordem de 19 milhões de indivíduos.” (Worldometters.com, 2015).

“A conta final nem sempre é unânime. Mesmo assim, os números são astronômicos. Segundo estudos de astrofísicos da universidade norte-americana Harvard, existem pelo menos 17 bilhões de planetas parecidos com a Terra apenas na Via Láctea. Se ampliarmos a pesquisa para qualquer tipo de planeta (como os parecidos com os gasosos do Sistema Solar), os astrônomos calculam cerca de 100 bilhões de planetas.[3]” (Noticias.Uol.com, 2015)

Nos imaginados 17 bilhões de planetas parecidos com a Terra, você nasceu aqui. Dos 500 mil anos de existência humana, você está aqui nesta data. Entre mais de 7 bilhões de habitantes no planeta, você me encontrou.

Qual a probabilidade estatística deste encontro?

Não é difícil imaginar algo muito mais difícil do que ganhar um prêmio na loteria. O que eu consigo pensar:
A - probabilidade de acertar o planeta: 1 em 17 bilhões = 1/17 bilhões = 0,0000000059%

B - probabilidade de acertar o ano: 1 em 500 mil = 1/500 mil = 0,0002%

C - probabilidade de me encontrar: 1 em 7 bilhões = 1/7 bilhões = 0,000000014%

Cálculo final das probabilidades = A x B x C = 0,0000000000000000000000017%

Essa é a probabilidade de nos encontrarmos: 0,0000000000000000000000017% de chance.[4]

Se você crê em coincidências, essa é uma descomunal coincidência cósmica, temporal e populacional. Mas, se tiver dúvidas, perceba, então, a importância deste encontro, tão improvável, mas real.

Essa probabilidade se estende a todas as pessoas que, a cada momento, cruzam com você diariamente: já parou para pensar nisso?

Meu amigo valorize este encontro, pois somos mais do que irmãos e deve haver uma grande razão para nos conhecermos neste momento.

Pense que outra oportunidade como essa será quase impossível.

Apesar de sermos muitos indivíduos, somos únicos e temos experiências únicas, assim como visões de mundo, percepções e sentimentos. Encontrar-nos é pra lá de difícil. Cada momento, cada sorriso, cada choro, é único.

Portanto, olhe para cada ser como uma grande oportunidade que ocorre em um momento estatisticamente improvável, portanto, raro.





[1] Site Minilua, disponível em: http://minilua.com/quando-surgiu-primeiro-humano/ , visitado em 27/03/2015.
[2] Site Worldometters, disponível em: http://www.worldometers.info/br/  , visitado em 27/03/2015.
[4] Site Wikihow, as 4 fórmulas para se calcular probabilidades, disponível em http://pt.wikihow.com/Calcular-Probabilidades , visitado em 27/03/2015.

Thursday, March 26, 2015

TEORIA DO CAOS: a importância de cada um de nós


“É uma das leis mais importantes do Universo, presente na essência de quase tudo o que nos cerca. A idéia central da teoria do caos é que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer conseqüências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Por isso, tais eventos seriam praticamente imprevisíveis - caóticos, portanto.”  (Mundo Estranho - Editora Abril, 2012[1]).

Essa teoria teve grande impulso com a descoberta do meteorologista americano Edward Lorenz, na década de 1960, ao observar mudanças dramáticas a partir de uma pequena variável em sua fórmula que simulava a movimentação de massas de ar na atmosfera. Foi sua a declaração de que a pequena mudança em casas decimais em sua fórmula causou um efeito tal, como se “uma borboleta batesse as asas no Brasil e isso resultasse em um tornado no Texas”. Mal compreendida a frase, usada apenas como exemplo figurativo, não corresponde, de fato, à realidade, uma vez que o deslocamento de ar causado pelo bater de asas de uma borboleta é insignificante mediante a densidade do ar, que é mil vezes superior. Entretanto, isso não invalida a teoria, que pode ser comprovada em diversos campos da ciência e até mesmo observada em nossas experiências diárias. 

A ocorrência de um pequeno evento, como, por exemplo, uma tomada de decisão sobre que caminho escolher para ir ao trabalho, pode resultar em eventos que resultariam na própria sobrevivência, em caso de possíveis acidentes, ou em encontrar pessoas diferentes, que poderiam lhe trazer novos relacionamentos pessoais, dirigindo sua vida a novos futuros possíveis e imprevisíveis.

Essa teoria se alinha a outras levantadas no passado, algumas baseadas em pesquisa científica, outras em crença popular ou religiosa. Uma dessas teorias denomina-se “Sincronicidade” e foi desenvolvida por Carl Gustav Jung. Jung acreditava que existe uma relação entre os eventos psíquicos e os físicos, sendo essa relação baseada em uma “ligação” realizada por “operadores”, esses sim, estabelecendo uma relação de causa e efeito, tendo como resultado físico aquilo que se gerou na psique humana.

Outro argumento de Jung especialmente notório é de que essa sincronicidade permite que todos nós possamos testemunhar o Criador e suas obras pelo fato de termos refletido em nosso inconsciente, todo o Cosmos, como conhecimento que adquirimos sem referenciais anteriores: a sincronicidade já existia antes de nossa criação.

"Não posso provar a você que Deus existe, mas meu trabalho provou empiricamente que o "padrão de Deus" existe em cada homem, e que esse padrão (pattern) é a maior energia transformadora de que a vida é capaz de dispor ao indivíduo. Encontre esse padrão em você mesmo e a vida será transformada." (C.G. Jung)

Mas, não somente no passado encontramos similaridades, pois, a evolução da física nos traz, mais uma vez, esse princípio, através das descobertas da física quântica.

“Fritjof Capra, Ph.D., físico e teórico de sistemas, revela a importância do observador na produção dos fenômenos quânticos. Ele não só testemunha os atributos do evento físico, mas também influencia na forma como essas qualidades se manifestarão. A consciência do sujeito que examina a trajetória de um elétron vai definir como será seu comportamento. Assim, segundo o autor, a partícula é despojada de seu caráter específico se não for submetida à análise racional do observador, ou seja, tudo se interpenetra e se torna interdependente, mente e matéria, o indivíduo que observa e o objeto sob análise.” (Infoescola[2]).

Todas essas teorias nos indicam que existe uma forte ligação entre todos os elementos no universo e, sim, tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer, traz consequências e define eventos futuros. Isso explica a lógica da natureza e seu necessário equilíbrio que, ameaçado, trás consequências e implicações na nossa qualidade e expectativa de vida. Sendo assim, devemos pensar no que fazemos, nas nossas agressividades, pois, certamente, não são boas influências e isso pode significar um futuro com más consequências e, como já vimos, totalmente imprevisíveis.

Lembro-me sempre da cantora Karen Carpenter, vocalista do conjunto musical americano The Carpenters que fez muito sucesso nos anos 70. Karen morreu jovem ainda, vítima de anorexia, após uma crise depressiva gerada por comentários de uma jornalista sobre sua aparência física.  Sua linda voz ainda pode ser ouvida nas gravações que deixou, triste lembrança de uma vida de sucesso interrompida por um comentário infeliz.

Também vale citar uma frase dita em uma palestra no evento do CONARH, no ano de 2014, pelo presidente do instituto Brasileiro de Coaching , José Roberto Marques, a quem tive a felicidade e o privilégio de conhecer: “ainda que você não queira influenciar o mundo e decida ficar parado numa praia, olhando para o mar, sua presença física irá mudar o curso do vento e, atrás de você surgirá, após algum tempo, uma duna de areia”.

Os avanços no conhecimento científico trazem hoje cenários e conceitos que de são, de longe, muito mais inesperados e inquietantes do que qualquer tipo de misticismo ou ficção. O curioso é que mostram-nos, cada vez mais, a importância que temos no meio em que vivemos.








[2] Fisica Quantica, Infoescola, disponível em http://www.infoescola.com/fisica/quantica/ , visitado em 26/03/2015.

Monday, March 23, 2015

REVERÊNCIA ÀS BARATAS...


Havia uma barata morta, de pernas para o alto, na garagem de minha casa. Por uma questão de “vou tirá-la daqui a pouco...”, ela acabou permanecendo lá por dois dias.  Quando decidi lavar a garagem, empurrei-a com a água, o que a fez “reviver”: correu da água e escondeu-se em meio a algumas pedras no jardim. 

Fiquei estarrecido: teria esse pequeno e tão apavorante inseto recobrado à vida, ou, igualmente estranho, teria ela forjado sua morte por dois dias seguidos?

Sempre tive um sentimento que supera ao medo com relação às baratas, um real pavor, sobretudo das que voam. Mas, após esse incidente, meu sentimento começa a mudar.

Uma breve pesquisa na internet e você descobrirá que esse ser vive em nosso planeta há muito mais tempo que nós, humanos. Existem registros fósseis que a datam de 320 milhões de anos – foram contemporâneas dos dinossauros. São 5 mil espécies: no Brasil são mil delas. Existe uma espécie que emite luz, tal qual os vagalumesa Lucihormetica fenestrada. As silvestres têm importante função no equilíbrio ecológico, reciclando matéria orgânica. Sua aproximação com o ser humano deveu-se à busca por água, alimento e abrigo, mas trouxe um alto custo para nós: passaram a ser portadoras de doenças.

Tenebroso: apesar da vida curta – chegam ao máximo de 4 anos – podem ficar uma semana sem água e um mês sem se alimentar. Se cortadas suas cabeças, viverão por uma semana, pois, seu cérebro não se localiza só na cabeça, mas ao logo de seu corpo. São resistentes a venenos: podem morrer com eles, mas deixam ovos e garantem a sobrevivência da espécie. Conseguem perceber, pelas costas, por cerdas sensoriais, de modo que escapam de ataques por trás. Uma fêmea reproduz de 800 a 20 mil descendentes em sua curta vida de até 4 anos.

Alimentam-se de quase tudo, inclusive de seres humanos, vivos ou mortos. De hábitos noturnos, sorrateiramente escondem-se e esperam seu sono profundo, quando podem alimentar-se de suas extremidades, como unhas, cílios e pontas de suas mãos e pés. Portanto, o seu medo do que se esconde debaixo de sua cama, tem fundamento.

Apesar do que dizem, de que sobreviveriam a uma explosão nuclear, a ciência nos mostra que não seria assim: elas também sucumbiriam, como nós, apesar de serem, de fato, mais resistentes.
Não encontrei informações sobre a população de baratas no mundo, mas, fazendo uma conta simples, se são 5.000 espécies e que se reproduzem em número de 800 indivíduos, teremos que, em 4 anos, teríamos 4 milhões de indivíduos reproduzidos. Somando aos já vivos, percebe-se que provavelmente existem mais baratas no mundo do que seres humanos.

Por todas essas razões, concluo que devemos reverenciá-las, pois, são seres mais antigos e mais adaptados, mais numerosos e, apesar dos constantes ataques de seu maior predador, que é o ser humano, têm potencial para sobreviver a uma possível, e provável, extinção de nossa própria espécie.

Existe, ainda, uma consideração a fazer: há quem creia que os insetos possam ser reencarnações  de pessoas mortas:
No código de Manu, existem regras sobre o comportamento de uma pessoa numa vida. A metempsicose prega a reencarnação de forma cíclica e não linear. Ou seja se um homem difamou (seu guru) ou alguém, pode voltar na forma de um burro, o que o censura voltará como um cão; o que rouba os bens de outros volta como um verme, se invejoso volta como um inseto.1

Se for assim, nossa perseguição a esses seres poderia ser injusta: uma dessas baratas poderia ser até mesmo um antepassado de minha família (!?!).

Por tudo isso, mudei meu comportamento: as baratas merecem de mim todo o respeito e reverência (ainda que eu as prefira bem longe de mim).

REFERÊNCIAS











EFICIÊNCIA NO CONSUMO DE ÁGUA: POR QUE NÃO SEGUIMOS AS LIÇÕES DO SETOR ELÉTRICO?


A água, como se sabe, é o maior desafio atual e futuro para o ser humano. Mas, o que o governo está fazendo para que o consumo seja reduzido? Até o momento, muito se divulga sobre a falta de água no sudeste, racionamentos oficiais ou não oficialmente declarados, embora praticados por algumas empresas de saneamento. Também se estudam formas de captação de água de chuva, cisternas e outras formas alternativas de coleta de água para uso não nobre, ou seja, não potável.
Entretanto, pouco se faz por parte do governo, no desenvolvimento de uma política de incentivo à redução no consumo e pela busca de eficiência energética para a água.

Fazendo um paralelo com a energia elétrica, podemos citar algumas das muitas ações governamentais que tem contribuído para a redução do consumo, seja através de tarifação voltada à eficiência do sistema elétrico, quanto pelo incentivo ao desenvolvimento de equipamentos eletrodomésticos eficientes. Também podemos incluir nessas políticas, o investimento feito pelas concessionárias na regularização de clientes clandestinos e em processos educativos para o uso consciente, além de projetos para eficientização de prédios públicos.

Há muitos anos, o setor elétrico aplica tarifas “horo-sazonais”: são cobrados valores maiores de tarifa em horários de “pico” do sistema elétrico para grandes consumidores, o que moveu as indústrias a desenvolverem equipamentos de monitoramento do consumo. No horário de “pico”, aparelhos são desligados através de softwares supervisórios, mantendo a apenas em funcionamento aqueles imprescindíveis para a produção.

Outra iniciativa do setor elétrico é a determinação da ANEEL – Agência Nacional Reguladora de Energia Elétrica, de investimento, exigido das concessionárias, de parte do resultado operacional líquido – ROL para ações de eficiência energética. Tomando como exemplo a CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina, podemos verificar o investimento de R$10 milhões para ações em residências, indústrias, prédios públicos, estabelecimentos comerciais ou de serviços, na área rural ou na iluminação pública (ver em http://www.celesc.com.br/peecelesc/index.php/noticias-site/131-celesc-divulga-chamada-publica-para-selecao-de-propostas-de-projeto-em-eficiencia-energetica ). 

Na CPFL Energia, empresa do setor elétrico que atende o interior e litoral do estado de S.Paulo, em 2009 foram substituídas 600 mil lâmpadas, 16.500 geladeiras, regularizados 1.500 clientes, reformadas as instalações elétricas em 6.000 residências e substituídos 5 mil chuveiros, obtendo uma redução de 71.766.000 kWh em um ano – isso apenas para o setor residencial (ver em Programa Rede Comunidade  http://www.ahk.org.br/upload_arq/APRESENTA%C3%87%C3%83O%20Rede%20Comunidade%20C%C3%A2mara%20Brasil%20Alemanha%20-%20Jo%C3%A3o%20Abeid%20Filho%20CPFL1.pdf ).

Também o PROCEL – Programa Nacional de Conservação de Energia, através de ações como o “Selo Procel”, incentiva a venda de equipamentos eficientes, o que tem mobilizado a indústria a produzir equipamentos mais econômicos, do ponto de vista energético.

CHUVEIRO REWATT – CHUVEIRO RECUPERADOR DE CALOR: EXEMPLO DE INVENÇÃO PARA REDUÇÃO DE CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA, COM VENDA DIRECIONADA À CONCESSIONÁRIAS ELÉTRICAS NO PROGRAMA DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA.

Essa empresa, (REWATT), motivada pelo programa de eficiência energética, desenvolveu o chuveiro Recuperador de Calor. Esse equipamento reduz a potência de um chuveiro comum, de 5.500 Watts para 3.000 Watts, mantendo a temperatura de banho. O sistema baseia-se na troca de calor e foi comercializado, primeiramente para a CEMIG (a fábrica localiza-se em Belo Horizonte – veja em http://www.rewatt.com.br/empresa.htm ). Hoje contabiliza 250.000 equipamentos vendidos, o que equivale a uma redução no consumo de energia de 45% nos banhos.

MAS, E COM A ÁGUA?

A ANA - Agência Nacional de Água, não se parece nem de longe com a ANEEL. Suas ações são de pouco conhecimento da sociedade e as empresas de saneamento não contam com nenhuma ação semelhante, seja no âmbito de política tarifária, seja em ações de incentivo à produção de equipamentos eficientes. Creio que é necessária reflexão sobre a necessidade de uma política que coloque a água no patamar da energia elétrica, no quesito de incentivos por parte do governo.
Deveríamos ter um SELO PROCEL para consumo de água, tarifas mais elevadas nos horários de “pico”, que também existem no setor do saneamento, além de incentivos para que as empresas investissem em ações de eficiência.

Deceríamos ter mais desenvolvimento de tecnologias sociais voltadas para a captação da água da chuva e reuso de água consumida, trazendo soluções simples, replicáveis e baratas para a população de menor renda.

Ao invés disso, temos campanhas para uso consciente e decisões polêmicas, como os contratos assumidos com grandes clientes, que pagam tarifas menores, sendo, esses, os causadores dos maiores impactos ambientais (veja em: http://www.sabesp.com.br/CalandraWeb/CalandraRedirect/?temp=4&proj=AgenciaNoticias&pub=T&docid=DAA2F7688A8D543E832574FD006E122F).
O governo tem um papel importante no gerenciamento dos recursos hídricos e parece limitar-se à visão voltada ao aumento na captação e tratamento, deixando para a consciência da população, o comportamento de consumo consciente.

Matérias veiculadas demonstram a importância da gestão pública na questão da água, como, por exemplo o estudo que mostra que os Estados Unidos conseguiram frear o consumo de água através de ações como campanhas educativas, mas também, e não menos importante, incentivos para arquitetura inteligente e a adoção de tarifas mais elevadas (ver em  http://www.akatu.org.br/Temas/Agua/Posts/Estados-Unidos-freiam-crescimento-de-consumo-de-agua-na-ultima-decada ).

A própria UNESCO aponta, em relatório específico, para a “governança” como a principal causa do desabastecimento de água no planeta, acrescentando que o volume de água seria suficiente para o crescimento de consumo humano, se, evidentemente, respeitada nova ordem de mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento (ver em http://www.akatu.org.br/Temas/Agua/Posts/Unesco-mundo-precisara-mudar-consumo-para-garantir-abastecimento-de-agua ). Esse relatório aponta ainda as principais causas do desabastecimento: a intensa urbanização, as práticas agrícolas inadequadas e a poluição.

Educar a população para o uso consciente, além de ser um desafio e tanto num modelo consumista de visão de mundo, não resolve a situação, se não houver uma gestão pública responsável e eficiente.



Tuesday, March 10, 2015

MARKETING SOCIAL: EXISTE?


“....A expressão Marketing Social surgiu nos EUA, em 1971, e foi usada pela primeira vez por Kotler e Zaltman que, na época, estudavam aplicações do marketing que contribuíssem para a busca e o encaminhamento de soluções para diversas questões sociais. O termo passou a significar uma tecnologia de administração da mudança social, associada ao projeto, à implantação e o controle de programas voltados para o aumento da disposição de aceitação de uma idéia ou prática social em um ou mais grupos adotantes escolhidos como alvos...” “.. Atualmente podemos definir Marketing Social como: o emprego do planejamento de mercado, estratégia, análise e técnicas gerenciais tradicionais e inovadoras para o bem estar do indivíduo e da sociedade.” (Manica)


O texto acima coloca o Marketing Social como uma vertente do Marketing, uma variante de olhar para parte da sociedade. Entretanto, o mesmo Kotler coloca no ano de 2006, o conceito do Marketing como  “identificação e a satisfação das necessidades humanas e sociais”, enquanto que, em 2007, Casas define o Marketing com ênfase no impacto sobre o bem estar da sociedade.

Segundo Kotler e Keller (2006) o marketing envolve a identificação e a satisfação das necessidades humanas e sociais, sendo definido de uma maneira simplista pelo autor, como uma forma de suprir necessidades lucrativamente. Neste sentido, Casas (2007, p.15) menciona que:
“Marketing é a área do conhecimento que engloba todas as atividades concernentes às relações de troca, orientadas para a satisfação dos desejos e necessidades dos consumidores, visando alcançar determinados objetivos da organização ou indivíduo e considerando sempre o meio ambiente de atuação e o impacto que estas relações causam no bem-estar da sociedade” (CASAS, 2007 p.15).

Assim sendo, é de se presumir que o termo “Marketing Social” possa ser um pleonasmo. Afinal, a que se refere “social” nesse contexto? Existe um vício que nos leva a associar “social” com a parcela da sociedade que se encontra em situação de baixa renda, desconforto material e exclusão. Entretanto, todo o ser humano pertence a algum tipo de sociedade, sendo o mesmo social por excelência e definição.

Parece-nos mais coerente pensar que o Marketing seja um conjunto de ações que envolvem a sociedade e que têm por finalidade o seu bem-estar, obtendo, como retorno, o lucro financeiro para seus investidores. Se pensarmos Marketing Social como aquele voltado à população de baixa renda, o que de fato estamos enfocando seria a segmentação de mercado, voltada para esse tipo de cliente. Afinal, como ficaria, então, o Marketing para a população de renda elevada? Não seria, também, social? Não são seres sociais aqueles que compõem as classes mais favorecidas da população?

Outra questão que levantamos é a visão desses pensadores sobre um tema que nos parece ser tão mal compreendido na atualidade. O senso comum sobre o Marketing acabou traduzindo-se na aplicação de ferramentas como a comunicação exaustiva e invasiva de produtos e serviços, muitos deles não desejados ou impostos pela mídia como implantes em nossas mentes e com finalidade de concentração de renda para acionistas e grandes corporações multinacionais. Resultantes dessa miopia conceitual, teríamos a necessidade de criação de termos como “Marketing Social”, “Responsabilidade Social”, entre outros tantos?

Os conceitos contidos na máxima “Marketing Social” mais nos parecem, como mencionamos, uma repetição desnecessária, ou, a re-criação de um conceito já existente mas que, por conta da sua não compreensão, esta traduzida em comportamentos das empresas, justifica-se como algo novo. Talvez para que possamos imaginar que, a partir de sua re-criação, abre-se uma possibilidade de vermos, na prática, o que os mestres há anos tentam nos ensinar. Será que um novo termo funcionará? Seria mesmo um caso de semântica? Não nos parece assim. De fato, a distância entre o que se conceitua e o que se aplica, no campo do Marketing, torna-se tal, que podemos pensar na associação possível com a (baixa) longevidade de muitas das empresas brasileiras.


REFERÊNCIAS

KOTLER, P. KELLER, K. L., Administração de marketing. 12. Ed. São Paulo: Pearson Hall, 2006. 750p.
CASAS, A. L. L., Marketing de serviços. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2007, 257p.

 Marcos Antônio Manica, disponível em http://www.coladaweb.com/marketing/marketing-social , visitado em 10/03/2015)

Saturday, March 07, 2015

SOCIAL - LAICOS

Significado de Laico
1 Que não sofre influência ou controle por parte da igreja.
2 Que ou quem não pertence ao clero ou não fez votos religiosos.

Significado de Social

1 Que diz respeito à sociedade.
2 Que tem tendência para viver em sociedade.
3 Que diz respeito a uma sociedade comercial.

Fonte: Dicionário Aurélio On line, disponível em: http://www.dicionariodoaurelio.com/ , visitado em 07/03/2015.


A palavra “social”, quando vista em um espelho, pode ser lida como “laicos”. Essa curiosa ocorrência linguística, assume maior relevo nesse exemplo, pelos conceitos que encerra e suas possíveis ligações.

A questão do Estado Laico, surge como resposta a uma luta histórica pelos direitos humanos, pela liberdade de expressão e pela obrigação do governo em tratar todos os seus cidadãos como “iguais”. O Estado, sendo responsável por assegurar à sociedade os direitos traduzidos pela sua Constituição Federal, no caso do Brasil, tem como prerrogativa ser “laico”. Assim sendo, o “social”, dentro do espírito da democracia, deve ser “laico”.

Mas o espelho nos sugere um antagonismo, em princípio visual, mas que nos leva a pensar na realidade de nossa sociedade neste momento histórico.

O Estado hoje se encolhe e assume uma posição de controlador social, descumprindo sua função primordial, de prover a sociedade de mecanismos e garantias para que tenham atendidas as suas necessidades e direitos constitucionais. Ao invés disso, abdica de suas responsabilidades, permitindo que organizações da sociedade civil se desenvolvam, assumindo esse papel social.
Então, o social deixa de ser laico, uma vez que as organizações da sociedade civil são criadas para suprir interesses nem sempre da sociedade, mas, antes, de uma parcela dessa sociedade – muitas vezes, igrejas que se proliferam nas cidades, levando aos cidadãos desassistidos, uma ilusão de assistencialismo social.

É inegável a contribuição de igrejas e ONGs no atendimento social, mas, é igualmente importante a gravidade dos abusos de parte dessas organizações, que podem submeter seus indivíduos a crenças inquestionáveis, tentando tirar dessas pessoas a capacidade do pensar crítico e do julgamento próprio. Algumas delas sendo empresas de faixada, levando parte da renda de seus participantes ou desviando recursos públicos para seus líderes.


Dessa forma, com o (falso) discurso da causa social, ignoram o dever laico das ações públicas e destroem a capacidade de desenvolvimento e evolução da população atendida. Desenvolvimento aqui entendido como o acesso ao conhecimento isento, laico, científico, que liberta o homem e o torna autor de seu destino.

SOCIAL passa a ser oposto de LAICO, levando o indivíduo a desacreditar das iniciativas de caráter público, criando cidadãos desassistidos e egoístas, fracos e sujeitos às manipulações.

O espelho, que deveria nos mostrar a imagem real do que vemos, mostra-nos o seu oposto.

Alerta para nosso estágio de letargia civil.