Friday, June 06, 2014

Educação x Políticos Brasileiros


Definitivamente, preciso escrever sobre esse tema, já tanto discutido em tantas instâncias, mas, que não apresenta resultados práticos.
O Brasil encontra-se na 38ª posição do ranking mundial em pesquisa sobre a qualidade da educação (segunda edição do relatório produzido pela empresa de sistemas de aprendizado Pearson (ligado ao jornal britânico Financial Times) e pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit EIU).
"Países em desenvolvimento ocupam a metade inferior do ranking, com a Indonésia novamente aparecendo em último lugar entre as 40 nações analisadas, precedida por México e Brasil", diz o relatório produzido junto com o ranking ("A Curva de Aprendizagem").
Simultaneamente, ouço no rádio campanha do atual prefeito de Joinville sobre o investimento feito em educação: tablets, prédios reformados ou novos e uniformes para alunos.
É esse o mote dos políticos brasileiros que pensam que obras públicas e doação de equipamentos são remédios para a baixa qualidade da educação praticada nas escolas públicas nacionais.
Existem duas conclusões às quais posso chegar. A primeira delas, a que gostaria de acreditar por ser a mais ingênua, seria a falta de preparo dos nossos políticos para lidar com esse tema e o descompasso desses nossos “representantes” com os problemas atuais. De fato, nossos políticos parecem viver em outra época, com os mesmos discursos e as mesmas posturas de sempre, diante de uma geração que não mais deposita neles qualquer tipo de esperança de solução de seus direitos mais básicos, como a saúde, a educação, a moradia e a segurança. São dinossauros que se perpetuam em modelos arcaicos, mas que se beneficiam de nossas contribuições pelos impostos, com altos salários e privilégios.
A segunda alternativa, que é a que eu penso ser a mais provável, é de que esses políticos agem dessa forma para manter suas posições e acesso a verbas públicas de maneira ilícita. É mais fácil desviar verbas de compras de materiais e de construções. Preparar melhores conteúdos didáticos, melhores professores e garantir uma educação de qualidade não traz essas oportunidades.
Existem ainda os interesses dos financiadores das campanhas milionárias para elegê-los, que se beneficiam com os baixos níveis de serviços, uma vez que obrigam a população a investir em educação, saúde, moradia e segurança privadas.
Enoja-me ver na televisão campanhas com políticos fazendo gestos de efeito, como aqueles utilizados pelo nosso ex-presidente Fernando Collor em sua campanha bem sucedida em 1989, que já imitava o ex-presidente Juscelino Kubtischek: gestos de luta, punhos cerrados e cara de justiceiro. Usa-se de manifestos de rua na tentativa de trazê-los para seu controle.
O que não se dão conta é que a população cada vez menos acredita na classe política e que, a continuar nesse ritmo, manifestações públicas e desordem social se multiplicarão, pois esses mesmos políticos ensinam a população que somente através de manifestações contra o patrimônio público e privado conseguem respostas, ainda que sem a consistência desejada.
O governo se pensa empresário, esquecendo-se de que vive da arrecadação compulsória de taxas e impostos, num ambiente sem concorrência. Esquece-se de que cabe a ele o que as empresas nunca farão: assistir à população em seus momentos de fraqueza.
Para os empresários, somente pessoas produtivas são valorizadas, mas, o ser humano somente é produtivo em 1/3 de sua vida, na idade adulta, visto que na infância e velhice, depende totalmente do Estado.
Se o Estado não assume seu papel, quem o fará?
Iniciativas civis têm tentado atenuar o sofrimento da população atingida pelo abandono do Estado, através de organizações não governamentais, as conhecidas Ongs, mas , então, para que servirá o Estado?
Se o Estado não cumpre a sua finalidade, perde seu poder de persuasão e somente se mantem através da força. Isso pode explicar a truculência de nossa polícia, também considerada entre as mais violentas no mundo (ver http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/crimes/2013-11-05/policia-brasileira-mata-cinco-por-dia-e-e-uma-das-mais-letais-do-mundo.html ).
Fica aqui registrado o meu manifesto e indignação e o sonho que, um dia, venhamos a ter uma educação de melhor qualidade, digna de um país com essa magnitude, quem sabe numa nova era, em que a política, e principalmente os políticos, sejam reinventados.




Tuesday, June 03, 2014

O "tudo" e o "nada" de nossa existência


Somos equilibristas caminhando num fio sobre o abismo que nos leva ao tudo e ao nada.
A dança na corda bamba que requer equilíbrio e nos ameaça a cair no abismo da arrogância ou no abismo da depressão.
Vivemos sob o paradoxo de sermos “nada”, poeira cósmica perante a imensidão astronômica da criação e de sermos únicos, no tempo e no espaço, o que nos torna raros e, portanto, sagrados.
A dualidade, muitas vezes insuportável, entre a humilde condição do “mais um” e a honra do inimitável DNA.
Somos um grande mistério para nós mesmos, levados por pensamentos e vaidades, tolhidos pelo tempo implacável e fatal. Escravos das soluções elaboradas enquanto a simplicidade se torce em gargalhadas de nossas mazelas.
Caminhantes sob um céu de estrelas, alheios à imensa beleza acima de nossas cabeças, preocupados que estamos com futilidades e aparências.
Caçadores míopes que buscam a felicidade em lugares longínquos,  enquanto a mesma encontra-se, muitas vezes, no local de onde partimos.

Monday, June 02, 2014

Mobilidade Urbana e os "pulsos culturais"


As cidades pulsam, movimentam-se em ciclos. Quem anda pelas ruas sabe disso: existem horários em que a mobilidade é impraticável e outros em que é possível sentir que o fluir é possível. Também que trabalha com atendimento ao público pode atestar que períodos certos no mês e dias certos na semana, além de horários bem definidos em cada dia são testemunhas de filas intermináveis, enquanto em outors momentos é possível ser atendido rapidamente.
Assistimos diariamente os problemas gerados pela dificuldade na mobilidade urbana, especialmente em grandes cidades, onde a simples rotina de sair de casa ao trabalho ou escola pode se transformar em uma maratona estressante e perigosa.
Junto com esse fato, assistimos também os discursos dos gestores públicos no sentido de trazer soluções que atingem os efeitos, deixando as causas sem atenção.
As soluções vão desde a construção de novas vias públicas até a limitação da circulação de veículos nas ruas em certos dias da semana, como ocorre no rodízio em São Paulo.
Eu penso que devemos pensar nas causas dos deslocamentos e vejo que o momento é muito pertinente, uma vez que a tecnologia existente pode ajudar e muito na solução, ou, ao menos, a atenuar esses efeitos sem a necessidade de grandes investimentos.
Procuro pensar nas razões por que um cidadão se locomove pelas ruas.
A ida ao trabalho é uma das razões desse deslocamento. Ocorre que existem alguns pontos a se atentar para esse tipo de deslocamento:
TECNOLOGIA
Muitos trabalhadores se movimentam pela cidade diariamente para trabalharem em escritórios, diante de um computador conectado à internet, sem a necessidade de contato pessoal. Essas pessoas poderiam, portanto, trabalhar em suas residências. Imagine o número de pessoas a menos nas ruas tão somente pelo fato de passarem a trabalhar em suas residências. Então, os gestores públicos deveriam investir em legislações e incentivos para que as empresas propusessem esse tipo de trabalho à distância.
JORNADAS DE TRABALHO
Muitos congestionamentos ocorrem em períodos do dia em que muitos trabalhadores são obrigados a se deslocar, pela razão das empresas adotarem exatamente os mesmos horários de entrada e saída dos escritórios. Os gestores públicos, então, deveriam pensar em propor leis e incentivos para que as empresas ofereçam horários diferentes para que não existam disputas de espaço sempre nos mesmos períodos no dia. Se uma grande empresa adotar a jornada das 07h00 às 16h00, enquanto outra, em uma mesma região, adotar a jornada das 08h00 às 17h00 e outra das 09h00 às 18h00, essa diferença diminuiria por três o número de pessoas nas ruas nos mesmos horários.
A contabilidade pública é gravemente onerada com a visão de ações sobre os resultados. Assim sendo, temos custos elevados com a perda de produtividade, aumento no número de acidentes, aumento nos riscos de segurança pública, aumento nos custos ambientais e na saúde pública.
Pensar as cidades em sua lógica de deslocamentos requer ir além da engenharia de trânsito, em busca de suas causas. A redução da necessidade de deslocamento, aliada à distribuição das jornadas de trabalho, diminuiriam o fluxo de trânsito, os congestionamentos, a emissão de gases na atmosfera e os acidentes de percurso. Isso sem o investimento em avenidas ou viadutos, ou ainda, em mais transportes públicos.
O estresse nas grandes cidades, decorrente das tensões geradas pelos deslocamentos, afeta a saúde pública, gerando desdobramentos que aumentam os custos públicos.
Esse pensamento holístico precisa ser considerado face à superpopulação e as consequências sobre a sustentabilidade nas cidades.
É bom lembrar que esses movimentos urbanos são reflexos de respostas a processos culturais que podem, e devem, ser repensados e cabe aos gestores públicos o papel de intervir nesses processos, para o bem de todos nós.