Saturday, June 27, 2015

PROJETO CAIXA D'ÁGUA SOCIAL




O Núcleo Social da Cia Águas de Joiniville está implementando o projeto Caixa D'água Social, doando, em parceria com a empresa Tigre Tubos e Conexões, 20 kits de caixa d´água para famílias que residem em bairros com maior incidência de falta de água e sem condições financeiras para assumirem os custos da colocação desses recursos.

A experiência nos trará importantes informações sobre o comportamento dessas famílias ao longo do projeto, que prevê o acompanhamento, atualização cadastral, negociação de dívidas e inclusão na tarifa social.

Os primeiros resultados começam a aparecer: das 17 famílias já contempladas, duas estavam em condições de consumo por meios irregulares e optaram por tornarem-se clientes regulares.

Até este momento, o retorno tem demonstrado que a aproximação da empresa nos bairros traz retornos positivos, com ganhos para todos os envolvidos: clientes e empresa.

Idéia plantada pela assistente social Julia Rech Sincero e colocada em prática por mim e pela assistente social Alessandra Oechsler, contemplou ainda a formação de 18 moradores em curso profissionalizante de instalações hidráulicas no centro de treinamento da Tigre. 

Outro parceiro importante tem sido a Secretaria de Assistência Social, que colocou os CRAS à disposição para inscrição de novos alunos para os cursos, além de oferecer passes de ônibus para aqueles com perfil social compatível.



Tuesday, June 23, 2015

HISTÓRIAS URBANAS – episódio 2


No dia dois de abril de 2015, fomos procurados por uma senhora que nos trouxe uma situação caótica em que vivia sua sogra, cujo nome convenciono aqui chamar de “Dna. Maria B”, para preservar a sua identidade.

Estive, então, no local e o que vi me deixou perplexo. Tratava-se de uma pessoa com um sério problema de queimadura em uma de suas pernas que a impedia de andar. Havia uma ferida aberta e purgante, que exalava um odor pútrido e impregnava o ambiente. A habitação consistia de um pequeno cômodo de madeira, sem banheiro: apenas suficiente para acomodar uma cama, uma cadeira, uma pia e um fogão.

Essa precária construção encontrava-se em um terreno elevado, cercado de mato crescido, configurando uma cena de total abandono.



Era uma sexta-feira e saí dali abalado. Cheguei em casa e chorei copiosamente. Apesar de minha experiência de décadas com situações semelhantes, não consigo me “acostumar” com histórias assim. Em minha mente vem a questão do abandono que certas pessoas enfrentam, levando uma vida comparável a de um animal confinado. Que triste destino para aquela pessoa, aquele ser humano que, independentemente de sua história pessoal, vivia de forma sub-humana.

Tendo uma viagem agendada para a semana seguinte, passei o caso para a assistente social, que foi ao local na semana seguinte. Assim como eu, sensibilizou-se com a situação e começou a mover o que chamamos de “teia social”: foram acionados o Centro de Referência de Assistência Social - CRAS e o Posto de Saúde – PA, que realizaram visitas e iniciaram um movimento de transformação na situação daquela senhora.

A “Dna. Maria B”  está sendo medicada. Alcoólica, conseguiu parar de beber, por iniciativa própria, e hoje passa o tempo com o tricô. Um de seus filhos decidiu ajudar: construiu um banheiro e limpou o local, que hoje tem até mesmo uma cerca e portão.

Ainda existe um longo caminho para que a vida dessa senhora possa chegar a um nível que possamos considerar de dignidade humana, mas, certamente, esse caminho já começa a ser percorrido.

A história começou a mudar com a iniciativa de sua nora, que buscou ajuda e catalisou um processo que desejamos que seja irreversível. Parte do sucesso deve-se à percepção de “Dna. Maria B” sobre a preocupação de algumas pessoas com sua saúde e conforto, o que a fez buscar uma melhor qualidade de vida. O abandono que a levou a situação caótica em que se encontrava teve fim, enfim.

Em 9 de junho de 2015 estivemos no local e fizemos a foto que mostra parte dessas mudanças. Mudanças significativas, resultante de pequenas -  mas fundamentais - atitudes.





Wednesday, June 10, 2015

HISTÓRIAS URBANAS - episódio 1


Para aqueles que visitam este blog pela primeira vez, esclareço que trabalho na Companhia Águas de Joinville, uma empresa de Saneamento básico na cidade de Joinville/SC. Recentemente foi criado o "Núcleo de Atendimento Social - NAS", onde realizo atendimento em campo para famílias em vulnerabilidade social e pessoas com deficiências. Comigo atuam duas assistentes sociais: Julia e Alessandra.

Inicio aqui relatos de vivências nossas em campo, as quais selecionamos para que sejam preservadas, em função do impacto que causaram em nossas vidas.

A história de hoje é da Dna. Maria.

Em um dia do mês de maio de 2015, eu e a assistente social Alessandra, do Núcleo Social da Companhia Águas de Joinville, estivemos na residência de uma senhora que chamarei aqui de Dna. Maria, para preservar sua identidade.

Havia uma questão relacionada à Tarifa Social e que precisava ser esclarecida, para evitar o descadastramento. Ao chegarmos à residência da Dna. Maria, a mesma demorou em atender-nos e, após algum tempo, veio cambaleando até o portão. 

Percebemos que não estava bem, o que a mesma confirmou, informando-nos tratar-se de alteração no nível de glicose. Diabética e idosa precisava de atendimento médico. 

Disse-nos que seu irmão viria em breve, mas, após algumas considerações, soubemos que o irmão poderia passar, pois o fazia com frequência, mas, não estava ciente do estado de saúde dela e, portanto, poderia não passar naquele dia. 

Descobrimos que Dna. Maria não tinha créditos em seu celular o que a impossibilitava de chamar o irmão. Assim sendo, decidimos avisá-lo com meu celular particular. O irmão, então, se prontificou a buscá-la imediatamente.

Não achamos prudente obter o comprometimento da Dna. Maria em um termo a ser assinado, em um dia em que não se sentia bem e postergamos a solução do problema para nova visita futura.
Ao sairmos, Dna. Maria disse à assistente social Alessandra, que não tínhamos ido em vão à sua residência, pois, Deus opera com as pessoas da forma que lhe convém: nossa ida teria sido importante para que pudéssemos chamar o seu irmão. Contou-nos então a seguinte história, a qual desejo registrar aqui.

Havia numa pequena cidade, um homem muito rico e poderoso, mas, igualmente cruel e malvado. Todos o temiam na cidade. Em certo dia, uma senhora muito idosa e doente, além de pobre, viu-se sem alimentos em sua dispensa e, com fome, procurou ajuda com os vizinhos. Um radialista, sensibilizado, decidiu comunicar aos ouvintes da cidade, transmitindo a mensagem da senhora que pedia ajuda a algum “anjo, filho de Deus” que lhe trouxesse alimentos.

Ouvindo o apelo pelo rádio, o tal homem poderoso, cruel e malvado, chamou seu assessor e deu-lhe a missão de comprar mantimentos no melhor mercado da cidade, em quantidade suficiente para um ano, escolhendo produtos de primeira qualidade. Mas, havia uma instrução que deveria ser seguida: ao entregar os mantimentos, o assessor deveria dizer à senhora que quem havia lhe mandado os mantimentos teria sido o “diabo”.

Assim fez o assessor: foi ao melhor mercado, encheu uma perua com mantimentos de primeira qualidade e em quantidade para suprir a senhora por um ano. Chegou, então, à casa da senhora e começou a descarregar a perua, levando os mantimentos para a casa e, apesar de tentar lhe contar quem havia enviado a encomenda, a senhora não dava chances, agradecendo constantemente a Deus pela sua sorte.

Entregues todos os mantimentos, enfim, o assessor conseguiu dirigir-se à senhora que, cansada, deu uma pausa em seus agradecimentos: “a senhora não vai me perguntar quem lhe enviou esses mantimentos?” perguntou o assessor, ao que a senhora prontamente respondeu: “não preciso saber Sr. assessor, pois, quando Deus quer, até o diabo obedece.


Dna. Maria foi levada ao posto de saúde naquele mesmo dia e passa bem. A situação comercial foi resolvida e ela manteve o direito à Tarifa Social. A história nos sensibilizou e mostrou-nos a importância de nossos contatos em campo, tanto para os clientes, quanto para nós, por tudo o que aprendemos.







Tuesday, June 09, 2015

NÚCLEO DE ATENDIMENTO SOCIAL ( Cia Águas de Joinville ) na 45ª ASSEMBLÉIA NACIONAL DA ASSEMAE


O Artigo "“NÚCLEO DE ATENDIMENTO SOCIAL IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO SOCIAL NUMA EMPRESA DE SANEAMENTO”, foi apresentado na categoria "oral" na 45ª ASSEMBLÉIA NACIONAL DA ASSEMAE, em 27 de maio de 2015, em Poços de Caldas/MG.

Publico aqui um resumo da apresentação.





CENÁRIO em Joinville quando da criação do NAS:

Demanda de clientes com perfis de vulnerabilidade social;
•Novos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida do Governo
 Federal;
•Atendimento aos clientes com dificuldades de mobilidade.

Ações começaram a ser estruturadas a partir de 2011 e em janeiro de 2014, foi criado o Núcleo de Atendimento Social - NAS.

NAS: OBJETIVO GERAL

•   Gerir os processos de atendimento social presencial e em campo para clientes em vulnerabilidade social e/ou com problemas de mobilidade, garantindo, assim, o cumprimento das resoluções e regulamentos internos da Companhia de Saneamento, com foco na recuperação de clientes clandestinos e redução da inadimplência, garantindo aos clientes atendimento justo e com compromisso social.


NAS: ATIVIDADES

1.      1.  VISITAS SOCIAIS

•     Abertura de ordem de serviço chamada “Visita Social/Atendimento Pró-acessibilidade”. Objetivo: evitar o deslocamento do cliente nos postos de atendimento. Instituições sociais externas, como Secretaria de Assistência Social, CRAS, Centro de Convivência do Idoso, entre outros, também encaminham clientes ao Núcleo.

      A visita domiciliar possibilita a apreensão da realidade social dos clientes, contribuindo para pautar a intervenção adequada a cada situação. 

2.    GESTÃO DA TARIFA SOCIAL

•     A gestão pelo NAS possibilita o maior conhecimento sobre o processo de concessão do benefício, tornando possível a identificação de distorções e garantindo maior qualidade à prestação do serviço, tanto do ponto de vista dos clientes beneficiados, quanto do ponto de vista empresarial: o benefício é direcionado a quem dele de fato tem direito.

  3.                 3.  PRÓ-ACESSIBILIDADE

•   O cliente idoso, acamado ou deficiente pode solicitar atendimento em sua residência através de nosso atendimento telefônico. Além do atendimento domiciliar, são realizados eventos de capacitação sobre acessibilidade com a parceria de instituições de deficientes para os atendentes dos postos de atendimento, assim como para os atendentes da central de atendimento telefônico.

•       Através de banco de dados, clientes selecionados são acompanhados mensalmente para que ações sejam tomadas em caso de possibilidade de corte. 


     4.   RECUPERAÇÃO DE CLIENTES INADIMPLENTES E/OU CLANDESTINOS

•       São oferecidas soluções adequadas para cada situação específica, em busca do êxito na negociação. São abatimentos no valor da dívida para clientes que se enquadrarem nos critérios do benefício da Tarifa Social e condições especiais de parcelamento. A análise é realizada a partir da situação socioeconômica do cliente, condições de pagamento ofertada e histórico do cliente. 


     5.            ATENDIMENTOS A CONDOMÍNIOS POPULARES MINHA CASA MINHA VIDA                  (MCMV)

•      Acompanhamento às situações relacionadas à água e esgoto e apoio em ações socioeducativas para condomínios verticais do Programa Minha Casa Minha Vida - Recursos FAR. É praticado o relacionamento estreito com os síndicos e atendimentos in loco. O Núcleo realiza também o cadastramento de famílias, enquadramento na Tarifa Social, visitas domiciliares para resolução de questões como inadimplência, possíveis vazamentos, faturamento, entre outras.


NAS: RESULTADOS

Resultados alcançados em 2015.

Retorno: R$ 269,02 por OS atendida
Não temos o objetivo maior de recuperação de dívidas, mas, conseguimos recuperar pendências financeiras através da aproximação com o cliente em campo.

Os resultados atestam o sucesso da nova organização nas atividades sociais. O NAS atende sua função de possibilitar o atendimento ao cliente, respeitando, sobretudo, àqueles com limitações socioeconômicas e de acessibilidade para que tenham assegurados os direitos de acesso aos serviços de saneamento em canais de comunicação coerentes e inclusivos.