Sunday, September 25, 2016

DESTINO E FATALIDADE


Em certa ocasião, assisti a um filme “trash”, ou seja, um filme mal feito e de pouca expressão, do gênero terror, mas, de tão ruim, não me lembro de nem do nome e nem o enredo. Entretanto, em certo momento, Boris Karloff, ator britânico famoso por suas atuações em filmes desse gênero, aparece e conta uma história que, de tão interessante, ficou na minha memória até os dias presentes e fez com que meu tempo não tivesse sido de todo perdido diante da TV naquele dia.

A história era sobre a fatalidade do destino e era mais ou menos assim...

Vivia no Irã, na cidade de Isfahan, um rico mercador que tinha muitos criados. Entre eles, havia um em especial, que lhe era mais próximo. Certo dia, ao voltar do mercado, esse criado chegou ao mercador, muito pálido e assustado. Prostrando-se diante do mercador, perguntou:

- meu senhor, tenho sido seu servo fiel. Em toda a minha vida, alguma vez traí à sua confiança? Em algum momento deixei de atendê-lo ou faltei em algum serviço a mim direcionado?

- claro que não, respondeu o mercador, você é meu melhor criado, o que mais confiei em todos esses anos.

- poderia eu, humildemente, pedir-lhe um favor, o que nunca lhe fiz antes? Seria eu merecedor de sua benevolência em um momento emergencial em minha vida?

O mercador olhou-o pensativo, respondendo em seguida:

- pela sua fidelidade e retidão, tenho contigo uma dívida: peça o que quer e, estando ao meu alcance, terei o prazer em lhe atender.

O criado, aliviado, fez seu pedido:

- senhor, preciso de um cavalo e mantimentos. Devo partir imediatamente, pois, pretendo estar ainda esta noite, na cidade de Samara.

O mercador assentiu, concedendo o melhor cavalo e mantimentos variados e em abundância para sua viagem.

Ao se despedir, entretanto, perguntou ao criado:

- posso saber o motivo de sua viagem tão repentina?

- claro senhor, respondeu o criado. Ocorre que esta manhã, quando fui ao mercado, encontrei o anjo da morte e ele me olhou de forma ameaçadora. Preciso sair daqui rapidamente, pois, corro risco de morrer.

Despediram-se e o criado se foi, galopando rumo à cidade vizinha de Samara.



O mercador, entretanto, curioso com a história do criado, foi ao mercado para procurar o tal anjo da morte. Chegando lá, após procurar em algumas tendas, encontrou um homem de faces assustadoras, com vestes negras. 
Chegou-se a ele e perguntou: quem é você?

- sou o anjo da morte, respondeu o homem sinistro.

O mercador, então, prosseguiu:

- como ousa ameaçar meu melhor criado que veio ao mercado obedecendo minhas ordens?

- ameaçar? respondeu o anjo, de forma alguma !  eu apenas fiquei espantado em vê-lo aqui, pois, tenho um encontro com ele nesta noite, na cidade de Samara !
....


Encontrei uma história semelhante no seguinte endereço:
http://www.psicologiamsn.com/2011/02/conto-morte-e-o-destino.html, mesmo endereço em que encontrei a imagem adicionada a este post.


Thursday, September 15, 2016

HISTÓRIAS URBANAS - episódio 4

Existem histórias que não podem cair no esquecimento, pela força que impacto que causam em nossas vidas.

Em algum momento nos anos 90, surgiu na cidade de Campinas, São Paulo, um novo tipo de empreendimento: uma locadora de livros. Sandra Almeida decidiu aproveitar um processo de demissão voluntária na IBM e tornar-se empresária, optando pelo negócio inovador. De tão inovador, foi objeto de reportagem na TV Campinas e, morando eu naquela cidade àquela época, tomei conhecimento, tornando-me sócio.

Além de sócio, tornei-me amigo de Sandra, uma pessoa muito sensível e carismática, que tornou a Locadora “Mania de Ler” um lugar de leitura, encontros e bate-papo.

Por causa do sucesso do livro “A insustentável leveza do ser”, passei a ler Milan Kundera, seu autor. Me impressiona a sua capacidade de construir personagens interessantes, aprofundando em suas personalidades e ideologias, tornando a trama não tão importante como o desempenho de seus atores.
A última vez que conversei com Sandra, pedi a ela um livro do autor, quando ela me disse que eu era o único leitor de Kundera na sua locadora, sendo que comprava seus livros apenas para que eu pudesse lê-los. Na ocasião dois fatos me chamaram à atenção: saber que era o único leitor de um autor tão interessante e saber que ela se dispôs a comprar seus livros apenas por amizade à minha pessoa, o que demonstra o carinho que tinha por mim.

Mudei-me para Joinville em 2010 e, desde então, nunca mais falei com a Sandra, assim como não mais li os livros de Kundera.

Passei a frequentar a biblioteca pública de Joinville e, no início deste ano de 2016, em um dia em que cheguei à biblioteca, instantes antes que se fechasse, precisando pedir um livro rapidamente, repentinamente surgiu à minha mente o nome de Milan Kundera. Pedi à bibliotecária e ela me mostrou os títulos disponíveis. Não houve tempo de pensar muito e tudo ocorreu meio que por impulso.

Ao chegar em casa, abri meus e-mails e, um deles era da filha de Sandra, comunicando seu falecimento.

Não bastasse a grande coincidência, se é que essas existem, de ter me lembrando do autor exatamente no momento da morte de Sandra, o título do livro contribuiu para que eu me convencesse da situação sobrenatural dos fatos – o nome do livro era  “A imortalidade”.

Teria Sandra, em seu momento de morte, enviado um sinal para mim, uma despedida, ou teria eu sentido sua morte, por meios inexplicáveis pela ciência atual?

Não saberia dizer, a não ser que me convenço cada vez mais, que sabemos muito pouco sobre a vida, a morte e tudo o que nos cerca.