Monday, March 23, 2015

REVERÊNCIA ÀS BARATAS...


Havia uma barata morta, de pernas para o alto, na garagem de minha casa. Por uma questão de “vou tirá-la daqui a pouco...”, ela acabou permanecendo lá por dois dias.  Quando decidi lavar a garagem, empurrei-a com a água, o que a fez “reviver”: correu da água e escondeu-se em meio a algumas pedras no jardim. 

Fiquei estarrecido: teria esse pequeno e tão apavorante inseto recobrado à vida, ou, igualmente estranho, teria ela forjado sua morte por dois dias seguidos?

Sempre tive um sentimento que supera ao medo com relação às baratas, um real pavor, sobretudo das que voam. Mas, após esse incidente, meu sentimento começa a mudar.

Uma breve pesquisa na internet e você descobrirá que esse ser vive em nosso planeta há muito mais tempo que nós, humanos. Existem registros fósseis que a datam de 320 milhões de anos – foram contemporâneas dos dinossauros. São 5 mil espécies: no Brasil são mil delas. Existe uma espécie que emite luz, tal qual os vagalumesa Lucihormetica fenestrada. As silvestres têm importante função no equilíbrio ecológico, reciclando matéria orgânica. Sua aproximação com o ser humano deveu-se à busca por água, alimento e abrigo, mas trouxe um alto custo para nós: passaram a ser portadoras de doenças.

Tenebroso: apesar da vida curta – chegam ao máximo de 4 anos – podem ficar uma semana sem água e um mês sem se alimentar. Se cortadas suas cabeças, viverão por uma semana, pois, seu cérebro não se localiza só na cabeça, mas ao logo de seu corpo. São resistentes a venenos: podem morrer com eles, mas deixam ovos e garantem a sobrevivência da espécie. Conseguem perceber, pelas costas, por cerdas sensoriais, de modo que escapam de ataques por trás. Uma fêmea reproduz de 800 a 20 mil descendentes em sua curta vida de até 4 anos.

Alimentam-se de quase tudo, inclusive de seres humanos, vivos ou mortos. De hábitos noturnos, sorrateiramente escondem-se e esperam seu sono profundo, quando podem alimentar-se de suas extremidades, como unhas, cílios e pontas de suas mãos e pés. Portanto, o seu medo do que se esconde debaixo de sua cama, tem fundamento.

Apesar do que dizem, de que sobreviveriam a uma explosão nuclear, a ciência nos mostra que não seria assim: elas também sucumbiriam, como nós, apesar de serem, de fato, mais resistentes.
Não encontrei informações sobre a população de baratas no mundo, mas, fazendo uma conta simples, se são 5.000 espécies e que se reproduzem em número de 800 indivíduos, teremos que, em 4 anos, teríamos 4 milhões de indivíduos reproduzidos. Somando aos já vivos, percebe-se que provavelmente existem mais baratas no mundo do que seres humanos.

Por todas essas razões, concluo que devemos reverenciá-las, pois, são seres mais antigos e mais adaptados, mais numerosos e, apesar dos constantes ataques de seu maior predador, que é o ser humano, têm potencial para sobreviver a uma possível, e provável, extinção de nossa própria espécie.

Existe, ainda, uma consideração a fazer: há quem creia que os insetos possam ser reencarnações  de pessoas mortas:
No código de Manu, existem regras sobre o comportamento de uma pessoa numa vida. A metempsicose prega a reencarnação de forma cíclica e não linear. Ou seja se um homem difamou (seu guru) ou alguém, pode voltar na forma de um burro, o que o censura voltará como um cão; o que rouba os bens de outros volta como um verme, se invejoso volta como um inseto.1

Se for assim, nossa perseguição a esses seres poderia ser injusta: uma dessas baratas poderia ser até mesmo um antepassado de minha família (!?!).

Por tudo isso, mudei meu comportamento: as baratas merecem de mim todo o respeito e reverência (ainda que eu as prefira bem longe de mim).

REFERÊNCIAS











1 comment:

Lucia Marin said...

Mesmo assim, eu prefiro que elas fiquem bem distantes; pois tenho verdadeiro horror e nojo!! Não consigo ter nenhum respeito ou admiração... rsrsrsrsrs