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Aos amigos os favores, aos inimigos, a lei ...(Maquiavel)

No dia 24 de maio deste ano de 2019, a empresa distribuidora de energia elétrica CELESC, acompanhada de policiais, adentrou a um acampamento cigano e prendeu dez moradores por furto de energia. A prisão, apesar de fundamentada na legislação, causou-me indignação pela forma como se deu. Esse acampamento caracteriza-se por ser o único acampamento conhecido em que as mulheres assumiram o controle. Existem muitas matérias a esse respeito na mídia e sugiro ao leitor a pesquisar no Google: “primeiro acampamento cigano liderado por mulheres” [1] . Em resumo, em 2011, viúvas ciganas ocuparam um terreno vazio em nome da prefeitura de Joinville, decidindo de forma inédita, assumir um novo acampamento sob seu controle. Desejavam criar seus filhos longe dos problemas que tinham com os acampamentos tradicionais pelos quais passaram, onde presenciaram crimes e consumo de drogas. Essa atitude inédita levou-as a se fixar, rompendo com o ciclo de migração. Como mulheres, tiveram qu...

OS PERIGOS DA NOÇÃO EQUIVOCADA SOBRE A PRÓPRIA REALIDADE.

O Brasil ficou em quinto lugar na nova edição do ranking que mede o quanto os países têm noção equivocada sobre a própria realidade. Chamada "Os Perigos da Percepção", a pesquisa anual é realizada pelo instituto Ipsos. O estudo foi realizado em 37 países e se baseia em entrevistas com pessoas em cada um deles sobre o que elas acham sobre a realidade que vivem. A pesquisa então compara esta percepção com os dados oficiais. Quanto maior a diferença entre percepção e realidade, maior a "ignorância" da população –e por isso o ranking geral foi chamado originalmente de "índice de ignorância".... [1] Trabalho há mais de 35 anos. Sou aposentado e continuo na ativa. A maior parte desse tempo, com atendimento ao público em diversos canais de comunicação. A maior parte de minha vida profissional foi ligada ao setor elétrico, mas, há sete anos estou no setor de saneamento. Existem semelhanças nesses dois mundos, afinal são serviços públicos, prestad...

DISSONÂNCIA

Dirijo o automóvel da empresa numa rua margeada pelo mangue. Em ambos os lados vejo árvores sem folhas, mortas, tecendo um cenário sinistro e imagino como seria passar nesse lugar à noite. Vêm-me à mente que, se existe mangue de ambos os lados, devo estar passando por uma rua construída sobre esse manguezal, ou seja, um crime ambiental oficializado. O cenário reflete minha alma, que parece amortecida. Sentimentos confusos habitam minha mente. Tenho dificuldade em entender o que ocorre com certas famílias. Quando relato o que vivenciei, ouço julgamentos sobre as situações observadas. Parece fácil, para algumas pessoas, resolver os problemas alheios e, por essa razão, armazenarem respostas prontas e julgamentos rápidos. Se for me deixar levar por esse tipo de interpretação, vou acabar acreditando que as pessoas são falsas, arquitetas de simulacros com o objetivo de obtenção de privilégios. Simulacros, todo o mundo me parece um simulacro, nada do que vejo parece real, mas, r...

Morte líquida

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Água, quanta coisa se pode dizer desse elemento natural que nos compõe. Talvez seja a água a prova fundamental da filosofia oriental sobre o equilíbrio. Sua ausência, assim como seu excesso, mata. Vivemos por razão dela, mas, também podemos morrer por conta de seu uso equivocado. Assim como os demais elementos naturais, a água procura o movimento, transforma-se em estados de matéria diversificados em resposta às temperaturas as quais for submetida. Do pó viemos, ao pó retornaremos: entre um e outro, a água nos sustenta e nos viabiliza. Assim como os demais elementos naturais, é desrespeitada por nós, humanos. Aprisionamos, sujamos, poluímos, usamos de forma irresponsável,  negamos a muitos enquanto nos fartamos quando temos acesso. A semana passada começou de forma trágica para mim: encontrei nossa cadelinha “Mel” imersa nas águas da piscina, na casa onde moramos. Encolhida no fundo da piscina, parecia dormir serena. Para minha dor e desespero, encontr...

Apocalipse brasileiro

"Somente duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto a primeira." Einstein Essa frase tem aparecido com certa frequência e a razão talvez seja a sua atualidade. Aliás, a fotografia feita, pela primeira vez, de um buraco negro, trouxe Einstein de volta aos noticiários, pois, continuamos a provar suas teorias cada vez que novo evento cósmico é visto mais de perto. Mas o que me deixa perplexo são as decisões dos governos, tanto no Brasil quanto em demais países, sobretudo aqueles com maiores poderes econômicos, como EUA e China, como exemplo. Parece que estou vivendo uma volta ao passado, mas, acima de tudo, uma volta aos piores momentos históricos já registrados. Atendo-me ao Brasil, sinto que as decisões do governo desenham um futuro de desmonte de estruturas que, ainda que deixassem a desejar, sustentavam algum alento às classes sociais menos favorecidas.  Com o discurso de acusação ao governo anterior, ações...

Momentos Mágicos - 31 de dezembro de 2018

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Ciclo encerrado, tempo de renovação. Hoje registro o último dia da série Momentos Mágicos. Meu compromisso foi cumprido: procurei trazer reflexões em cada dia deste ano. O compromisso de relatos diários me permitiu conhecer pessoas, histórias e ampliar a percepção sobre o que encontro em meus caminhos diários. Animais, plantas, insetos também foram alvo de minhas descobertas. O exercício foi bom para mim: hoje procuro prestar mais atenção aos detalhes, àquelas coisas que passam despercebidas no dia-a-dia, mas, que podem trazer revelações, beleza e sabedoria. Aos meus queridos leitores, agradeço pelo incentivo e pelos comentários postados. Meu momento mágico de hoje, último dia do ano, é de agradecimento por tudo o que vivi, pelas pessoas com as quais convivo que me trouxeram muitos ensinamentos. Dei-me conta de que tive o privilégio de conviver com pessoas incríveis em toda a minha vida. Isso não somente no que se refere ao meu ambiente familiar, mas...

Momentos Mágicos - 30 de dezembro de 2018

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A arquitetura das cidades trazem a velocidade do tempo. Prédios antigos disputam espaço com novas construções, e vão perdendo espaço a cada dia. A cidade antiga quer morrer, dando espaço a uma nova arquitetura que reflete a imagem globalizada e igual. Olhar as cidades passa a ser exercício de charada. Uma foto dificilmente identifica um lugar. Nessa massificação dos estilos, o artista de rua luta para deixar sua marca, sua identidade, tornar-se imortal.

Momentos Mágicos - 29 de dezembro de 2018

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"Com pão para comer e água para beber, o homem sobrevive, mas só com isso a humanidade inteira morre. Se o homem não se emociona com a beleza, se não fecha os olhos e põe em funcionamento os mecanismos da imaginação, se não é capaz de fazer perguntas e vislumbrar os limites de sua ignorância, é homem ou mulher, mas não é pessoa. Nada o distingue de um salmão, de uma zebra ou de um boi-almiscarado." (Iturbe, p.354). Em qualquer lugar no.mundo, crianças brincam com pombos. Interagir com a natureza é algo espontâneo nas crianças. Descobrir o universo contido em cada esquina é coisas de criança: não quero deixar morrer a criança que existe em mim.

Momentos Mágicos - 28 de dezembro de 2018

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"Dita pensa, de repente, que as bússolas são muito difíceis de entender. Talvez, quando mais velha, prefira, em vez de aviadora, ser pintora. Seria um jeito de voar, mas sem depender de tantos aparatos e alavancas. Ela pintaria o mundo como se o sobrevoasse." (Iturbe, p. 261) Viajar tem sabor de liberdade. O que encontramos no inesperado nos fascina. O conhecimento aumenta quando buscamos o desconhecido. Mas, o desconhecido pode estar onde menos se espera.

Momentos Mágicos - 27 de dezembro de 2018

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"A vida, qualquer vida, dura muito pouco. Mas se conseguirmos ser felizes, ao menos por um instante, terá valido a pena." (Iturbe) Andar pelas ruas de Buenos Aires, sem entender a língua, sem conhecer ninguém, mas, comunicando-se com tudo e todos. Abordar desconhecidos, rir e se encantar com detalhes. Momentos de felicidade explícita. Iturbe, Antônio G, A bibliotecária de Auschwitz, p. 259

Momentos Mágicos - 26 de dezembro de 2018

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Observamos a cidade de Montevidéu. Nas ruas, o que se destaca também nos observa. Olhos nos espiam enquanto caminhamos. O artista invade o espaço público, que tende a ser global, forçando a cidade no caminho do "não lugar", e traz o diferencial que queremos encontrar.

Momentos Mágicos - 25 de dezembro de 2018

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É Natal... O sol começa a se por e simula a estrela guia. Nos conduz ao local do nascimento daquele que dividiu as história em duas partes: antes e depois dele. No navio, pessoas de diversas origens compartilham este momento. Até mesmo aqueles de outras religiões. Na minha cabeceira o livro "A bibliotecária de Auschwitz" me lembra que momentos assim são raros e recentes na história. A estrela nos guia a todos: ninguém é descartado.

Momentos Mágicos - 24 de dezembro de 2018

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Viagem com minha mãe. Da cabine do navio, o mar se apresenta, encanta e invade nosso imaginário. Minha mãe se perde no infinito onde o mar encontra o firmamento. Me conta mais tarde que a beleza da vista a fez chorar. Agora entendo minha raíz.

Momentos Mágicos - 23 de Dezembro de 2018

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Viagem dos sonhos. Com quase 90 anos, minha mãe começa a realizar um sonho: viajar de navio. Carioca "da gema", nunca teve essa oportunidade. Viverei, com ela, uma semana de momentos mágicos especiais. Talvez eu fique sem internet, mas, não deixarei de postar cada dia, ainda que com atraso de uma semana. É especial poder participar desse sonho dela.

Momentos Mágicos - 22 de dezembro de 2018

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Família, um conceito que extrapola a razão Hoje reencontrei-me com minha mãe, minha irmã mais nova, cunhado, sobrinha. Mais tarde, encontrei com minha filha e meu netinho. Como moro distante, estava há algum tempo sem vê-los. Assuntos são trazidos, lembranças ressurgem. Se vivemos agora distantes, o passado traça nossas ligações. Um misto de impotência por não poder estar presente nos momentos difíceis se equilibra com a constatação de que a vida prossegue, as experiências fortalecem e o amor familiar não se desgasta. Ao contrário, o tempo nos torna mais tolerantes, compassivos e próximos. Minha mãe é raiz que criou nosso universo familiar, enquanto minha filha e neto são parte de mim que prossegue.

Momentos Mágicos - 21 de Dezembro de 2018

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Hoje foi dia de despedidas, abraços e desejos de realizações, amor, esperança. A equipe se recolhe junto aos seus familiares. Na empresa somos um tipo de família, não há como negar. Minha esposa me dá uma grande lição. Trabalha numa empresa cuja reputação de salários atrasados, desrespeito às leis trabalhistas e outras mazelas já a fez pensar em parar de trabalhar há tempos, decisão não assumida quais conta com todo o apoio familiar. Entretanto, hoje ao comentários sobre a dura jornada que terá que assumir até a véspera do Natal, assim como no ano novo, ela me repreendeu dizendo que uma funcionária de sua coordenação lhe ressaltou a importância da gratidão em nossos corações. Senti-me pequeno diante do comentário e feliz em perceber a nobreza dos sentimentos dela e de sua equipe. Estou partindo para realizar uma viagem dos sonhos de minha mãe. Rodoviária cheia, coração leve.

Momentos Mágicos - 20 de Dezembro de 2018

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Visitamos hoje a casa das bonecas. Uma cliente nossa, vive numa casa repleta de bonecas de coleção. Talvez por estar só, depois que os filhos cresceram, a casa vazia começou a ser povoada por bonecas, além de cães e gatos que são tratados como se fossem crianças. O espírito maternal dessa senhora se espalha nos contatos que faz conosco. Somos sempre recebidos como amigos. A casa dela tem dois andares. A parte de baixo abriga duas famílias de haitianos, que lhe rendem uma renda de alugueres. Ela mora na parte de cima, só. Com dificuldades de caminhar, por conta de problemas com artrose, faz parte da lista de famílias que acompanhamos. A casa é grande, mas, sofre com a deterioração e falta de manutenção. Misturam-se bonecas, animais, famílias de etnias diferentes, compondo um caleidoscópio cultural. Minhas atividades profissionais se encerram amanhã neste ano. As visitas se encerram e retornam no ano novo. Essas visitas me trouxeram muitos momentos mágic...

Momentos Mágicos - 19 de Dezembro de 2018

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Vento, sopro divino, às vezes se torna raro, então, é preciso embalá-lo, colocá-lo numa garrafa e entregá-lo em presente àqueles que dele se privam. O vento que sopra nas casas, refrescando o sono de muitos, não é o mesmo que se oferece aos menos favorecidos. Não menciono o vento natural, esse que não parece nos favorecer nessa época do ano, quando o calor se impõe e nos subjuga.  Refiro-me ao vento forjado, que brota de aparelhos de ar condicionado e ventiladores, equipamentos não disponíveis e nem acessíveis a muitas famílias. O suor escorria, anteontem, no rosto de uma mulher que visitamos. Com uma filha especial, sem marido e com renda limitante, as duas sofriam com o calor tórrido dentro de sua pequena casa. Retornamos ao local hoje e entregamos um ventilador novo à família.  A alegria daquela mulher e sua filha nos contagiaram e nos emocionaram. Um ventilador trouxe alegria naquela casa, mas, acima de tudo, a entrega, o apoio, o amor de noss...

Momentos Mágicos - 18 de Dezembro de 2018

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“Existe um traje que se molda a todos os corpos… um abraço.”(*) Hoje visitei o Sr. José.  Vítima de um acidente, Sr. José tornou-se paraplégico. Também tem as mãos deformadas e, por essa razão, não consegue usá-las. Vive com seu irmão, que o ajuda e dá o suporte afetivo e prático que tanto necessita. Levamos a ele uma cesta de Natal.  Ao nos despedir, seu irmão nos levou a uma varanda onde estão expostos quadros pintados pelo Sr. José. Como assim?  Ele pinta com a sua boca.  Fiquei impressionado com suas obras e fotografei a que achei mais impactante. Nela de vê um jovem de braços abertos para um abraço, uma interpretação do artista Romero Britto. Levo comigo esse abraço e registro aqui como meu momento mágico especial de hoje. (*) https://amenteemaravilhosa.com.br/poder-abraco/

Momentos Mágicos - 17 de Dezembro de 2018

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Felicidade, para muitos, é como a frágil luz de um palito de fósforo numa noite escura. A luz é trêmula, mas ainda é luz. Àqueles que dependem dessa frágil luz, dão a ela um grande valor. Hoje visitamos diversas famílias em nosso programa de Natal Solidário, entregando cestas de Natal. As cestas estão generosas, grandes, fartas. A alegria de quem as recebe é contagiante, especialmente as crianças. Em especial, visitamos uma família pequena, formada por uma mulher e sua filha especial. Ao receber a cesta, a menina demonstrou grande alegria. O que me chamou à atenção foi o fato dela dizer, mais de uma vez, que repartiria os doces com seus amigos. O calor dentro das residências que visitamos era tal, que as pessoas nos receberam com rostos suados. Algumas crianças visitadas apresentavam brotoejas por conta do calor, um era um bebê. As casas dessas famílias não são projetadas para seres humanos: o projeto sai dos parcos recursos que dispõem e do desconhecimento ...