Wednesday, November 20, 2013

CIDADANIA



Uma rápida consulta na literatura, hoje facilmente disponibilizada pela internet, leva-nos ao conceito de cidadania como “o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive”.
O historiador José Murilo de Carvalho relata, entretanto, que a cidadania plena é utópica , uma vez que não existem sociedades ideais, onde o exercício pleno dos direitos políticos, civis e sociais, ou seja, uma liberdade completa, sejam atingidos ou praticados por todos os seus cidadãos. A cidadania seria, então, um ideal a ser conquistado, através da participação do cidadão nas decisões e ações da cidade. Carvalho conclui que a cidadania não combina com o individualismo e a omissão quanto aos acontecimentos sociais.
A criação de leis e estatutos de proteção à mulher, aos negros, aos deficientes, idosos, crianças jovens e adolescentes traduzem ações em direção a uma cidadania ainda não atingida, e são resultado de anos de lutas e mobilizações populares. As notícias que vemos diariamente nos jornais demonstram o longo caminho que ainda temos que trilhar para a conquista da cidadania. O desrespeito às leis e aos direitos dos cidadãos é uma constante, assim como a forma de atuação do Estado se mostra diferenciada para cada classe social ideologica e/ou financeiramente estratificada.
Ao pensarmos na cidadania como o conjunto de direitos e deveres do cidadão, podemos perceber em quanto essa balança se apresenta em desequilíbrio. O cidadão pobre, negro, por exemplo, é invariavelmente cobrado severamente pelos seus deveres para com o Estado, enquanto seus direitos são constantemente violados impunemente. Do outro lado do estrato social, cidadãos influentes não se obrigam a cumprir com seus deveres e, quando o fazem, têm acesso a excelentes mecanismos para defendê-los, muitas vezes não sofrendo as punições cabíveis, ao mesmo tempo que são atendidos prontamente quando buscam seus direitos, muitas vezes em foros privilegiados.
Em resumo, cidadania é um conceito, um valor, e somente através de mobilização, com muita luta e persistência pode ser conquistada. Sendo a sociedade um processo em constante evolução, ainda que se pudesse alcançar a utópica cidadania plena, isso ocorreria num momento, passando a surgir novos cenários que trariam novos desafios e novos direitos e deveres a serem desenvolvidos e praticados. Exemplificando, não haviam questões de cidadania a serem observadas quanto ao trânsito, antes da invenção do automóvel, assim como questões éticas sobre a manipulação genética trazem-nos hoje novos desafios conceituais e éticos, assim como novos direitos e deveres a serem observados e conquistados. O cidadão é, por todas essas razões, aquele que pensa no bem da sociedade como um todo, que não conhece o egoismo e que se informa sobre as ações e omissões do Estado, estando sempre pronto a lutar pela conquista da cidadania.
Uma sociedade alienada, sujeita a baixos níveis de educação e pouca informação de qualidade não desenvolve senso crítico tornando-se, assim, sujeita a todo o tipo de manipulação por parte de minorias, como se constata na história presente e passada. A educação para a criação de cidadãos deve levar em conta o acesso à informação isenta de preconceitos, o desenvolvimento do senso crítico e despertar o interesse pela participação politica e social do educando. A informação deve ser socializada, não manipulada. De que adianta termos acesso a decisões sem que tenhamos informações suficientes para que possamos tomá-las de maneira refletida? O país se propõe democrata, mas, ao sercear grande parcela da população de uma educação com qualidade, não pratica essa democracia anunciada. Ao contrário, submete essa população ao controle de grupos privilegiados.
Cidadania requer inclusão, educação, saúde, segurança e liberdade de expressão, o mesmo que se exige das democracias, e que estamos sempre a ver desrespeitados.
Numa sociedade alienada, o que se manifesta é uma forte corrente de controle social, criada pelos meios de comunicação que têm como objetivo o lucro e não a cidadania. É preciso ter um padrão de beleza estabelecido pelos meios de comunicação, acesso a bens e serviços ditados pela “moda” e tudo isso baseado no consumo e consequente lucro para poucos. É mais fácil hoje um jovem ser punido pelos seus pares por ser “gordo”, “feio” ou por qualquer forma diferenciada de um padrão estabelecido do que ser cobrado a agir pela cidadania.
A construção da cidadania parte de indivíduos livres, informados, críticos e interessados pela causa coletiva: é esse o principal papel do educador, formar cidadãos.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania, visitada em 20/11/2013

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