Inteligência Artificial Molda o Futuro: Quais os Riscos e Qual Caminho podemos Seguir?
A inteligência artificial traz uma
nova era tecnológica e, assim como foi com o advento da internet, causa
acalorados debates sobre sua influência na sociedade, a partir dela.
O fato é que a IA já existe e
está em uso, mesmo que algumas pessoas não tenham percebido. Desde o simples
acesso a um aplicativo ou canal de atendimento de empresas, a IA já opera há algum
tempo.
Fator econômico e a autonomia das
IAs
Uma questão que tem trazido
preocupação é sobre a IA se tornar autônoma, passando a tomar decisões sem a
intervenção humana.
Existe um risco real de que evoluam
com objetivos próprios e que nem sempre serão os interesses humanos, podendo vir
a se tornarem uma ameaça.
Mas, por outro lado, existem
investidores que aportaram e ainda aportam, fortunas no desenvolvimento de data
centers e algoritmos.
Esses investidores esperam altos
retornos financeiros e não pretendem perder esse controle.
Existem rumores de que esses
investimentos não tragam os retornos esperados num prazo previsto, o que estaria
gerando uma “bolha inflacionária” pronta para estourar e derrubar os mercados financeiros
em níveis globais.
Fato ou especulação, existe ainda
a questão do uso das IAs para divulgação de informações seletivas, com vieses geopolíticos,
interferindo nos governos dos países de interesse das grandes empresas
multinacionais.
Outro problema é o uso da IA para
promover produtos e serviços de seus maiores patrocinadores, interferindo nas
buscas nas plataformas de forma direcionada e intencional.
Existem já empresas que compram edições
completas de publicações em papel e as destroem após a digitalização, com
proteção legal, o que as tornam detentoras dos direitos de divulgação.
Seriam capazes de, ao digitalizarem
essas publicações, promoverem alterações de seus próprios interesses, modificando
registros históricos, a exemplo do que foi protagonizado no livro 1984 de
George Orwell?
O Futuro do Trabalho Humano
Os processos de trabalho,
seguindo a lógica do mercado, serão geridos por IA sempre que os custos se mostrarem
atraentes. As empresas querem diminuir custos, sempre, por razões óbvias de
sobrevivência, concorrência e lucratividade.
O fato da IA poder “interpretar”
e “tomar decisões”, traz um novo cenário na história e, com ele, a exigência de
uma mudança de configuração social.
Quando da criação das primeiras
máquinas, houve o receio da substituição do trabalho humano, o que de fato
ocorreu, mas, como as máquinas dependem de quem as conduza, o que houve foi a
redução do trabalho braçal e o aumento da necessidade do trabalho intelectual.
Esse novo momento, porém, traz a
máquina que avalia, decide e evolui por si mesma.
Logo, é válida a preocupação com
o futuro do trabalho humano.
Yoval Harari, em seu livro “21
Lições para o Século 21”, adverte que o trabalho humano poderá se tornar
indesejado e inútil, com o avanço da IA.
Já existem ferramentas de IA que tomam
decisões mais acertadas que os melhores profissionais humanos em suas áreas.
Se a IA evolui nesse ritmo, quem
contrataria um humano para realizar a mesma tarefa, com menor produtividade e
capacidade de avaliação?
A IA, aliada às máquinas,
trabalham sem descanso, sem férias e sem salários.
Elon Musk já relatou essa mesma
visão de futuro.
Tanto Musk quanto Arari, preveem
que o futuro irá requerer uma renda básica universal, sem o que, as pessoas não
conseguirão sobreviver, pois, não haverá mais empregos pelo fato de não mais
ser necessário o trabalho humano.
Apesar dessas previsões parecerem
sem sentido para muitos, o que já percebemos é que as ferramentas de IA
disponíveis gratuitamente em plataformas na internet, resolvem problemas, criam
imagens, escrevem textos, relatórios e até livros completos, bastando que sejam
feitos os “prompts” corretos.
Aliás, sendo a IA uma invenção humana,
segue o princípio da ciência, que define a importância das boas perguntas, mais
valiosas que as respostas, uma vez que criam o movimento em direção ao
conhecimento.
Neste momento, o que diferencia o
profissional não é o seu conhecimento, mas, sua capacidade de gerar bons prompts
e saber escolher as melhores ferramentas de IA para cada especialidade.
Com o advento da IA Generativa, tão
temida neste momento em razão do potencial que possa ter de se tornar autônoma
e não mais acolher aos objetivos humanos, a escolha das ferramentas deixa de existir.
Sobram os prompts e, por algum
tempo ainda, podemos dizer que o profissional que desenvolver os melhores prompts
será aquele mais valorizado pelo mercado.
Mas, esse tempo pode acabar com o
desenvolvimento tecnológico, tornando a IA totalmente independente da
intervenção humana.
No mês passado, escrevi um discurso
para a abertura de um evento de segurança, realizado na Semana de Prevenção de
Acidentes – SIPATMA, promovida na empresa onde trabalho.
Como foi-me oferecida essa oportunidade,
elaborei com muito cuidado o texto e, pelo retorno que tive, foi bem recebido pelos
colegas que assistiram ao evento.
Alguns colegas me cumprimentaram
pelo discurso, mas, uma pessoa me perguntou se o texto fora criado pela IA.
Fiquei entristecido com a pergunta.
Pensei na desvalorização de nossos
talentos pessoais, que passam a ser suspeitos de uso de IA.
Depois desse evento, escrevi dois
livros. Usei a IA apenas para a criação da imagem da capa.
Deve haver pessoas que pensem que
a IA os fez, através de um bom prompt.
Se por um lado isso possa parecer
desencorajador, por outro, posso prever que o futuro pode guardar um lugar de destaque
para as pessoas que continuarem a construir conteúdos sem o uso dessas
ferramentas.
Essas pessoas passarão a produzir
resultados inesperados, diferentes, exclusivos.
Haverá quem os valorize
justamente por isso.
Outro ponto importante é que as
IAs trabalham com conteúdos já criados, ou seja, seus arquivos de pesquisa são
baseados no conhecimento passado.
Para acessar novos conhecimentos,
será necessária a pesquisa.
Já existem plataformas de IA que
contratam pessoas para realizarem pesquisas[1].
Então, já são duas as situações
que tomarão uma importância maior com a evolução das IAs: a capacidade de
realização de pesquisas e, consequentemente, de criação de conteúdos novos.
É possível que esses
profissionais sejam raros por possuírem a capacidade de criar e por terem seu
próprio estilo pessoal.
Resumidamente:
- Lucros esperados: investidores
em datacenters e algoritmos aportam altos valores e desejam rápidos e altos
retornos.
- Possível bolha inflacionária: existe
o risco iminente de não ocorrer o retorno no tempo esperado, o que poderá gerar
uma crise financeira mundial.
- Substituição do trabalho humano:
o trabalho humano deixa, gradualmente, de ser necessário – as empresas buscarão
a IA e os robôs, quando esses se mostrarem financeiramente mais atrativos (o
que já começa a ocorrer).
- Manipulação da informação: algoritmos
manipulados com fins mercadológicos, entregam informações parciais, monetizando
as pesquisas e distorcendo a realidade, incluindo a manipulação de governos de
países de interesse econômico, influenciando em eleições, guerras e no destino
de muitos povos.
- Apropriação de registros históricos
para interesses econômicos e de poder: reescrevendo a história e criando um
passado fictício, destruindo os registros originais e, com isso, aumentando o
poder de manipulação da população.
- Risco de que a IA se torne
independente, crie seus próprios objetivos e tenha para si todo o poder citado
nos itens anteriores, com potencial de voltarem-se contra a humanidade.
Seja lá qual for o futuro, precisamos
praticar a leitura, a pesquisa e a busca por conhecimento de forma constante,
desenvolvendo senso crítico para que possamos ser, de fato, o que nossos genes esperam
de nós: exclusivos.

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