HORA DO DETOX COMPORTAMENTAL

 


Estamos em meio a uma polarização que divide a população brasileira e, das decisões que forem tomadas, dependem o destino de todos.

Esse fenômeno tem crescido em todo o planeta e cria tensões, antes inexistentes nos níveis atuais.

Faz com que um lado olhe para o outro com ódio, atribuindo a culpa de todas as mazelas da sociedade, com o pensamento de que eliminando o outro, tudo seria melhor.

É uma situação perigosa e abre espaço para extremistas violentos.

Isso me faz pensar: qual o meu papel neste momento?

Olhando para a história recente, tomando como base a segunda guerra mundial, me imagino em meio ao nazismo em pleno auge: qual seria a minha atitude?

É arriscado assumir uma posição contrária declarada e perder a vida, assim como é arriscado se esconder, cruzando os braços para um extermínio em massa, e perder a alma.

Mas, a história nos traz algumas respostas.

Na Alemanha nazista, houve Schindler e Mengele. O primeiro, usou da estratégia de iludir os nazistas e salvou cerca de mil e duzentas pessoas, contratando-as em sua fábrica. O segundo, mergulhou na crueldade, enviando cerda de quatrocentas mil pessoas para a câmara de gás.

Ambos viviam o mesmo momento histórico. As escolhas foram opostas.

Essa realidade demonstra que, nem sempre o enfrentamento direto pode trazer algum resultado, enquanto, a ação consciente e elaborada, pode ser mais eficaz.

Acredito que o campo em que podemos atuar encontra-se em nosso alcance, ou seja: o que está diante de mim e que consigo influenciar.

É pensar num detox comportamental, com foco no exercício de olhar para o que está diante de mim e agir da forma mais sensata e empática.

Vamos supor que uma pessoa se acidente e precise de socorro. Eu estou próximo dela e sou capaz de ajudar. Nesse momento, importa o lado em que essa pessoa se encontre no campo das ideias? Penso que não.

Penso além: em situações assim, a maior parte das pessoas procura socorrer, sem avaliar mais nenhuma condição.

É a essência natural presente em todos nós, que pode ser alimentada ou reprimida.

Muitas vezes entramos em confronto por ideias que não nos atingem diretamente.

Eu posso defender um grupo de mulheres vítimas de violência, sendo eu um homem, assim como posso defender crianças abandonadas, sendo eu adulto e sem qualquer vínculo com elas.

Isso é empatia.

Mas, defender exige muito mais ações concretas do que discursos inflamados, discussões e agressões aos que se opõem. Tampouco procura a punição de culpados eleitos sem melhores julgamentos.

Creio, portanto, que, diante desse cenário de opositores, que prestemos maior atenção ao que de fato importa, o que nos envolve diretamente, que está ao alcance de nossa influência traduzida em ações concretas.

Eu posso defender ou condenar um tema polêmico, como exemplo, o aborto. Entretanto, eu não preciso agredir que pensa diferente. Se quero contribuir, o que está ao meu alcance é ajudar na prevenção da gravidez indesejada, no apoio às crianças que nascerem em lares desestruturados ou por demais vulneráveis etc. Algumas delas podem morar bem perto de mim.

Esse tipo de ação promove resultados consistentes. Isso muda o mundo para melhor.

A violência acontece quando não pensamos. O ato de exercitar o pensamento, nos ajuda a agir de forma mais equilibrada e justa.

A violência mata, mutila e acirra a vingança.

A racionalidade traz o progresso de uma civilização.

 

 

 

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