ABRH no SXSW - Redesenhando o Futuro do Trabalho.



A Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH, promoveu um evento no dia de hoje (23/04/2026) denominado “ABRH no SXSW”.

O evento, realizado em forma virtual, propôs a reflexão: “O futuro do trabalho já está sendo redesenhado agora”.


O SXSW 2026 ocorreu de 12 a 18 de março em Austin, Texas, celebrando 40 anos como um dos maiores festivais globais de inovação, tecnologia, música e cinema. A 40ª edição foca na Inteligência Artificial (IA) no dia a dia, com uma programação "dispersa" pela cidade e um forte destaque para a Creator Economy, conectando marcas e criadores.

Fundado em 1987 como um festival de música, o SXSW (South by Southwest) reúne, hoje, grandes nomes do nosso tempo.


No SXSW 2026, ficou claro que vivemos uma convergência entre tecnologia, cultura, liderança e comportamento impactando diretamente o RH.


O desafio é transformar esses insights globais em decisões práticas nas organizações brasileiras. Por isso surge o Redesenhando o Futuro do Trabalho.

Selecionei algumas falas e as transmito nas linhas a seguir.


Dilma Souza Campos CEO

É fundadora e CEO da agência de live marketing Outra Praia e da startup Nossa Praia, focada em auxiliar empresas a avançarem em pautas de sustentabilidade e ESG.

Liderança e Ativismo: Atua como conselheira da AMPRO (Associação de Marketing Promocional), é mentora da Rede Mulher Empreendedora e colunista em portais como o Promoview. Também é uma voz ativa na publicidade antirracista, sendo coautora de obras sobre o tema.


Reconhecimentos:

Dilma foi selecionada para o programa Winning Women Brasil, da Ernst & Young (EY) em 2016, e é palestrante recorrente no TEDx, onde compartilha sua "teoria dos ciclos" e sua visão sobre resiliência.


“O futuro são pessoas”

Dilma apresentou uma pesquisa recente realizada no Brasil, com dados interessantes sobre a percepção da população com relação à IA:


  1. IA como estrutura + Impacto
  • 50% da população acredita que a IA será tão importante quanto a eletricidade ou internet em um futuro próximo;
  • 69% não confiam que a IA será utilizada de forma responsável no Brasil;
  • 46% acreditam que a IA irá aumentar a desigualdade no Brasil e, para 34%, nada mudará;
  • 46% acreditam que as decisões no futuro serão divididas entre IA e humanos: apenas 16% acreditam no controle total da IA;
  • 66% se sentem desconfortáveis ou preocupados se a IA passar a ter um papel emocional na vida das pessoas.


  1. Solidão e Mattering
  • 55% acreditam que o crescente uso de IA no dia a dia afasta as pessoas do convívio;
  • 82% já se sentiu sozinho, mesmo conectado digitalmente;
  • Saudades relatadas de antes da tecnologia:

59% conversas presenciais;

57% convivência com amigos;

53% menos distrações digitais;

48% mais tempo com a família.


  1. Modern Love
  • 76% concordam que as pessoas evitam demonstrar sentimentos por medo de julgamento ou rejeição;
  • Pensando no que mais dificulta conexões verdadeiras:

66% a falta de escuta e empatia;

59% extremismo até nas opiniões pequenas;

51% desconfiança nas relações;

49% as redes sociais.


Dilma reforça fala na acreditação de que o RH deve estar nesse lugar, nesse futuro onde a IA passa a compor das decisões.

“É preciso quebrar o paradigma que quem fala de pessoas não fala de dinheiro".

Em sua visão e experiência, Dilma revela que as pessoas ocupam posição central no sucesso dos negócios, mesmo em um ambiente dominado pelas IAs.


Caio Nalini (Magalu)

“Existe uma janela de oportunidade para o RH capitanear a interação homem x IA nas organizações. Essa janela pode se fechar: estaríamos prontos para aproveitar esse momento?”


Caio inicia com essa provocação, ponderando que as pessoas já usam a IA no dia a dia, mas poucas utilizam para extrair o potencial da IA para produzir melhor.


Na Magazine Luiza (Magalu), relata, existe uma preocupação muito grande em ajudar as pessoas a “atravessarem as pontes”, sempre quando novas tecnologias ocorrem, potencializando as pessoas para essa transição.


Marco importante para a Magalu: a direção esclareceu aos colaboradores sua visão com relação à IA, o que tornou transparente e de conhecimento de todos, os caminhos para o uso dessa nova tecnologia. Houve a oferta de ferramentas de IA para todos os colaboradores, estimulando o seu uso e com ferramentas de orientação via Google. Essa formação ocorre com frequência. Após um ano, obtiveram registros mais de 200 iniciativas de IA em produção - utilizadas pelos times.


Foram criados momentos para que os times, compartilham suas boas práticas (semanalmente).

Essas novas produções alimentam o sistema, que passa a ter um banco de dados de melhores práticas e indicam caminhos com maior potencial de êxito e inovação para cada novo projeto proposto.


A função do RH é de fundamental importância em todo esse processo, criando oportunidades e potencializando seus colaboradores.


Essa função é institucionalizada na Magalu: foi criada funcionalidade de RH na IA, na qual cada colaborador pode cadastrar suas produções, disponibilizando-as para toda a empresa.


A IA passa a ter uma fonte para escolha de soluções para projetos.


Rodrigo Ladeira (Athena Saúde)

“Esperamos que a forma de trabalhar seja repensada - o novo paradigma do engenheiro arquiteto” (aquele que consegue transitar entre a lógica e a arte).


“Vivemos momento de provocar as perguntas certas e não mais ter todas as respostas”.


A saúde social como novo pilar: Pilar da liderança.

A tecnologia escala, mas, são necessários líderes preparados para garantir a saúde emocional e mental, como forma de aumentar performance e a produtividade do negócio.


Ritos Sociais foram criados na organização: é preciso investir no combate à solidão e sensação de isolamento que as redes sociais causam na sociedade atual.


Trabalhar a qualidade das relações, evitando a solidão, o sentimento de desconecção.

“O que prevalece não é saber, mas, saber pensar”.


Mediadores do Evento

Estamos num momento da história em que voltamos para um lugar de aprendizado.

É importante "por a mão na massa" em qualquer posição na hierarquia da empresa.

O RH aparece como grande arquiteto do redesenho das organizações num momento de IA: as pessoas não são resistentes às mudanças, mas, precisam confiar em quem lidera essas mudanças.

“O futuro da Gestão é Humano”.


Sandy Carter

Participante internacional.

Autora do livro: “AI First Human Always”.


A escritora apresentou o resultado de pesquisas, demonstrando que 95% dos projetistas de IA generativa estão falhando e o problema não é a tecnologia, mas as pessoas que não estão preparadas para essa nova tecnologia.


Apresentou 4 coisas que ninguém conta pra você:

  1. “Liderança, não software”.
  2. “Todas as equipes e não todas as ferramentas”.
  3. “Agentes de ROI” – (Retorno Financeiro Mensurável): Diferente de chatbots simples, agentes de IA podem tomar decisões, usar ferramentas, conectar-se a outros softwares e concluir processos ponta a ponta sem intervenção humana constante.
  4. "A IA não substitui empregos, ela substitui organogramas."


Em resumo, ficaram, para mim, as seguintes lições:


O RH pode – e deve – assumir a oportunidade atual de investimento em pessoas, redesenhar organogramas considerando o ser humano como o maestro de inúmeras formas de IA.


É importante o fortalecimento dos colaboradores, propiciando e incentivando o uso de diversas ferramentas de IA.


É preciso recuperar a confiança dos colaboradores nos objetivos empresariais no novo cenário das IAs.


As empresas precisam lidar com a questão da saúde mental, trabalhando de forma consistente na socialização, na inclusão e contra o sentimento de isolamento que o cenário contemporâneo provoca com a invasão das redes sociais digitais na vida das pessoas.


Não basta ter acesso a inúmeras IAs, sem que se prepare o usuário humano para a escolha correta e o melhor uso dessas ferramentas.


A exemplo da Magalu, as empresas precisam incentivar novos projetos e socializar os resultados, de forma a criar um banco de melhores práticas que possa alimentar novas decisões.


Em um mundo dominado pela IA, é importante que se saibam fazer consultas com maior qualidade: boas perguntas levam a melhores resultados. Isso exige maior reflexão e empoderamento dos usuários.


Enfim, existem ferramentas de IA capazes de realizar todo o tipo de trabalho, mas, para que esse potencial seja explorado, é preciso gestão humana de qualidade.

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