Saturday, March 03, 2012

A CARTA DO CHEFE DE SEATLE E A RACIONALIDADE AMBIENTAL, NA VISÃO DE ENRIQUE LEFF


por: João Abeid Filho


RESUMO


“Em 1854, "O Grande Chefe Branco" em Washington fez uma oferta por uma grande área de território indígena e prometeu uma "reserva" para os índios. “

Assim começa a carta que teria sido escrita por um índio ao presidente dos EUA, onde é colocada a questão ambiental e social sob um prisma atual e que sensibiliza-nos ainda hoje pela sua poesia e ideologia que a acompanham.

Existem controvérsias a respeito de sua autenticidade, as quais citaremos neste estudo, mas o foco recai sobre as similaridades dos argumentos textuais com os postulados de Enrique Leff sobre a “racionalidade social” e sobre a (in)sustentabilidade das cidades contemporâneas,

Tentaremos expor o pensamento de Leff e os tópicos apontados na Carta, traçando assim um paralelo entre essas duas fontes de pensamento sobre as cidades e suas relações com o meio ambiente e com a sociedade.


PALAVRAS CHAVE: Racionalidade ambiental, Meio Ambiente, Sustentabilidade.


1. INTRODUÇÃO

Enrique Leff, Economista mexicano, doutor em Economia do Desenvolvimento pela Sorbonne (1975), é professor de Ecologia Política e Políticas Ambientais na Pós-Graduação da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e, desde 1986, coordenador da Rede de Formação Ambiental para a América Latina e Caribe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA .

Leff traz o conceito da racionalidade ambiental, como solução para a crise ambiental e social que ameaça o planeta.

Crítico ácido dos modelos econômicos como o capitalismo e mesmo o socialismo em prática na contemporaneidade, Leff aponta as distorções que seriam a causa da degradação sócio ambiental e suscita-nos a pensar num novo modelo, onde a natureza integre o modelo econômico, como maneira única de preservação da espécie humana.

Com o olhar voltado para sua teoria, analisaremos a “Carta do chefe de Seatle”, que teria sido escrita no ano de 1854 ao então presidente dos Estados Unidos, em resposta a uma suposta manifestação de interesse pela compra das terras ocupadas pelos índios.

Essa Carta tem sido muito divulgada pelos meios de comunicação e pode ser considerada como uma “bandeira” da causa ambientalista muitas vezes exposta como argumentação para ações de preservação e consciência ecológica.

Observando possíveis pontos de convergência ideológica entre a Carta e o pensamento contemporâneo, expresso por Leff, aprofundaremos o tema da sustentabilidade sócio ambiental.

Os resultados esperados serão uma compreensão maior sobre os problemas ambientais criados pelas cidades, pelos modelos econômicos, suas consequências as propostas apontadas nessas leituras para a sua solução.

2. DESENVOLVIMENTO

Enrique Leff considera que as sociedades sejam elas socialistas ou capitalistas, não consideram a natureza em sua racionalidade e, por essa razão, são insustentáveis.

Não estão preparadas para pensar as futuras gerações e muito menos seriam capazes de preservar o planeta e sua biodiversidade.

“”Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós.

Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los?

Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo. “

Esse trecho da Carta do Chefe de Seatle, traz o conceito da sacralidade da terra na cultura de sua tribo.

O sentimento do sagrado, que não parece pertencer mais a contemporaneidade, pode explicar o respeito e o cuidado com a terra e sua criação daquela nação indígena, a ponto de causar estranhamento a “compra” dessa terra, proposta pelo presidente dos EUA.

Seria talvez uma fórmula para integrar a natureza na cultura e criar um modelo econômico sustentável : sacralizar o planeta?

“A energia que flui pelas árvores traz consigo a memória

e a experiência do meu povo.

A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias

do homem vermelho. “

Aqui , a memória do povo, patrimônio cultural na lógica política nacionalista, flui dos elementos naturais: a Terra seria o patrimônio que abrigaria a história do povo e, portanto, a maior expressão de pertencimento social .

“Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando

vão caminhar entre as estrelas.

Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra,

pois ela é a mãe do homem vermelho.

Somos parte da Terra e ela é parte de nós.

As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo,

a grande águia, estes são nossos irmãos.

Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei,

e o homem, todos pertencem à mesma família. “

Esse texto parece coincidir com o que Leff sugere, quando diz que:

“A busca de uma racionalidade ambiental tem como objetivo detectar aqueles elementos que possam se constituir em base de uma estratégia produtiva alternativa, onde a natureza se integre à lógica produtiva.”

Seriam os índios Seatle, vivenciadores dessa lógica já em 1854?

Vivendo um modelo de cultura de consumo pelas suas necessidades básicas e respeitando a natureza como parte de sua “família”, os índios estariam então nos mostrando uma forma de civilização sustentável,

Leff postula que a Racionalidade Social teria como um de seus pilares, uma produção destinada à satisfação das necessidades básicas, a qual seria contrária a lógica do mercado.

Na sequência, a Carta revela:

“A água brilhante que se move nos riachos e rios não é

simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais.

Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que

ela é o sangue sagrado de nossos ancestrais.

Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que

ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada

e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas

da vida de meu povo.

O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.”

A cultura indígena expressa aqui a estreita ligação dos seus indivíduos com a natureza, interpretando suas manifestações como meios de comunicação dos ancestrais.

Leff cita mais um pilar da defendida Racionalidade Ambiental: “uma racionalidade social diferente da mercantil- produtivista. Essa nova racionalidade deveria basear-se numa reapropriação social da natureza, a partir de formas de democracia participativa direta —não a tradicional democracia representativa.”

Aqui se percebe uma diferença de interpretações culturais.

Na tribo de Seatle, a natureza é a representação do sagrado e a sustentabilidade advém de uma relação mítica e de interpenetração, onde o homem se integra a ela através da vós dos antepassados e das manifestações dos animais.

Na lógica de Leff entretanto, a relação do homem com a natureza é política, propondo que a sustentabilidade adviria da participação de todos nas decisões e nas propostas de vida sustentável.

“Os rios nossos irmãos saciam nossa sede.

Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças.

Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de

ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês,

e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo

carinho que têm para com seus irmãos. “

Aqui os índios demonstram que a relação harmônica com a natureza deve ser passada , como cultura, às gerações futuras.

Nesse ponto, a educação demonstra seu papel importante no processo de sustentabilidade.

“O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos

são esquecidos.

Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como

coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes.

Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto.

Não sei.

Nossas maneiras são diferentes das suas.

A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho.

Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende. “

Apesar de ter sido escrito num tempo tão distante, as palavras parecem profetizar os problemas atuais causados pela degradação do meio ambiente.

Segundo Leff, “A racionalidade econômica gerou uma concepção do desenvolvimento das forças produtivas que privilegiou o capital, o trabalho e o progresso técnico como fatores fundamentais da produção, desterrando de seu campo a cultura e a natureza.”. (LEFF Enrique, Racionalidade Ambiental, pag. 405)

Leff expõe os resultados nefastos para a sociedade e para o meio ambiente, originados dessa postura racional, que aumentou a miséria e exclusão social no mundo e a degradação do meio ambiente em níveis ameaçadores.

Escreve Leff: “A construção de uma racionalidade ambiental encontra, assim, suas raízes mais profundas na cultura, entendida como a ordem que entretece o real e o simbólico, o material e o ideal, nas diferentes formas de organização social dos grupos humanos em comunidades e nações, nas formas diversas em que suas linguagens e suas falas dão significado aos territórios que habitam e à natureza com a qual convivem e coevoluem.”. (LEFF Enrique, Racionalidade Ambiental, pag. 408)

“O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas

compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem,

todos compartilham o mesmo hálito.

O homem branco parece não perceber o ar que respira.

Como um moribundo há dias esperando a morte,

ele é insensível ao mau cheiro. “

“Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar

é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos

com toda a vida que ele sustenta. “

Esse relato denuncia os efeitos nocivos da poluição nas cidades , que seriam efeito de uma postura dissociada da cultura “branca” com o meio ambiente.

Leff conclui que “A preservação de identidades étnicas e dos novos valores tradicionais das culturas, o arraigamento a suas terras e seus territórios étnicos constituem suportes para a conservação da biodiversidade – do equilíbrio, da resiliência e da complexidade dos ecossistemas - , estabelecendo-se como condição de sustentabilidade da sua produtividade.” (LEFF Enrique, Racionalidade Ambiental, pag. 429)... “A cultura ecológica emerge na narrativa da globalização como uma consciência conservacionista diante da racionalidade econômica produtivista e perdulária. O discurso da sustentabilidade tende a atribuir à cultura – e às culturas – uma vontade e uma capacidade intrínseca de preservação do meio ambiente em que habitam como uma experiência vivida de conservação cultural, como uma faculdade e um mecanismo adquirido no processo de evolução ecocultural. E, no entanto, a cultura funciona como uma ‘superestrutura’ da base orgânica da vida que assegura sua reprodução através de processos de adaptação e transformação, onde as leis de conservação e evolução se refletem nas cosmovisões e práticas culturais do uso da natureza.” (LEFF Enrique, Racionalidade Ambiental, pag. 435).

É interessante verificar que as origens dos problemas ambientais, estando em grande parte relacionadas com ações culturais resultantes de sistemas econômicos predatórios, requerem agora, segundo os autores citados, que as sociedades redefinam os modelos de economia de maneira a estabelecer novos interesses e maneiras de sobrevivência que respeitem novos paradigmas de valores sustentáveis.

Mais interessante ainda é o conceito de que a solução estaria numa visão contrária à globalização cultural, mas direcionada às soluções locais.

Mas como seria possível estabelecer esses novos paradigmas culturais uma vez que o atual sistema é sustentado pelo poder econômico nos mercados globais?

“O que é o homem sem os animais?

Se todos os animais acabassem, o homem morreria

de uma grande solidão do espírito.

Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem.

Todas as coisas estão ligadas. “

O Chefe d e Seatle revela a associação que sua cultura faz com os animais, considerando-os como “irmãos” e vendo em sua preservação, a garantia de preservação da própria humanidade.

“Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés

é as cinzas de nossos avós.

Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra

é rica com as vidas de nossos parentes.

Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos,

que a Terra é nossa mãe.

Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra.

Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.

Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem –

o homem pertence à Terra.

Isto nós sabemos.

Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família.

Todas as coisas estão ligadas.

Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra.

O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela.

O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo. “

Mais uma vez, a educação e a íntima relação observada entre a humanidade e a Terra e sua biodiversidade são relatadas como postura cultural dos índios de Seatle.

“De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um dia

descobrir – nosso Deus é o mesmo Deus.

Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam

possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo.

Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para com

o homem vermelho quanto para com o branco.

A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo

por seu criador.

Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos. “

A percepção de um Deus comum, mas intrinsecamente ligado a Terra, oferece um caminho para a compreensão da sacralização do planeta e de seus elementos.

Leff explica a Racionalidade Social em contraposição à racionalidade mercantil-produtivista.

Uma gestão direta, onde as comunidades locais se relacionam com os recursos naturais de forma direta e responsável, baseada em práticas tradicionais resultantes das cosmovisões e culturas que têm um comportamento mais harmônico (sustentável) com a natureza.

O autor discorre sobre o conceito de “Localismo”, onde

“... a preocupação de que a economia se regule segundo as necessidades, as possibilidades e a participação local”.

“O eixo estaria dado pela ideia central das comunidades, das regiões e das nações — nessa ordem, do menor ao maior— lograrem recuperar o controle sobre a economia. A prioridade seria a auto-suficiência. Tudo o que pode ser produzido no local deve sê-lo. Quando não houver condições locais, o regional tem prioridade, depois o nacional e, em última instância, o internacional.”

É interessante verificar que as origens dos problemas ambientais, estando em grande parte relacionadas com ações culturais resultantes de sistemas econômicos predatórios, requerem agora que as sociedades redefinam os modelos de economia de maneira a estabelecer novos interesses e maneiras de sobrevivência que respeitem novos paradigmas de valores sustentáveis.

Mais interessante ainda é o conceito de que a solução estaria numa visão contrária à globalização cultural, mas direcionada às soluções locais.

Mas como seria possível estabelecer esses novos paradigmas culturais uma vez que o atual sistema é sustentado pelo poder econômico nos mercados globais?

Mas, seria a Carta do Chefe de Seatle verdadeira?

“O CONTO DA CARTA DO CHEFE SEATTLE”, Artigo original publicado sob o título «El Cuento de la Carta del Jefe Seattle « no blogue El retorno de los Charlatanes em 06-02-2010 obra de Mauricio-José Schwarz .

O autor do texto com o título acima, é acido crítico à veracidade da Carta.

Alega o autor que no século XIX, a extinção das espécimes por ação humana não era conhecida, assim como seria improvável a grande consciência ecológica do suposto chefe de Seatle.

O autor revela que o verdadeiro “Chefe de Seatle” seria conhecido como “Si’ahl, a quem os brancos que colonizaram os Estados Unidos chamaram «Seattle»”...” era um índio duwamish nascido ao redor de 1780 e morrido o 7 de junho de 1866, que foi chefe da sua tribo e dos squamish.

Prossegue o relato: “Si’ahl, homem do seu tempo e de seu povo, isto é, representante da sua cultura e nom da dos ocidentais pseudoecologistas, possuía escravos produto de suas vitórias na guerra, e tomou várias esposas, como correspondia a um chefe. Nada disto é criticável, pois era o normal no seu mundo, e julga-lo com as normas do nosso é, quando menos, jogar sujo. Como o é desvirtuar-lo para o ajustar às ideias próprias.”

Segundo a história, na perspectiva do autor, “... provavelmente Si’ahl nom viu um bisom na sua vida, era chefe de umha tribo de mariscadores sitos no extremo norte da Costa Leste dos Estados Unidos, de modo que a frase da suposta carta «Vi mil bisons apodrecer na chaira» é literalmente impossível.”

Prossegue a narrativa: “O caso é que, expulsado das suas terras, Si’ahl conheceu a David Swinson «Doc» Maynard, médico e pioneiro que chegou à zona como empresário madeireiro, e em 1852 construiu ali a sua chouça de madeira fundando, de facto, a cidade de Seattle.”

O texto revela que Si’ahl seria conhecido por ser um grande orador e teria participado de uma reunião com o então, o governador Isaac Ingalls Stevens – “acredita-se que foi o 11 de Março de 1854” – que teria como finalidade discutir a rendição ou venda das terras dos índios aos colonos brancos.

Relatou-se que Si’ahl teria então feito um pronunciamento no idioma lushootseed.

“Si’ahl falou, alguém traduziu desse idioma à fala chinook, umha língua franca do oeste de Estados Unidos formada por diversas línguas ameríndias, inglês e francês, e alguém mais traduziu ao inglês para que Stevens se inteirasse do que tinha dito Si’ahl.”

Em 29 de Outubro de 1887 o “doutor Henry A. Smith, médico, poeta, legislador e colono, que compartilhava a simpatia de Maynard polos índios, e que assegurava ter estado presente durante o discurso de Si’ahl, publicava no Seattle Sunday Star umha peça intitulada «Scraps from a diary» (Retalhos dum diário) que, dixo, se baseava nas notas que tomou do discurso do chefe Seattle e, afirmou, era só um fragmento do discurso. Nele, o chefe Si’ahl agradecia os brancos a sua generosidade, exigia que qualquer tratado garantisse o acesso dos índios a seus antigos cemitérios e fazia umha comparaçom entre o deus dos brancos e seus deuses.”

Em 22 de Abril de 1970 “o jovem professor de cinema da Universidade de Texas em Austin, Ted Perry, assiste à primeira celebraçom do «Dia da terra» no campus. Eram as primeiras auroras do ecologismo e a consciência planetária, e o académico clássico William Arrowsmith lê ante o público umha versom do discurso escrito por Smith actualizada por ele para a adaptar ao estilo combativo e as preocupaçons de elogio à década dos 60. A peça impacta nos presentes.”

“Pouco depois, Ted Perry, como roteirista da Southern Baptist Radio and Television Commission, Comissom de Rádio e Televisom Bautista do Sur, umha empresa da Convençom Bautista do Sur, a maior igreja protestante dos Estados Unidos, afronta o repto de escrever um filme sobre a contaminaçom e a ecologia, chamada Home (Lar). Pede-lhe permissom a Arrowsmith para empregar a sua peça como base de seu roteiro e procede a escrever o que hoje conhecemos como «A carta do chefe Seattle».”

“Em 1992, a já poderosa organizaçom Dia da Terra, EUA (Earth Day, USA) enviou por correio a espurea carta a 6500 líderes religiosos. O autoproclamado dandy da ecologia, Al Gore, citou a carta no seu livro Earth in the balance.”

“Hoje, felizmente, de procurarmos em Google «chief seattle letter», acharemos que a maioria das ligaçons que aparecem primeiro mencionam a fraude, destacam a verdadeira personalidade do líder duwamish e referenciam a Ted Perry.”

O autor do texto: “ em palavras de Ted Perry: Por que estamos tam dispostos a aceitar um texto como este se se lhe atribui a um nativo americano? É outro caso de pôr os nativos americanos num pedestal e nom nos responsabilizar de nossas próprias acçons?”

Como ficamos então?

Sem a comprovação histórica da veracidade da referida Carta, fica-nos a sensação de desejo que que ela fosse real, para que pudéssemos então utilizar, mais uma vez, a história como forma de reconhecimento, pertencimento e receita para nossa crise atual.

Seja como for, houve um discurso do referido índio que causou impacto aos que estavam presentes, o que causou a imortalidade da intenção e alimentou a fantasia de tantos leitores posteriores, que se ampararam na Carta (e ainda o fazem), como um pilar romântico para uma nova era desejada por todos.



3. CONCLUSÕES


A visão de Leff de uma civilização sustentável traz o conceito de que uma nova ordem político econômica deveria se desenvolver, partindo do princípio que nem capitalismo e nem socialismo deram ou dão conta dessa questão.

Na nova lógica, a natureza deixaria de ser vista como “meio” de extração para a produção, para se incluir na lógica produtiva.

Assim sendo, questões como o consumo responsável e a sustentabilidade seriam naturalmente incorporadas.

Leff sugere que as sociedades devem se tornar auto-sustentáveis, num movimento contrário à globalização – que seria lógica mercantil utilitarista e permissiva com a natureza – partindo do local para o global.

Os conhecimentos locais, aliados à tecnologia, num diálogo inclusivo, acessível a todos os individuos e atores sociais, seriam, na visão de Leff, criadores de soluções para os problemas ambientais.

A Carta de Seatle traz em seu texto uma visão semelhante, mostrando uma cultura onde a lógica produtiva incorpora a natureza e a biodiversidade.

Na Carta, o suposto “Chefe de Seatle” demonstra um profundo respeito ao planeta e aos animais, assim como aos elementos naturais, tais como as árvores, os rios, o vento, etc.

A fórmula para essa lógica sustentável entretanto parece estar centralizada no carater do sagrado: a terra é sagrada, assim como os animais e todos os elementos naturais.

Esse tipo de raciocínio se encaixa melhor com o discurso do teólogo Albert Schweitzer (1875 – 1965).

Citado no livro “Ciência e Bioética – Uma Visão Teológica” (Professor Doutor Euler R.Westphal), relata-se que Schweitzer “tiinha consciência de que todas as formas de vida devem ser vistas sob a perspectiva do temor respeitoso”.

Prosegue Westphal: “Sob a ótica evangélica, a vida não é propriedade como o quer o mercado, mas ela é dádiva de Deus. E esse deveria ser o ponto de partida para uma ciência responsável.” (Pag. 27).

A maior questão que se coloca é a urgência de mudanças comportamentais diante das mudanças climáticas e suas já atuais catástrofes em curso – seria a humanidade capaz de mudar sua lógica mercantil e social a tempo?

A história parece mostrar que são necessárias crises para que se mudem os sistemas políticos e sociais.

Talvez desta vez a humanidade deva inverter essa ordem, sob pena de não resisitir à próxima crise com dimensões planetárias.

Veja a Carta de Seatle em sua versão atual na página:
http://www.culturabrasil.org/seattle1.htm

No comments: